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sábado, 8 de setembro de 2007

Pesadelo


Pesadelo (1972) - Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte - Intérprete: MPB-4

LP MPB 4 - Cicatrizes / Título da música: Pesadelo / Maurício Tapajós (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Mauro Duarte (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1972 / Nº Álbum: 6349 056 / Lado B / Faixa 2.
Tom: G

D7/9
Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, 
olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando

Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã

  C7/9
O braço do Cristo, horizonte
                   Bb7/9  D7/9
Abraça o dia de amanhã, olha aí

Não demore


Não Demore (samba, 1976) - Eduardo Gudin, Roberto Riberti e Paulo César Pinheiro - Intérprete: MPB-4

LP MPB 4 - Canto Dos Homens / Título da música: Não Demore / Eduardo Gudin (Compositor) / Roberto Riberti (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1976 / Nº Álbum: 6349 311 / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: samba.



Mas não demore pra voltar, oh não!
Há muito tempo que eu não sou feliz
Tire este peso do meu coração
Corte este mal pra não criar raiz
Eu tenho o peito cheio de perdão
Mas não demore pra voltar, oh não!

Acho que tudo que eu tinha que fazer, eu fiz
Volta que eu estou precisando de consolação
Do jeito que eu tenho andado demais infeliz
Eu posso até relevar a sua ingratidão
Mas oh! não demore pra voltar oh não!
Mas oh!não demore pra voltar oh não!

Mordaça


Mordaça (1974) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérprete: MPB-4

LP MPB 4 - Palhaços & Reis / Título da música: Mordaça / Eduardo Gudin (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1974 / Nº Álbum: 6349 125 / Lado A / Faixa 3.


Tom: G

(intro) Em

F#m5-/7              B7   Em7/9    Em/D
Tudo o que mais nos uniu separou
C7+             B7      Em7/9    Em/D
Tudo que tudo exigiu renegou
C#m5-/7                   F#7    Bm    Bm/A
Da mesma forma que quis recusou
       G7+             F#7           B4/7      B7
O que torna essa luta impossível e passiva
          Am/C               B7    Em7/9   Em/D
O mesmo alento que nos conduziu debandou
C7+              B7       Em7/9   Em/D
Tudo que tudo assumiu desandou
C#m5-/7         F#7      G
Tudo que se construiu desabou

               G6      F#7      B7/4   B7
O que faz invencível a ação negativa
   Dm7                          G7      C7/9+    C7
É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Am5-/7           D7      G7+      G6
Pois tudo é instável e irregular
F#m5-/7          B7
E de repente o furor volta
Em         Em/D
O interior todo se revolta
C7+                    B7   Em
E faz nossa força se agi...gantar
                 F#m5-/7    B7        C7+
Mas só se a vida fluir         sem se opor
                 F#m5-/7    B7      Em/B   C7+  C#m5-/7   Em/D
Mas só se o tempo seguir     sem se impor
C#m5-/7            F#7     G7+
Mas só se for seja lá como for
     C#m5-/7                 F#7       B4/7     B7
O importante é que a nossa emoção sobreviva
       Dm7                   G7     C7+
E a felicidade amordace essa dor secular
    Am5-/7     D7        G7+          G6
Pois tudo no fundo é tão singular
F#m5-/7           B7
É resistir ao inexorável
Em               Em/D
O coração fica insuperável
  C7+              B7  Em7/9     Em/D
E pode em vida imortalizar
Am                      B7
E de repente o furor volta
Em7/9               Em7
     O interior todo se revolta
C7+             B7       Em7/9
E faz nossa força se agigantar

domingo, 29 de outubro de 2006

MPB-4


Rui Alexandre Faria, nascido em Cambuci, em 1938, Milton Lima dos Santos Filho, de Campos, 1944, Antônio José Waghabi Filho, de Itaocara, 1945, e Aquiles Rique Reis, de Niterói, 1949, todas cidades do Estado do Rio de Janeiro, formam o mais antigo conjunto de que se tenha notícia, no mundo, a manter, desde a criação, os mesmos integrantes.

