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terça-feira, 21 de março de 2006

Hino Acadêmico

Bittencourt Sampaio
Segundo contam, Carlos Gomes em sua juventude morou em uma república na proximidade da Faculdade, convivendo com estudantes de Direito. A seu pedido, compôs o hino, com letra de Bittencourt Sampaio, que foi adotado como o Hino da Faculdade de Direito.

Hino Acadêmico - Carlos Gomes e letra de Bittencourt Sampaio - Interpretação: Coral da Faculdade de Direito da USP XI de Agosto:


"Sois da Pátria a esperança fagueira, / Branca nuvem de um róseo porvir;
Do futuro levais a bandeira, / Hasteada na frente a sorrir.
Mocidade, eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé;
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

0 Brasil quer a luz da verdade, / E uma c'roa de louros também,
Só as leis que nos dêem liberdade, / Ao gigante das selvas convém!
Vossa estrela reluz radiante, / Oh! erguei-a vós todos, com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

É nas letras que a Pátria querida / Há de um dia, fulgente, se erguer,
Velha Europa, curvada e abatida, / Lá de longe que inveja há de ter!
Nós iremos marchando adiante, /Acenando o futuro com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

Orgulhoso o bretão lá dos mares / Respeitar-nos então há de vir,
São direitos sagrados os lares, / Nunca mais ousarão nos ferir.
Auriverde pendão fulgurante / Hasteai-o, mancebos, com fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!

São imensos os rios que temos, / Nossos campos quão vastos que são!
As montanhas tão altas, que vemos, / De um futuro bem alto serão.
0 futuro não vai mui distante, / Já podeis acená-lo com fé,
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!

Nossos pais nos legaram guerreiros, / Honra a glória, virtude e saber;
Nós os filhos de pais brasileiros, / Pela Pátria devemos morrer!
Mocidade eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!"

Quem sabe?

Carlos Gomes
Carlos Gomes ficou reconhecido internacionalmente como compositor de óperas. O que pouca gente sabe é que ele compôs a partir de um universo bastante diversificado, bem próprio de seu estilo, influências e contexto histórico. No seu repertório encontramos música sacra, modinhas, cantatas e operetas. Quando ouvimos suas modinhas nos lembramos de sua origem interiorana, das festas de salões em volta do piano, dos saraus lítero-musicais tão freqüentes no Rio e São Paulo do século XIX.

Nas modinhas e canções de Carlos Gomes encontramos um pouco do lirismo francês e muito dos tons humorísticos das canções italianas, sobretudo a forte presença do estilo verdiano, tão em voga no ensino musical da época. Da sua primeira fase, ainda como estudante de música, destacamos os títulos mais famosos: Hino acadêmico e Quem Sabe? ambas de 1859. A grande parte dos textos musicados por Carlos Gomes eram de caráter romântico, realçando o estilo melodramático, típico das árias de salão.

Quem sabe? (modinha, 1859) - Antônio Carlos Gomes e Bittencourt Sampaio - Interpretação: Francisco Petrônio

LP Uma Voz E Um Violão Em Serenata - Vol. 4 - Francisco Petrônio e Dilermando Reis / Título da música: Quem Sabe / Antônio Carlos Gomes (Compositor) / F. L. Bittencourt Sampaio (Compositor) / Francisco Petrônio (Intérprete) / Dilermando Reis (Intérprete) / Gravadora: Grand Prix/Continental / Nº do Álbum: GPLP 70.004 / Ano: 1970 / Gênero musical: Modinha



---------C -------------------------------------------------------G7
Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento
-----------------------------------------------------------------C
Tão longe de mim distante / Onde irá, onde irá teu pensamento
-----E7-------------- Am------ G7----------- C
Quisera, saber agora / Quisera, saber agora
--------------F-------------- C---------- G7--------------- C
Se esqueceste, se esqueceste / Se esqueceste o juramento.
-----------G--------------- D7-------------------------------- G
Quem sabe se és constante / Se ainda é meu teu pensamento
-----------G7----------- C------------- D7---------------------------- G G7
Minh’alma toda devora / Dá a saudade dá a saudade agro tormento
---------C------------------------------------------------------- G7
Tão longe de mim distante / Onde irá onde irá teu pensamento
-----------------------------------------------------------------C
Quisera saber agora / Se esqueceste se esqueceste o juramento.

domingo, 12 de março de 2006

Carlos Gomes

A música de Carlos Gomes, de temática brasileira e estilo italiano inspirado basicamente nas óperas de Giuseppe Verdi, ultrapassou as fronteiras do Brasil e triunfou junto ao público europeu.


