sexta-feira, 28 de abril de 2006

Acertei no milhar

Um pobretão sonha ter ganho 500 contos de réis no jogo do bicho, quantia fabulosa em 1940, suficiente para comprar três apartamentos de luxo ou cinco casas de dois pavimentos no bairro carioca de Copacabana. Este é o tema de "Acertei no Milhar", um samba-de-breque feito sob medida para o repertório de Moreira da Silva (foto).

Numa letra original e espirituosa, Wilson Batista (na foto ao lado) descreve a alegria do premiado, ressaltando seus planos mirabolantes ( "Eu vou comprar um avião azul / para percorrer a América do Sul"), suas expectativas de ascensão social ("Vou comprar um nome, não sei onde / vou ser barão..."), sem esquecer, porém, os compromissos cotidianos ("Me telefone pro Mané do armazém / porque não quero ficar devendo nada a ninguém"). Mas, como alegria de pobre dura pouco, logo o sonhador volta à realidade, acordado pela mulher.

"Acertei no Milhar" tem letra e melodia de Wilson Batista, figurando Geraldo Pereira como parceiro - a pedido de Moreira da Silva - para "trabalhar" a música nas rádios. Na ocasião, Geraldo era um compositor iniciante com apenas um samba gravado

Acertei no milhar (samba, 1940) - Wilson Batista e Geraldo Pereira

Disco 78 rpm / Título: Acertei no milhar / Autoria: Pereira, Geraldo (Compositor) / Batista, Wilson, 1913-1968 (Compositor) / Silva, Moreira da (Intérprete) / Boêmios da Cidade (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 04/04/1940 / Nº Álbum 11883 / Gênero: Samba choro /
Etelvina (o que é, Morengueira?)
                A
Acertei no milhar!
    F#7            Bm                
Ganhei quinhentos contos (milhas), 
      D          C#7   
 não vou mais trabalhar
     Bm7         E7        A   F#7     
você dê toda roupa velha aos pobres
      B7        E7    
e a mobília podemos quebrar

(breque) 

"Isso é pra já, vamos quebrar. Pam, pam, bum, etc..."
     D                   A    
Etelvina vai ter outra lua-de-mel
   F#7       Bm        
você vai ser madame
E7            A       F#7         
vai morar num grande hotel
  D          D#O          A       F#7        
eu vou comprar um nome não sei onde
     Bm7      E7         A         
de Marquês Morengueira de Visconde
    Bm7         E7         A     
um professor de francês mon amour
             B7        E7        A    
eu vou mudar seu nome pra Madame Pompadour
      C#7            F#m            
Até que enfim agora sou feliz
         C#7            F#m
vou passear a Europa toda até Paris
      C#7                   F#m
e nossos filhos, oh, que inferno
          G#7           C#7            
eu vou pô-los num colégio interno
               F#m 
me telefone pro Mané do armazém
       C#7             F#m    
porque não quero ficar devendo nada a ninguém
        D7      D#O    A     
e vou comprar um avião azul
  F#m        Bm7      E7         A        
para percorrer a América do Sul
   D                D#O       A    
mas de repente, derrepenguente
     F#7        Bm7        E7     A        
Etelvina me acordou está na hora do batente
          D              D#O  
mas de repente, derrepenguente
(breque)
- Se acorda, vargulino! 
  Saia pela porta de trás que na frente tem gente.
       E7            A      
Foi um sonho, minha gente!               ESTRIBILHO


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

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