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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Tava na roda do samba

Tava na roda do samba (samba, 1932) - Salvador Correia

Título da música: Tava na roda do samba / Gênero musical: Samba / Intérprete: Almirante e Bando de Tangarás / Compositor: Correia, Salvador / Álbum 33524 / Gravação e lançamento: 00/1932 / Lado A / Disco selo Victor 78 rpm:

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo aguentando negrada
Que o samba é dia e lia
E quem não tiver coragem
Que apele pra correria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

O samba tava enfezando
Combato que com harmonia
Mas a polícia chegando
Moveu com a pancadaria...ôôô (x2)

Tava na roda do samba
Quando a polícia chegô
Vamos acabá co'esse samba
Que o delegado mandô...oiii (x2)

Vâmo acabá com esse samba
Oi, vâmo acabá de uma vez
Que lá vem o delegado
Que vai nos levá pro xadrez...ôôô (x2)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Dona Antonha


Dona Antonha (marcha/carnaval, 1930) - João de Barro - Interpretação: Bando de Tangarás

Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, compositor, cineasta, dublador e cantor (Rio de Janeiro, RJ 29/3/1907 - 24/12/2006), cantava desde criança, acompanhado ao piano pela avó. Fez seus primeiros estudos em escola pública, de onde foi para o Colégio Santo Inácio, de padres jesuítas, e depois para o Colégio Batista, ali formando com os colegas um conjunto musical, o Flor do Tempo, onde adotou o pseudônimo de "João de Barro".

Ao se profissionalizar, o grupo alterou sua formação e nome, surgindo o Bando de Tangarás, ao qual aderiu outro morador de Vila Isabel, o jovem Noel Rosa.

Após realizar várias gravações com o grupo, Braguinha estreou em disco como solista em 1931, interpretando duas composições de Lamartine Babo, Cor de prata e Minha cabrocha. Logo depois, desistiu da carreira de cantor, já tendo estreado como compositor, com Dona Antonha, marcha gravada por Almirante para o Carnaval de 1930, pela Parlophon: "Ó dona Antonha...! / Ó dona Antonha...! / Tu tá ficando / Mas é mesmo sem-vergonha!..."..

Disco 78 rpm / Título da música: Dona Antonha / João de Barro "Braguinha", 1907-2006 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / João de Barro, 1907-2006 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13108 / Nº da Matriz: 3305 / Gravação: 29/01/1930 / Lançamento: Março/1930 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Nirez, Humberto Franceschi, Claudio Jorge Barros




Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora, 1998 SP; Dicionário Cravo Albin.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Mulata fuzarqueira

Sentimento e melancolia é frequente na obra musical de Noel Rosa (foto). Ele sofre muito com desilusões amorosas e isso vai se fixando em seus sambas. Aqui retrata uma mulher que cozinheira "cuida das gordura" e depois costureira "cuida das costura", em suma traz consigo um lacrimário de dor. O coração dessa mulher revive uma tristeza e o amor a fez sofrer, como se ela tivesse sido envolvida em um sonho ilusório, que a deixou sozinha e desamparada no mundo.

Mulata fuzarqueira (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Noel Rosa acompanhado pelo Bando de Tangarás

Disco 78 rpm / Título da música: Mulata fuzarqueira / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Noel Rosa, 1910-1937 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Gravação: 18/08/1931 / Lançamento: 1931 / Nº do Álbum: 13327-b / Nº da Matriz: 131185 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Humberto Franceschi


Mulata fuzarqueira, artigo raro
Que samba de dar rasteira
E passa as noite inteira em claro

Não quer mais saber de preparar as gordura
Nem usar mais das costura
O bom exemplo já te dei

Mudei a minha conduta
Mas agora me aprumei

Mulata fuzarqueira da gamboa
Só anda com tipo à toa
Embarca em qualquer canoa

Mulata, vou contar as minhas mágoa
Meu amor não tem R
Mas é amor debaixo d'água
Não gosto de te ver sempre a fazer certos papel
A se passar pros coronel
Nasceste com uma boa sina
Se hoje andas bem no luxo
É passando a beiçolina

Mulata, tu tem que te preparar
Pra receber o azar
Que algum dia há de chegar
Aceita o meu braço e vem entrar nas comida
Pra começar outra vida
Comigo tu podes viver bem
Pois aonde um passa fome
Dois podem passar também



Fonte: Discografia Brasileira - IMS.