Rui, Miltinho e Aquiles criaram o grupo em 1962, em Niterói, e a eles juntou-se, em seguida, Waghabi - que, pelo tipo físico, tinha o apelido de Magro, que mantém ainda hoje. No início, eram o Quarteto do CPC, pois apresentavam-se nos espetáculos promovidos pelo Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes.

Foi Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que os batizou de MPB-4 - e nascia, aí, a sigla MPB, para designar aquele tipo de música popular brasileira voltada para a história urbana da constituição da música popular.

O primeiro disco, um compacto - aqueles disquinhos com uma música de cada lado - saiu em 1964. No ano seguinte eles juntaram as quatro vozes com as das meninas baianas, descobertas por Aloísio de Oliveira, do Quarteto em Cy, num espetáculo montado em São Paulo por Chico de Assis.

Chico de Assis foi um dos incentivadores do jovem Chico Buarque de Hollanda e entra nessa história não só por haver aproximado o xará Buarque do MPB-4 quanto por haver dado o ultimato aos meninos fluminenses: ou vocês largam a faculdade e resolvem fazer música profissionalmente, em tempo integral, ou é melhor desistir. Eles largaram a faculdade, depois de uma reunião - que varou a noite - realizada ali no então célebre bar Redondo, na Av. Ipiranga, em São Paulo.

Começava uma das histórias mais bonitas e íntegras da canção brasileira. Com uma formação de extrema simplicidade - o violão de Miltinho, a tumbadora do Magro, um eventual chocalho de Aquiles e a voz de Rui (inicialmente era só isso), o grupo alcançou um grau de sofisticação que poucas vezes um quarteto vocal conseguiu.

O uníssono é perfeito, as vocalizações (quase sempre escritas por Magro) mudaram o conceito de arranjo vocal e ainda hoje constituem a fórmula em que se baseiam os arranjos vocais. Trabalharam - em shows, peças de teatro, comícios, ou que manifestação tenha sido importante para nossa história recente - com os maiores artistas de seu tempo (houve época em que Chico Buarque não entrava em palco sem eles) e o conjunto de seus discos memoráveis forma uma antologia do que melhor se produziu na MPB - afinal, eles são homônimos da sigla e de certa forma responsáveis por ela - nos últimos 40 anos.


Mauro Dias / MPB ESPECIAL / 4/6/1973

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Última forma


Última Forma (bolero, 1972) - Baden Powell e Paulo César Pinheiro - Interpretação: MPB-4

LP Cicatrizes / Título da música: Última Forma / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Baden Powell (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1972 / Nº Álbum: 6349 056 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Bolero.


Intro: F6/9 C7/9

F7+ F6      Bm5-/7 E7       Am7/9 Am7
É, como eu falei    não ia durar
            Cm7      C#7           G7/9
Eu bem que avisei, pois é, vai desmoronar
                          A#7+
Hoje ou amanhã um vai se curvar
           Am7            Am6
E graças a Deus, não vai ser eu quem vai mudar
      A5+/7
Você perdeu
Gm7 C7/9          Gm7   C7                  Am7  C7/9-
E sabendo com quem eu lidei não vou me prejudicar
     Cm          D7                     G7/9 Gm7/9
Nem sofrer, nem chorar, nem vou voltar atrás
              A#7+                          A7
Estou no meu lugar, não há razão pra se ter paz
            D5+/7               G7/9
Com quem só quis rasgar o meu cartaz
            C7             C5+/7 F7+
E agora pra mim você não é nada mais
          Bm5-/7 E7      Am7
E qualquer um pode se enganar
          D#º       D7              G7/9
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
                    A#7+                      A7
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar
        D5+/7         G7/9
Porém pra mim você morreu
           C7                F7+
Você foi castigo que Deus me deu
      E7      Am7 Am6   F7+     E7     Am7  A7
Não saberei jamais    se você mereceu perdão
Cm7           D5+/7 Gm7 Gm6  D#7+    D5+/7    Gm7
Porque eu não sou capaz   de esquecer uma ingratidão
           C5+/7  F7+
E você foi uma a mais
          E7            Am7
E qualquer um pode se enganar
          D#º       D5+/7          G7/9 Gm7/9
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
                    A#7+                     A7
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar
  D5+/7              G7/9
Porém pra mim você morreu
           C5+/7             F7+
Você foi castigo que Deus me deu
        E7      Cm     D5+/7          G7/9
E como sempre se faz, aquele abraço, adeus
C7           F7+
E até nunca mais

