quinta-feira, 18 de maio de 2006

Sentado à beira do caminho

Um motivo musical muito simples, que se repete monotonamente ao longo de três estrofes, entremeadas por um curto refrão. Com esta estrutura a melancólica balada “Sentado À Beira do Caminho” narra a tragédia de um sujeito que, desprezado pela amada, parece serenamente conformado, sem disposição para reagir: “Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim / estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim / meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste / onde a tristeza e a saudade de você ainda existe...”

E, apesar de afirmar no refrão “Preciso acabar logo com isto / preciso lembrar que eu existo, eu existo, eu existo”, o personagem permanece inerte, lamentando a solidão, até o final da canção.

Na verdade, “Sentado À Beira do Caminho” é uma metáfora que expõe o desengano de Erasmo Carlos ante o fim do movimento Jovem Guarda e o que isso representa para a sua carreira. Esta composição, de retumbante sucesso na voz do próprio Erasmo, tem na melodia certas semelhanças — não tantas quanto achava a cantora Maysa — com “Vaya con Dios”, uma balada americana dos anos cinqüenta (A Canção no Tempo – Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sentado à beira do caminho (balada, 1969)- Erasmo Carlos e Roberto Carlos - Intérprete: Erasmo Carlos.

Compacto duplo / Título da música: Sentado à beira do caminho / Erasmo Carlos (Compositor) / Roberto Carlos (Compositor) / Erasmo Carlos (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1969 / Álbum: 302.0009 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Balada.

G             G6          G  G6     Am   D7  Am  D7
Eu não posso mais ficar aqui,     a esperar
        Am         D7           Am    D7   G G6 G G6
que um dia    de repente você volte para mim
G          G6          G     G6                     
vejo    caminhões e carros apressados,a passar por 
Am  D7  Am  D7
mim
         Am     D7             Am                  
estou sentado à beira de um caminho, que não tem 
      G G6  G G6
mais fim.
 
                 
        G G6                 G G6                 
Meu olhar se perde na poeira,       dessa estrada 
     Am  D7  Am  D7
triste
     Am    D7               Am   D7       (G G6)2x 
onde a tristeza e a saudade de você ainda existe
     G        G6               G7+ G6           
Esse sol que queima no meu rosto,        um resto
    Am        D7      Am   D7
 de esperança
      Am            D7     Am         D7            
de ao menos   ver de perto teu olhar,        que eu 
              G   G6 G7
trago na lembrança
 
Refrão
 
C                  D7              G  G7
        Preciso acabar, logo com isso
C                  D7              G         G6 
        Preciso lembrar, que eu existo, eu existo, 
     D7
eu existo...
 
 
         G   G6            G G6                  
Vem a chuva, molha o meu rosto, então eu choro 
 Am  D7  Am  D7
tanto
           Am          D7           Am  D7
minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
                        G   G6  G  G6
se confundem com meu pranto.
       G     G6             G   G6                
Olho prá mim mesmo, me procuro,      e não encontro 
 Am  D7  Am  D7
nada
         Am     D7           Am  D7              
sou um pobre   resto de esperança, à beira de uma 
    G      G7  
estrada.
 
Refrão
 
       G       G6                          G  G6 
Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo   se 
             Am  D7  Am  D7
confunde em minha mente
         Am        D7               Am D7          
minha sombra me acompanha e vê que eu, estou 
          G     G6   G  G6
morrendo lentamente
 
     G      G6                   G   G6   
Só você não vê que eu não posso mais       
              Am  D7  Am  D7
ficar aqui, sozinho.
     Am            D7             Am  D7        
Esperando a vida inteira por você,       
                    G  G6  G G7
sentado à beira do caminho.
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