sexta-feira, 28 de abril de 2006

Curare

"Curare" é o segundo sucesso de Alberto de Castro Simoens da Silva, o afamado boêmio carioca Bororó, violonista e compositor nas horas vagas, cuja obra praticamente se resume a duas músicas, ambas clássicos.

Bororó foi o padrinho da carreira artística de Orlando Silva, que em 1939 ficou enciumado por não ter gravado "Da cor do pecado", o outro clássico, lançado por Sílvio Caldas. Então o compositor deu-lhe "Curare", como compensação.

Além da letra brejeira, a construção harmônica da segunda parte, especialmente a frase final, uma sequência avançada para época, tornam este samba atraente para intérpretes, como João Gilberto, interessados em músicas de concepção mais elaborada.

Curare (samba, 1940) - Bororó - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Curare / Bororó, 1898-1986 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 14/08/1940 / Lançamento: 10/1940 / Nº do Álbum: 34667 / Nº da Matriz: 33488-1 / Gênero: Choro estilizado

(A7)          D
Você tem buniteza,
Fo       Em    A7         Dm7   A7
E a natureza, foi quem agiu...
                   D
Com estes óio de índia,
  E7        A                 E7       A7    E7
Curare no corpo,  que é bem Brasil.

     A7      D
Tu é toda Bahia
     Fo         Em
É a fulô do mucambo,
    A7          Gb6  B7
Da gente de cô
                 Em      A7
Faz do amô confusão,
         D      B7        E7    A7
Nesta misturação bem banzeira,
     D    G7       Gb7         Bm    A7
Insoneira, que tem raça e tradição

                       D
Quebra, machuca minha dô
         A7             D
Nêga, neguinha tudo-tudinho
         A7
Meu amôzinho, com esta boquinha
       D
Vermelhinha, rasgadinha
 Gb      Db7          Gb       A7
Qui tem veneno, cumo que...

                     D                   
Conta tristeza e alegria
         A7                     D    B7
Pru seu bem, que tudo vive a dizê
       E7   A7   D    G       D
Que você é diferente desta gente
     A7       D
Que finge querê !


Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Cai, cai

Cai, Cai (batuque / carnaval, 1940) - Roberto Martins - Intérpretação: Joel e Gaúcho

Disco 78 rpm / Título da música: Cai cai / Roberto Martins (Compositor) / Joel (Intérprete) / Gaúcho (Intérprete) / Fon-Fon e Sua Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 04/11/1939 / Lançamento: 01/1940 / Nº do Álbum: 55191 / Nº da Matriz: 226-2 / Gênero musical: Batucada / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


-----------------D -----------------------Em
Cai, cai, cai, cai / Eu não vou te levantar
-----------------A7---------------------------- D
Cai, cai, cai, cai / Quem mandou escorregar


---------------------------------------------------A7
Cai a chuva no telhado / Teu olhar caiu no meu
-------------------------------------------------------D
Cai a cinza do passado / Sobre o sonho que morreu
----------------------------------------------------A7
Muita gente cai à toa / Outros caem com razão
------------------------------------------------ D
A saudade é uma garoa / Caindo no coração



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Acertei no milhar

Um pobretão sonha ter ganho 500 contos de réis no jogo do bicho, quantia fabulosa em 1940, suficiente para comprar três apartamentos de luxo ou cinco casas de dois pavimentos no bairro carioca de Copacabana. Este é o tema de "Acertei no Milhar", um samba-de-breque feito sob medida para o repertório de Moreira da Silva (foto).

Numa letra original e espirituosa, Wilson Batista (na foto ao lado) descreve a alegria do premiado, ressaltando seus planos mirabolantes ( "Eu vou comprar um avião azul / para percorrer a América do Sul"), suas expectativas de ascensão social ("Vou comprar um nome, não sei onde / vou ser barão..."), sem esquecer, porém, os compromissos cotidianos ("Me telefone pro Mané do armazém / porque não quero ficar devendo nada a ninguém"). Mas, como alegria de pobre dura pouco, logo o sonhador volta à realidade, acordado pela mulher.