Batucada

Eduardo Souto
Batucada (marcha/carnaval, 1931) - João de Barro e Eduardo Souto

Disco 78 rpm / Título da música: Batucada / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Eduardo Souto (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256-a / Nº da Matriz: 3730 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: Jan/1931 / Gênero musical: Marcha / Coleções: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Ô, ô
Nós semo é memo do amô (x2)

Mulatinha frajola
Entra aqui no cordão (cordão)
Que a fuzarca consola
As mágoa que a gente
Traz no coração

(refrão)

Mulata, benzinho
Vem pra mim de uma vez
Dou-te amor e carinho
Dinheiro não tenho
Não sou português

(refrão)

Vou comprá uma redoma
Nela eu vou te guardá (guardá)
Que os malandros te oiando
Meu bem, são capaz
De te profaná

(refrão)

Vem, meu bem, pro Salgueiro
Leblon não vale nada
Pois nos bairros de lá
Mulata, meu anjo
Não tem batucada

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Batente

Batente (samba/carnaval, 1931) - Almirante

Disco 78 rpm / Título da música: Batente / Almirante, 1908-1980 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13242-b / Nº da Matriz: 4006 / Lançamento: Nov/1930 / Gênero musical: Samba / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Queria te ver no batente
Sambando com a gente
Do Morro do Salgueiro
Queria te ver sem orgulho
Fazendo barulho
Batendo pandeiro (x2)


Sobe lá no morro
Para ver o que é orgia
Ver a bateria
Ver o tamborim
Ver o cavaquinho
Que só faz é din-din-din
Ver o violão
Como faz bem a marcação

(refrão)

Samba só é samba
Com batuque verdadeiro
Quando tem pandeiro
Marcando a cadência
Quando o centro é feito
Por chocalho e por barrica
Veja como fica
Acompanhado pela cuíca

(refrão)



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Eu vou pra Vila


Noel podia perfeitamente ter inspirado o desenhista que imaginou a capa ao lado do samba "Eu vou pra Vila", pois nela aparecem, além dos Tangarás voando em torno do título, os tipos mais explorados pelo compositor em suas obras: o policial, o tipo de chapéu de palha, o seresteiro, a mulata (ilustração extraída da Revista da Semana, de 08/11/1952).

Eu Vou Pra Vila (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérprete: Almirante

Disco 78 rpm / Título: Eu vou pra Vila / Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Bando de Tangarás (Intérprete) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13256 / Nº da Matriz: 3734-1 / Gravação: 02/08/1930 / Lançamento: 12/1931 / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi



Não tenho medo de bamba
Na roda do samba

Eu sou bacharel... Sou bacharel...
Andando pela batucada
Onde eu vi gente levada
Foi lá em Vila Isabel.

"Na Pavuna tem ternura..."
"Na Gamboa, gente boa..."

Eu vou pra vila,
Onde o samba é de coroa

Já mudei de Piedade,
Já saí de Cascadura,
Eu vou pra vila,
Pois quem é bom não se mistura.

Quando me formei em samba,
Recebi uma medalha,
Eu vou pra vila,
Pro samba de chapéu de palha,
A policia, em todo canto,
Proibiu a batucada.
Eu vou pra vila,
Onde a policia é camarada.


Fonte: Discografia Brasileira - IMS.

