sexta-feira, 5 de maio de 2006

Mangaratiba

Em 1949, durante passagem pela cidade fluminense de Mangaratiba, Luiz Gonzaga se encantou pelas belezas naturais e por mulheres como Zazá, Carime, Ivete, Ana Maria e Leni. A admiração serviu de inspiração para o xote que leva o mesmo nome da cidade (Fonte: Belezas de cidade fluminense levaram o Rei do Baião a gravar xote 'Mangaratiba' - Portal EBC).

Mangaratiba (xote, 1949) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérprete: Luiz Gonzaga

Disco 78 rpm / Título da música: Mangaratiba / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 07/06/1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do Álbum: 80-0604 / Nº da Matriz: S-078888-1 / Gênero musical: Chótis

Tom: C

   G
Ôi, lá vem o trem rodanda estrada arriba
Pronde é que ele vai?
Mangaratiba! Mangaratiba! Mangaratiba!
        F                       C
Adeus Pati, Araruama e Guaratiba
               G                    C
Vou pra Ibacanhema, vou até Mangaratiba!
        F                           C
Adeus Alegre, Paquetá, adeus Guaíba
              F                      C
Meu fim de semana vai ser em Mangaratiba!
C7
Oh! Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
             C
Mangaratiba!
Lá tem banana, tem palmito e tem caqui
E quando faz liar, tem violão e parati
          C7                     F
O mar é belo, lembra o seio de Ceci
                C              G            C
Arfando com ternura, junto à praia de Anguiti
C7
Oh! Mangarati, Mangarati, Mangaratiba!
             C
Mangaratiba!
Lá tem garotas tão bonitas como aqui:
Zazá, Carime, Ivete, Ana Maria e Leni
       C7                       F
Amada vila junto ao mar de Sepetiba
                C             G
Recebe o meu abraço, sou teu fã
        C
Mangaratiba!
 F                   C7
Mangaratiba! Mangaratiba!


Fontes: Belezas de cidade fluminense levaram o Rei do Baião a gravar xote 'Mangaratiba' - Portal EBC; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Juazeiro

Luiz Gonzaga
Como "Asa branca", "Juazeiro" é um tema popular adaptado por Luiz Gonzaga e Humberto teixeira. Simples, ingênua e de muito bom gosto, a letra (de Teixeira) transmite o lamento de um sertanejo, abandonado pela amada, que interroga a árvore, testemunha de seu amor: "Juazeiro seje franco ! ela tem um novo amô? / se não tem por que tu chora? / solidário à minha dô...".

O verbo "roer", que aparece em dois versos da canção, é muito usado no Nordeste com o significado de "remoer uma dor de cotovelo". Já a melodia aproxima-se do blues, com a sétima bemolizada - tão presente na música nordestina - e sua constante busca pela tônica.

Um clássico de nossa música popular, "Juazeiro" foi gravado indevidamente nos Estados Unidos, (segundo Humberto Teixeira) com título diferente e letra da cantora Peggy Lee, que alegou desconhecer a origem brasileira da composição. O fato repetiu em condições idênticas na França, onde transformou-se em "Le Voyageur".

Juazeiro (baião, 1949) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Juazeiro / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 07/06/1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do Álbum: 80-0605 / Nº da Matriz: S-078889-1 / Gênero musical: Baião

C7
Juazeiro, Juazeiro,
Me arresponda por favor
Juazeiro velho amigo
Onde anda meu amor?

F7     C7
Ai, Juazeiro
    G7            C7
Ela nunca mais voltou
F7      C7
Diz, Juazeiro
     G7        C7
Onde anda meu amor?

Juazeiro não te alembra
Quando nosso amor nasceu
Toda tarde a tua sombra
Conversava ela e eu

Ai, Juazeiro
Como dói a minha dô
Diz, Juazeiro
Onde anda o meu amô?

Juazeiro seja franco
Ela tem um novo amor?
Se não tem porque tu choras
Solidário a minha dor?

Ai, Juazeiro
Não me deixe assim doer
Ai, Juazeiro
Tô cansado de sofrer

Juazeiro meu destino
Tá ligado junto ao teu
No teu tronco tem dois nomes
Ela mesma é que escreveu

Ai, Juazeiro
Eu não guento mais doer
Ai, Juazeiro
Eu prefiro inté morrer


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Lorota Boa

Lorota boa (polca, 1949) - Luiz Gonzaga e Humberto teixeira - Intérprete: Luiz Gonzaga

Disco 78 rpm / Título da música: Lorota boa / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 07/06/1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do Álbum: 80-0604 / Nº da Matriz: S-078887-1 / Gênero musical: Polca