"Acertei no Milhar" tem letra e melodia de Wilson Batista, figurando Geraldo Pereira como parceiro - a pedido de Moreira da Silva - para "trabalhar" a música nas rádios. Na ocasião, Geraldo era um compositor iniciante com apenas um samba gravado

Acertei no milhar (samba, 1940) - Wilson Batista e Geraldo Pereira - Intérprete: Moreira da Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Acertei no milhar / Geraldo Pereira (Compositor) / Wilson Batista, 1913-1968 (Compositor) / Moreira da Silva (Intérprete) / Boêmios da Cidade (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 04/04/1940 / Lançamento: 08/1940 / Nº do Álbum: 11883 / Nº da Matriz: 6332 / Gênero musical: Samba choro / Coleções de origem: IMS, Nirez

Etelvina (o que é, Morengueira?)
                A
Acertei no milhar!
    F#7            Bm                
Ganhei quinhentos contos (milhas), 
      D          C#7   
 não vou mais trabalhar
     Bm7         E7        A   F#7     
você dê toda roupa velha aos pobres
      B7        E7    
e a mobília podemos quebrar

(breque) 

"Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc..."
     D                   A    
Etelvina vai ter outra lua-de-mel
   F#7       Bm        
você vai ser madame
E7            A       F#7         
vai morar num grande hotel
  D          D#O          A       F#7        
eu vou comprar um nome não sei onde
     Bm7      E7         A         
de Marquês Morengueira de Visconde
    Bm7         E7         A     
um professor de francês mon amour
             B7        E7        A    
eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour
      C#7            F#m            
Até que enfim agora sou feliz
         C#7            F#m
vou passear a Europa toda até Paris
      C#7                   F#m
e nossos filhos, oh, que inferno
          G#7           C#7            
eu vou pô-los num colégio interno
               F#m 
me telefone pro Mané do armazém
       C#7             F#m    
porque não quero ficar devendo nada a ninguém
        D7      D#O    A     
e vou comprar um avião azul
  F#m        Bm7      E7         A        
para percorrer a América do Sul
   D                D#O       A    
mas de repente, derrepenguente
     F#7        Bm7        E7     A        
Etelvina me acordou está na hora do batente
          D              D#O  
mas de repente, derrepenguente
(breque)
- Se acorda, vargulino! 
  Saia pela porta de trás que na frente tem gente.
       E7            A      
Foi um sonho, minha gente!               ESTRIBILHO


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

A primeira vez

Alcebíades Barcelos
A Primeira vez (samba/carnaval, 1940) - Alcebíades Barcelos e Armando Marçal - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: A primeira vez / Armando Marçal (Compositor) / Alcebíades Barcelos "Bide", 1902-1975 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 04/11/1939 / Lançamento: 01/1940 / Nº do Álbum: 34544 / Nº da Matriz: 33249-1 / Gênero musical: Samba

Tom: D 

D                     E7
A primeira vez que eu te encontrei
 A7                    D
Alimentei a ilusão de ser feliz
Eu era triste e sorri
F#m
Peguei no pinho e cantei
C#7/F             C#7
Muitos versos eu fiz
A7
Em meu peito guardei
    D    C7     B7
Um dia você partiu
  Em           Gm
Meu pinho emudeceu
    E7              A7        D...
E a minha voz na garganta morreu 

 ...D        C7     B7
Procuro esquecer a dor
     Em
Não sou capaz
    A7          D
Meu violão não toca mais
  Em            A7/E     D       C7  B7
Eu vivo triste       a meditar
     E7
Não canto mais
        A7
Meu consolo é chorar
A interpretação de de João Gilberto:
Introdução:
Bmaj7  G#7/+5  G#m6  F#7/13  Bmaj7  F#7/13

Bmaj7      G#7/+5     C#7/9
A primeira vez que eu te encontrei,
C#m7/G#       F#7/+5 B6/9
Alimentei a ilusão de ser feliz
G#m7              A#7/+5
Eu era triste, sorri
D#m7                 F(b6)/C#
Peguei no pinho e cantei
F7/C             Bdim
Tantos versos eu fiz
C#m7             Em6  Bbdim
Em meu peito guardei
Bmaj7       G#7/+5
Um dia você partiu,
C#m7       Em6
Meu pinho emudeceu
Bbdim   Bmaj7 G#m6      C#7/G#  Gdim B6/9
E a     minha voz na gargan.....ta morreu
Bmaj7              G#7/+5
Procuro esquecer a dor,
C#m7
Não sou capaz,
F#7        F#9/+5     Bmaj7 G#7
Meu violão        não toca  mais
C#m7           Bb7   Ebm7      G#7
Eu vivo triste       a meditar,
C#7/G#       Em6       F#7/+5
Não canto mais, meu consolo é chorar


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.