Cordiais saudações

Cordiais Saudações (samba, 1931) - Noel Rosa - Intérpretes: Bando de Tangarás e Noel Rosa

Disco 78 rpm / Título: Cordiais saudações / Autoria: Rosa, Noel, 1910-1937 (Compositor) / Bando de Tangarás, 1929-1931 (Intérprete) / Rosa, Noel, 1910-1937 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1931 / Nº Álbum 13327 / Lado A / Gênero: Samba.


Intr.:(F Fm C A7 D7 G7 C7)

F Fm C   A7 D7 G7 C 
(Cordiais saudações...)
G7                       Am
Estimo que este maltraçado samba
E7             Am
Em estilo rude, na intimidade
A7         Dm   G7        C
Vá te encontrar gozando saúde
A7         D7    G7     C
Na mais completa felicidade
(Junto dos teus, confio em Deus)
C7          F             Fm             C
Em vão te procurei, notícias tuas não encontrei
C7 B7  Bb7  A7            Dm
Eu   hoje sinto saudades
G7                                  C
Daqueles dez mil réis que eu te emprestei
C7             F
Beijinhos no cachorrinho
Fm             C     
Muitos abraços no passarinho
C7 B7  Bb7  A7            Dm
Um   chute na empregada
G7                       C
Porque já se acabou o meu carinho

G7                      Am
A vida cá em casa está terrível
E7                     Am
Ando empenhado nas mãos de um judeu
A7        Dm  G7         C
O meu coração vive amargurado
A7         D7    G7           C
Pois minha sogra ainda não morreu
(Tomou veneno, e quem pagou fui eu)
C7            F              Fm
Sem mais, para acabar, um grande abraço
C
Queira aceitar
C7 B7  Bb7   A7                Dm
De  alguém que está com fome
G7                           C
Atrás de algum convite pra jantar
C7              F          Fm              C
Espero que notes bem, estou agora sem um vintém
C7 B7  Bb7  A7                Dm
Po...dendo, manda-me algum...
G7                           C
Rio, sete de setembro de trinta e um

terça-feira, 18 de abril de 2006

Na Pavuna

Henrique Foreis Domingues também conhecido como Almirante (foto) dizia que não chegou a se entusiasmar quando Homero Dornellas lhe mostrou o samba "Na Pavuna", pedindo-lhe para completar a letra e, possivelmente, gravá-lo com o Bando de Tangarás.

Depois, analisando melhor, ele concluiu que, apesar de seu aspecto simplório, a composição prestava-se muito bem para um tipo de acompanhamento, ainda inédito em gravações, e que consistia no uso de muita percussão, com instrumentos utilizados em blocos carnavalescos.

Foi assim que, em clima de grande animação, realizou-se a gravação deste samba com pandeiros, cuícas, tamborins, surdo e ganzá, percutidos por componentes de escolas de samba, gente que entendia do assunto.

O amplo sucesso de "Na Pavuna", a preferida do público no Carnaval de 30, veio provar que Almirante tinha razão ao levar para o estúdio aqueles instrumentos que, a partir daí, tiveram lugar certo nas orquestras brasileiras. O disco derrubou ainda um tabu, existente na época, de que o som de surdos e tamborins "sujava" as gravações. Detalhe curioso: "Na Pavuna" está classificado no selo do disco como "choro de rua no Carnaval".

Na Pavuna (samba/carnaval - 1930) - Almirante e Homero Dornellas - Intérpretes: Almirante e Bando de Tangarás

Disco 78 rpm / Título da música: Na Pavuna / Almirante (Compositor) / Homero Dornellas (Compositor) / Almirante (Intérprete) / Bando de Tangarás (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13089 / Nº da Matriz: 3179 / Gravação: 30/11/1929 / Lançamento: Janeiro/1930 / Gênero musical: Choro de Rua no Carnaval / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