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Vira virou

Depois de um giro de dois meses pela Europa, encerrado em Portugal, Kleiton, o mais velho dos irmãos Ramil (sendo os demais Kledir e Vitor), compôs um fado, a pedido de uma cantora portuguesa. A composição, na concepção de Kleiton, era na verdade algo assim “que mais se aproximava de um fado”. Ou “um fado brasileiro”, como o classificou tempos depois o cantor luso Carlos do Carmo.

Criada a espinha dorsal da música, Kleiton procurou injetar na letra uma dose positiva da fraternidade que tanto o sensibilizara no contato com os portugueses. Prometia ainda, em retribuição a esse sentimento, levar a Portugal um pouco de terra do Brasil: “Vou voltar na primavera / e era tudo o que eu queria / levo terra nova daqui / quero ver o passaredo / pelos portos de Lisboa //! Voa, voa que eu chego já...”

Na melodia em compasso ternário, sintomático da origem gaúcha do autor, ele utiliza notas longas, harmonizadas com acordes diferentes: “Ah! Vira virou / meu coração navegado-o-o-or / Ah! Gira girou / essa gale-e-e-era...”

Em razão do processo de abertura, que começava a ser vivido no Brasil, esse refrão acabou ganhando uma conotação político-libertária, reforçada pela interpretação do MPB-4, o primeiro a gravá-lo. Além da canção e do disco, houve um show homônimo do quarteto, que incluiu a participação de Kleiton e Kledir. Assim, depois de “Vira Virou”, a dupla gaúcha foi ganhando espaço no meio musical, logrando vários sucessos como “Paixão”, “Deu pra Ti” e “Tô que Tô”, este na voz de Simone.

Nenhum porém mais expressivo do que “Vira Virou”, que é muito cantado no exterior, principalmente por corais, tendo gravações de Mercedes Sosa e Eugênia Mello e Castro, a cantora portuguesa que pedira um fado a Kleiton Ramil (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Vira Virou (fado, 1980) - Kleiton Ramil - Interpretação: MPB-4

LP Vira Virou / Título da música: Vira Virou / Kleiton Ramil (Compositor) / MPB-4 (Intérprete) / Gravadora: Ariola / Ano: 1980 / Nº Álbum: 201.604 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Fado.



Interpretação de Kleiton, Kledir e Ivan Lins: LP Kleiton & Kledir / Gravadora: Ariola / Nº Álbum: 201.611 / Ano: 1980 / Kleiton & Kledir (Interpretação) / Ivan Lins (Interpretação) / Gênero musical: Fado.


Tom: G
(intro)  Em  C  D  G  B7  C  D  G  Em  C  B7  C7+  B7  C  D  G

Em                      C
     Vou voltar na primavera
 D                        G
     e  era tudo que eu queria
B7        C      D     G
     Levo  terra  nova daqui
Em                  C
     Quero ver o passaredo
D                      G
     pelos portos de Lisboa
B7       C          D          G
     Voa,  voa que   eu chego   já
Em                          C
     Ai, se alguém segura o  leme
B7                    Em
     Dessa  nave incandescente
B7/D#                    C
     Que incendeia a minha   vida
D                     G
     Que era viajante lenta
Em                    C
     Tão faminta da alegria
B7                     C7
     Hoje é porto de partida.
G        D       Em    Em/D   A/C#   C     D
     Ah!  Vira, virou   meu coração  navegador
C7    B7         Em  Em/D      D G
     Ah!  gira,  girou     essa  galera