C                    G                      C
Dei u'a carrera num cabra qui mexeu c'a Maroquinha
                  G                   C
Cumeçou na Mata Grande e acabou na Lagoinha!
                   Dm7                      C
Curri mais de sete légua, carregado cumo eu vinha
                 G                         C
Pois trazia na cabeça um balaio cheio de galinha
F   G   C
Oh, oh, oh! (2x)
       G                C
Qui mintira qui lorota boa (2x)
C                    G                    C
Certa noite muito escura atirei de brincadeira
                    G                     C
Espaiei dezesseis chumbo cum a minha atiradeira
                 Dm7                       C
No momento ia passando quinze patos no terreiro
                G                         C
Qui cairam fulminado, oi qui tiro mais certeiro
F   G   C
Oh, oh, oh! (2x)
       G                C
Qui mintira qui lorota boa (2x)
C                  G                    C
Uma coisa aqui no Rio qui me chamou atenção
                G                     C
Foi ver a facilidade qui se toma condução
                 Dm7                        C
Todo mundo confortave, seja em trem ou gostosão
                  G                           C
E os tais de trocadores, qui amáveis que eles são
F   G   C
Oh, oh, oh! (2x)
       G                C
Qui mintira qui lorota boa (2x)
C                    G                        C
Vou contar agora um caso qui astur dia assucedeu
                    G                       C
Minha sogra tá de prova que tal fato aconteceu
              Dm7                 C
Uma cobra venenosa viu a véia e mordeu
                      G                        C
Mais inveis da minha sogra foi a cobra que morreu
F   G   C
Oh, oh, oh! (2x)
       G                C
Qui mintira qui lorota boa (2x)
C                 G                         C
O meu primo Zé Potoca mente tanto qui faiz dó
                    G                     C
Me contou qui pegou água, inrolô e deu um nó
                   Dm7                        C
Qui mintira mais danada, qui conversa mais à toa
                    G                    C
Dá nó n'água né pussive, é lorota e das boa
F   G   C
Oh, oh, oh! (2x)
       G                C
Qui mintira qui lorota boa (2x)


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Chuvas de Verão

Fernando Lobo
A obra de Fernando Lobo - ex-violinista da legendária Jazz Band Acadêmica de Pernambuco - pertence a uma fase importante da música brasileira, a fase dos sambas-canção de mesa de bar.

Renomado cronista do Rio, Fernando e seus companheiros de boemia, como Ary Barroso e Antônio Maria, colheram inspiração para muitas de suas músicas na efervescente vida noturna que levavam.

Essa vivência boêmia era, pode-se dizer, um prolongamento das atividades jornalísticas, suas e de outras figuras da noite, como Sérgio Porto, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Lúcio Rangel. "Chuvas de Verão" reflete esse clima de confissões que prolongavam ou encerravam romances iniciados no ambiente das boates.

Lançada por Francisco Alves em 1949, talvez jamais se tornasse um clássico (isso era reconhecido pelo próprio Fernando), não fora a versão de Caetano Veloso, quase vinte anos depois. Naturalmente, a beleza da composição sempre existiu, mas Caetano soube aproveitar melhor o clima do rompimento amoroso, com uma delicadeza de tratamento que faltou à gravação original. Composta no modo menor (uma característica dos frevos-de-bloco do Recife, onde nasceu o autor), a canção tem seu momento culminante no verso que repete o título, definindo com lirismo e precisão a transitoriedade dos romances de ocasião.

Chuvas de verão (samba, 1949) - Fernando Lobo - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título damúsica: Chuvas de verão / Fernando Lobo, 1915-1996 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Lírio Panicali [Direção], Orquestra Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 17/08/1948 / Lançamento: 03/1949 / Nº do Álbum: 12923 / Nº da Matriz: 8399-2 / Gênero musical: Samba canção / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi, IMS D

Dm        Dm7             Bb7   A7
Podemos ser amigos simplesmente
 Bb7      A7          Dm  Bb7   A7
Coisas do amor, nunca mais
 Dm          Dm/C        Am
Amores do passado, no presente
  E7                        A7
Repetem velhos temas tão banais
Dm             Dm/C           Bb7
Ressentimentos passam como o vento
                 A7
São coisas do momento
    Am            D7
São chuvas de verão
    Am7      D7               Gm
Trazer uma aflição dentro do peito
       C7           F
É dar  vida a um defeito
     E7          A7     Dm
Que se extingue com a razão
C7
Estranha no meu peito
F
Estranha na minha alma
C7
Agora eu tenho calma
F              A7
Não te desejo mais . . . .
Dm            Dm/C            Bb7
Podemos ser amigos, simplesmente
Gm          A7           Dm
Amigos, simplesmente e nada mais.


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.