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terça-feira, 18 de abril de 2006

Na Pavuna

Henrique Foreis Domingues também conhecido como Almirante (foto) dizia que não chegou a se entusiasmar quando Homero Dornellas lhe mostrou o samba "Na Pavuna", pedindo-lhe para completar a letra e, possivelmente, gravá-lo com o Bando de Tangarás.

Depois, analisando melhor, ele concluiu que, apesar de seu aspecto simplório, a composição prestava-se muito bem para um tipo de acompanhamento, ainda inédito em gravações, e que consistia no uso de muita percussão, com instrumentos utilizados em blocos carnavalescos.

Foi assim que, em clima de grande animação, realizou-se a gravação deste samba com pandeiros, cuícas, tamborins, surdo e ganzá, percutidos por componentes de escolas de samba, gente que entendia do assunto.

O amplo sucesso de "Na Pavuna", a preferida do público no Carnaval de 30, veio provar que Almirante tinha razão ao levar para o estúdio aqueles instrumentos que, a partir daí, tiveram lugar certo nas orquestras brasileiras. O disco derrubou ainda um tabu, existente na época, de que o som de surdos e tamborins "sujava" as gravações. Detalhe curioso: "Na Pavuna" está classificado no selo do disco como "choro de rua no Carnaval".

Na Pavuna (samba/carnaval - 1930) - Almirante e Homero Dornellas - Intérpretes: Almirante e Bando de Tangarás

Disco 78 rpm / Título da música: Na Pavuna / Almirante (Compositor) / Homero Dornellas (Compositor) / Almirante (Intérprete) / Bando de Tangarás (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Nº do Álbum: 13089 / Nº da Matriz: 3179 / Gravação: 30/11/1929 / Lançamento: Janeiro/1930 / Gênero musical: Choro de Rua no Carnaval / Coleções: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


D
Na Pavuna, bum, bum, bum
Na Pavuna, bum, bum, bum
------------------------B7- E7- A7- D
Tem um samba, que só dá gente reiúna
-------------B7---- E7---- A7------ D
O malandro que só canta com harmonia
--------------B7----- E7------- A7-- D---- D7
Quando está metido em samba de arrelia
---------G --------Gm---- D-------- B7
Faz batuque assim no seu tamborim
---------E7---- A7 --------D -------D7
Com o seu time enfezando o batedor
----------G ------Gm------ D------- B7
E grita a negrada vem pra batucada
------------E7-------- A7----------- D
Que de samba na Pavuna tem doutor

----------B7-------- E7 -----A7------ D
Na Pavuna tem escola para o samba
----------------B7------- E7--- A7-- D--- D7
Quem não passa pela escola não é bamba
------G------ Gm------- D----- B7
Na Pavuna tem canjerê também
------------E7------------- A7-------- D--- D7
Tem macumba, tem mandinga e candomblé
-----G-------- Gm------ D------ B7
Gente da Pavuna só nasce turuna
--------E7------ A7----------------

É por isso que lá não nasce "mulhé"


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS.

sexta-feira, 31 de março de 2006

Homero Dornellas

Homero Dornellas, compositor, instrumento e professor nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 14/12/1901 e faleceu em 28/12/1990. Filho do maestro Sofonias Dornellas, estudou piano e teoria musical com o pai e uma tia, dos sete aos 14 anos.

Em 1916 ingressou no I.N.M., do Rio de Janeiro, na classe de Frederico Nascimento, cursando teoria, solfejo e física acústica. Cinco anos depois, abandonou o piano para dedicar-se exclusivamente ao violoncelo, estudando com Eurico Costa. Foi também aluno de harmonia de Nevvton Pádua e Paulo Silva, e de composição de Lorenzo Fernandez.

Em 1923 passou a atuar como violoncelista em diversos conjuntos sinfônicos e camerísticos, como o da Sociedade de Concertos Sinfônicos, Orquestra Arcângelo Corelli e Orquestra do I.N.M. Paralelamente, tocava em cinemas, acompanhando filmes mudos, em teatros de revista, restaurantes, serviços religiosos e em circos, o que deu origem à sua ligação com a música popular.

Data de 1923 sua primeira composição, Parisete, feita em parceria com o pai, que usava o pseudônimo de Sallendor. Em 1926 passou a se dedicar a composições populares, escrevendo sambas, marchas carnavalescas e foxes, sendo, inclusive, convidado, dois anos depois, para supervisionar e revisar os trabalhos de orquestração, arranjo e harmonização de músicas para o Carnaval na Casa Vieira Machado.

Como compositor popular adotou o pseudônimo de Candoca da Anunciação, consagrando-se definitivamente em 1929 com o samba Na Pavuna (com Almirante), que foi grande sucesso no Carnaval de 1930. Lançado pela Parlophon com Almirante e o Bando de Tangarás, Na Pavuna foi o primeiro disco a reproduzir uma batucada, em estúdio, com instrumental de percussão semelhante ao usado nas ruas durante o Carnaval.

Três anos depois, a convite de Villa-Lobos, passou a trabalhar no SEMA, e em 1939 ingressou, por concurso, na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Dois anos depois, licenciou-se dessa orquestra, transferindo-se para a Sinfônica Brasileira, a chamado de Eugen Szenkar, e em 1941 foi contratado como músico instrumentista da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro. No ano seguinte foi nomeado professor de canto orfeônico e matérias teóricas do Colégio Pedro II.

Deixou o SEMA em 1959 e a Rádio Nacional cinco anos depois, parando de lecionar no Pedro II em 1972. Publicou Orquestras em desfile, Rio de Janeiro, 1974 (que dá relação nominal dos músicos que integraram os diversos conjuntos atuantes no Rio de Janeiro de 1894 a 1974). Em sua carreira, usou ainda dos pseudônimos Romeoh Sallendor, Sallendor Filho e My Self.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.