Antônio Carlos Gomes nasceu em Campinas SP, em 11/07/1836. Estudou música com o pai e fez sucesso em São Paulo com o Hino acadêmico (com Bittencourt Sampaio) e com a modinha Quem sabe?, conhecida também como Tão longe, de mim distante, de 1860.

Continuou os estudos no conservatório do Rio de Janeiro, onde foram apresentadas suas primeiras óperas: A noite do castelo (1861), com libreto de Fernandes dos Reis, e Joana de Flandres (1863), com libreto de Salvador de Mendonça. Com uma bolsa do conservatório, estudou em Milão com Lauro Rossi e diplomou-se em 1866.

Em 19 de março de 1870 estreou no Teatro Scala de Milão sua ópera mais conhecida, Il guarany (O guarani), com libreto de Antonio Scalvini e baseada no romance homônimo de José de Alencar. Encenada depois nas principais capitais europeias, essa ópera consagrou o autor e deu-lhe a reputação de um dos maiores compositores líricos da época.

O sucesso europeu de Il guarany repetiu-se no Brasil, onde Garlos Gomes permaneceu por alguns meses antes de retomar a Milão, com uma bolsa de D. Pedro ll, para iniciar a composição da Fosca, melodrama em quatro atos em que fez uso do Leitmotiv, técnica então inovadora, e que estreou em 1873 no Scata. Mal recebida pelo público e pela crítica, essa viria a ser considerada mais tarde como a mais importante de suas obras.

Depois de Salvatore Rosa (1874) e Maria Tudor (1879), Carlos Gomes voltou ao Brasil e foi recebido triunfalmente. Nessa temporada brasileira, dirigiu na Bahia e no Rio de Janeiro a montagem de Il guarany e de Salvatore Rosa. Ainda na Bahia apresentou Hino a Camões e em São Paulo realizou, no Teatro São José, a primeira montagem de Il guarany no estado natal. A partir de 1882, Carlos Gomes passou a dividir seu tempo entre o Brasil e a Europa. No Teatro Lírico do Rio de Janeiro estreou Lo schiavo (1889; O escravo), de tema brasileiro.

Com a proclamação da república, perdeu o apoio oficial e a esperança de ser nomeado diretor da Escola de Música do Rio de Janeiro. Retomou então a Milão e estreou O condor (1891 ), no Scala. Doente e em dificuldades financeiras, compôs seu último trabalho, Colombo, oratório em quatro atos para coro e orquestra a que chamou poema vocal sinfônico e dedicou ao quarto centenário do descobrimento da América. A obra foi encenada em 1892 no Teatro Lírico do Rio de Janeiro.

Em 1895 Carlos Gomes dirigiu Il guarany no Teatro São Carlos, de Lisboa, cidade em que recebeu a última homenagem: foi condecorado pelo rei Carlos I. No mesmo ano chegou ao Pará, já doente, para ocupar a diretoria do Conservatório de Música de Belém, cargo criado pelo govemador Lauro Sodré para ajudá-lo.

Os modernistas de 1922 desprezaram Carlos Gomes, mas o público brasileiro sempre valorizou suas modinhas românticas - Bela ninfa de minh'alma, Suspiros d'alma, Quem sabe? -, a parte mais autenticamente nacional de sua obra, e a abertura ("protofonia") de Il guarany.

Em 1993 essa ópera, meio esquecida, voltou aos palcos europeus ao ser montada por Wemer Herzog, na ópera de Bonn, com Plácido Domingo no papel de Peri. Carlos Gomes morreu em Belém, em 16 de setembro de 1896.