D
Na Pavuna, bum, bum, bum
Na Pavuna, bum, bum, bum
------------------------B7- E7- A7- D
Tem um samba, que só dá gente reiúna
-------------B7---- E7---- A7------ D
O malandro que só canta com harmonia
--------------B7----- E7------- A7-- D---- D7
Quando está metido em samba de arrelia
---------G --------Gm---- D-------- B7
Faz batuque assim no seu tamborim
---------E7---- A7 --------D -------D7
Com o seu time enfezando o batedor
----------G ------Gm------ D------- B7
E grita a negrada vem pra batucada
------------E7-------- A7----------- D
Que de samba na Pavuna tem doutor

----------B7-------- E7 -----A7------ D
Na Pavuna tem escola para o samba
----------------B7------- E7--- A7-- D--- D7
Quem não passa pela escola não é bamba
------G------ Gm------- D----- B7
Na Pavuna tem canjerê também
------------E7------------- A7-------- D--- D7
Tem macumba, tem mandinga e candomblé
-----G-------- Gm------ D------ B7
Gente da Pavuna só nasce turuna
--------E7------ A7---------------- D 

É por isso que lá não nasce "mulhé"


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Bando de Tangarás

Tangarás: caricatura de Nássara

Bando de Tangarás - Conjunto vocal e instrumental organizado no Rio de Janeiro RJ em 1929 por Almirante, pandeiro e vocal; João de Barro, violão e vocal; Henrique Brito, violão; Noel Rosa, violão; e Alvinho (Álvaro Miranda Ribeiro, Rio de Janeiro 1909-), violão e vocal. 


Surgiu como prolongamento do conjunto amador Flor do Tempo, criado por João de Barro, Henrique Brito, Alvinho e outros colegas do Colégio Batista, de Vila Isabel, Rio de Janeiro, no início de 1928; em julho, o grupo passou a contar com a participação de Almirante. Reunindo-se na casa de Eduardo Dale, animador do grupo, e apresentando-se em festas familiares, chegou a exibir-se em Vitória ES, a convite do governador.

No ano seguinte, quando recebeu proposta de gravação da Odeon, o grupo resolveu profissionalizar-se: selecionou elementos, convidou Noel Rosa - morador do bairro e já conhecido como bom violonista - e estreou com o nome de Bando de Tangarás, na Parlophon, subsidiária da Odeon, com o samba Mulher exigente (Almirante).

Noel Rosa e Bando de Tangarás em 1929: "Vamos Fallá do Norte".

Entre os diversos discos gravados desde então pela Odeon, destacaram-se o cateretê Anedota e a embolada Galo garnizé (ambos de Almirante); Festa de São João, cena regional de João de Barro em duas partes; e a célebre Na Pavuna (Almirante e Homero Dornellas), composta em fins de 1929 e grande sucesso do Carnaval do ano seguinte, onde apareceu pela primeira vez em disco uma batucada com tamborim, cuíca, surdo e pandeiro. Da gravação participaram ainda a pianista Carolina Cardoso de Meneses e o bandolinista Luperce Miranda.

Entre suas experiências e inovações, destacam-se a marcha Lataria (Almirante e João de Barro), gravada em 1930, com acompanhamento só de latas, e Eu vou pra Vila (Noel Rosa), acompanhada exclusivamente de pandeiros. O grupo chegou a incluir outros instrumentistas, como os violonistas Manuel de Lino e Sérgio Brito, e os garotos ritmistas Abelardo Braga e Daniel Simões. No mesmo ano participaram do filme Coisas nossas, produzido por Wallace Downey, cantando quatro músicas.

O Bando de Tangarás em 1930. Atrás estão João de Barro, Manoel Lino, Almirante, Luperce Miranda e Noel Rosa. Sentados, na frente, Sérgio Brito, Daniel Simões e Abelardo Braga.

O conjunto gravou até 1931, quando se dissolveu e seus integrantes prosseguiram carreiras individuais. Nesse mesmo ano, Alvinho estreou como cantor, lançando Bangalô, primeira composição gravada de Orestes Barbosa, realizada de parceria com Osvaldo Santiago. Durante a década de 1930, gravou ainda uma série de discos, afastando-se depois do cenário musical.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.