sexta-feira, 5 de maio de 2006

Chuvas de Verão

Fernando Lobo
A obra de Fernando Lobo - ex-violinista da legendária Jazz Band Acadêmica de Pernambuco - pertence a uma fase importante da música brasileira, a fase dos sambas-canção de mesa de bar.

Renomado cronista do Rio, Fernando e seus companheiros de boemia, como Ary Barroso e Antônio Maria, colheram inspiração para muitas de suas músicas na efervescente vida noturna que levavam.

Essa vivência boêmia era, pode-se dizer, um prolongamento das atividades jornalísticas, suas e de outras figuras da noite, como Sérgio Porto, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Lúcio Rangel. "Chuvas de Verão" reflete esse clima de confissões que prolongavam ou encerravam romances iniciados no ambiente das boates.

Lançada por Francisco Alves em 1949, talvez jamais se tornasse um clássico (isso era reconhecido pelo próprio Fernando), não fora a versão de Caetano Veloso, quase vinte anos depois. Naturalmente, a beleza da composição sempre existiu, mas Caetano soube aproveitar melhor o clima do rompimento amoroso, com uma delicadeza de tratamento que faltou à gravação original. Composta no modo menor (uma característica dos frevos-de-bloco do Recife, onde nasceu o autor), a canção tem seu momento culminante no verso que repete o título, definindo com lirismo e precisão a transitoriedade dos romances de ocasião.

Chuvas de verão (samba, 1949) - Fernando Lobo

Disco 78 rpm / Título: Chuvas de verão / Autoria: Lobo, Fernando, 1915-1996 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 17/08/1948 / Nº Álbum 12923 / Gênero: Samba canção

Dm        Dm7             Bb7   A7
Podemos ser amigos simplesmente
 Bb7      A7          Dm  Bb7   A7
Coisas do amor, nunca mais
 Dm          Dm/C        Am
Amores do passado, no presente
  E7                        A7
Repetem velhos temas tão banais
Dm             Dm/C           Bb7
Ressentimentos passam como o vento
                 A7
São coisas do momento
    Am            D7
São chuvas de verão
    Am7      D7               Gm
Trazer uma aflição dentro do peito
       C7           F
É dar  vida a um defeito
     E7          A7     Dm
Que se extingue com a razão
C7
Estranha no meu peito
F
Estranha na minha alma
C7
Agora eu tenho calma
F              A7
Não te desejo mais . . . .
Dm            Dm/C            Bb7
Podemos ser amigos, simplesmente
Gm          A7           Dm
Amigos, simplesmente e nada mais.


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
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