Óperas

A Noite do Castelo (1861); Joana de Flandes (1863); Se sa Minga (1866); Nella Luna (1868); Guarany (1870); Fosca (estréia 1873); Salvador Rosa (1874); Maria Tudor (1879); Lo Schiavo - O Escravo (1889); Condor (1891); Colombo (1891).

Canções

Missa de São Sebastião (1854); Bela Ninfa de Minh'Alma (1857); A Alta Noite (1859); Hino Acadêmico (1859); Quem Sabe? (1859); Suspiros d'Alma (1859); Anália Ingrata (1859); Missa de Nossa Senhora da Conceição (1859); Salve o Dia da Ventura (1860); A Última Hora do Calvário (1860); Lo ti vidi (1866); Noturno (1866); La Madamina (1867); Eternamente (1867); Lisa, me vos tu ben? (1869); Saldação do Brasil (1876); Hino a Camões (1880); Tu m'ami (1885-90); Pensa (1885-90); Per me solo (1885-90); Dolce rimprovero (1885-90); Canta ancor (1885-90); Povera bambola (1885-90); Addio (1885-90).

Bittencourt Sampaio

Bittencourt Sampaio (Francisco Leite de Bittencourt Sampaio), poeta, violonista e cantor, nasceu em Laranjeiras, província de Sergipe. Estudou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo.

Sabe-se que gostava de fazer experiências de magia branca nas "repúblicas" ou casas de família, distraindo a todos com sua alegria e bom-humor. Promovia saraus literários e musicais e gostava de acompanhar-se ao violão.

Fez carreira política, chegando a administrar a província do Espírito Santo. Foi também diretor da Biblioteca Nacional. Escreveu em diversos periódicos da época, entre eles, a "República". Faleceu, no Rio de Janeiro, a 10 de outubro de 1895.

Autor da letra do famoso "Hino Acadêmico" da Faculdade de Direito. É dele também a letra de uma das modinhas mais conhecidas do Brasil: Quem sabe? (Tão longe de mim distante). Ambas em parceria com o maestro Carlos Gomes. Representante do romantismo literário no Brasil. O "Hino acadêmico" foi gravado em 1974, em versão instrumental, Editora Três - Companhia Brasileira de Discos Phonogram (Detsche Grammophon 2.530.506-B, 3).

Hino Acadêmico - Carlos Gomes e letra de Bittencourt Sampaio- Interpretação: Coral da Faculdade de Direito da USP


"Sois da Pátria a esperança fagueira, / Branca nuvem de um róseo porvir;
Do futuro levais a bandeira, / Hasteada na frente a sorrir.
Mocidade, eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé;
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

0 Brasil quer a luz da verdade, / E uma c'roa de louros também,
Só as leis que nos dêem liberdade, / Ao gigante das selvas convém!
Vossa estrela reluz radiante, / Oh! erguei-a vós todos, com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

É nas letras que a Pátria querida / Há de um dia, fulgente, se erguer,
Velha Europa, curvada e abatida, / Lá de longe que inveja há de ter!
Nós iremos marchando adiante, /Acenando o futuro com fé,
Este imenso colosso gigante / Trabalhai por erguê-lo de pé!

Orgulhoso o bretão lá dos mares / Respeitar-nos então há de vir,
São direitos sagrados os lares, / Nunca mais ousarão nos ferir.
Auriverde pendão fulgurante / Hasteai-o, mancebos, com fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!

São imensos os rios que temos, / Nossos campos quão vastos que são!
As montanhas tão altas, que vemos, / De um futuro bem alto serão.
0 futuro não vai mui distante, / Já podeis acená-lo com fé,
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!

Nossos pais nos legaram guerreiros, / Honra a glória, virtude e saber;
Nós os filhos de pais brasileiros, / Pela Pátria devemos morrer!
Mocidade eia avante, eia avante! / Que o Brasil sobre vós ergue a fé!
Este imenso colosso gigante, / Trabalhai por erguê-lo de pé!"



Fonte: Dicionário Cravo Albin.