Bicharada (baião, 1951) - Djalma Ferreira (lançado em 1945) - Intérpretes: Djalma Ferreira e Seus Milionários do Ritmo
Deliciosa onomatopeia produzida pelo instrumento do Djalma e do pessoal do acompanhamento. É incrível escutar os "sons dos bichos" neste baião tão criativo, tão original. Muito bom ouvir a autêntica e boa música popular de um Brasil de outra época...
Disco 78 rpm / Título da música: Bicharada / Djalma Ferreira (Compositor) / Djalma Ferreira (Intérprete) / Seus Milionários do Ritmo (Intérprete) / Gravadora: Continental / Gravação: 27/03/1951 / Lançamento: 05/1951 / Nº do álbum: 16384 / Nº da matriz: 2602 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Estrada de Canindé / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 20/12/1950 / Lançamento: 03/1951 / Nº do álbum: 80-0744 / Nº da matriz: 092815 / Gênero musical: Toada baião
DEm7
Ai, ai, que bom
A7D
Que bom, que bom que é
D7G
Uma estrada e uma cabocla
A7D
Uma gente andando a pé
DEm7
Ai, ai, que bom
A7D
Que bom, que bom que é
D7G
Uma estrada e a lua branca
A7D
No sertão de Canindé
DCD
Automóve lá nem se sabe
G/DGm/D
Se é homem ou se é muié
DCDCD
Quem é rico anda em burrico
GADA7
Quem é pobre anda a pé
DA/C#BmD/A
Mas o pobre vê nas estrada
C7B7Em
O orvaio beijando as flor
Em7A7
Vê de perto o galo campina
Em7A7DA7
Que quando canta muda de cor
DA/C#Bm7Bm7Bbm7
Vai moiando os pé nos riacho
Am7D7G
Que água fresca, nosso senhor
Gm7C7F#m7
Vai oiando, coisa a granel
B7E7
Coisas que pra mode ver
A7D
O cristão tem que andar a pé
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Delicado (baião, 1951) - Waldir Azevedo - Interpretação: Waldir Azevedo e Seu Conjunto
Disco 78 rpm / Título da música: Delicado / Waldir Azevedo (Compositor) / Waldir Azevedo e Seu Conjunto (Intérprete) / Gravadora: Continental / Gravação: 1950 / Lançamento: 11/1950 / Nº do álbum: 16314 / Nº da matriz: 2391 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez
Querendo um baiãozinho / Que seja bem gostosinho Que seja delicadinho / Escute com atenção Aqui está o baião / Falando ao coração
Veja / como ele é tão delicado Faz até pensar / No amor que ficou no passado Eu sei / Que o mundo inteiro vai me dar razão Pois / Levo a consolação do tal amor O qual alguém perdeu outrora / Que o baião vai lembrar agora O nome sempre varia / Pra uns o nome é Maria / Glorinha, Rute ou Aurora
A todos / O nome é inesquecível Esta é a verdade / Embora pareça incrível Eu provo / E todos vivem sempre a esconder
Ouça / O que o amor pode fazer Faz gemer assim / Ui, ui, ui, ui, ui / Ai, ai, ai, ai, ai Ninguém / Deve esconder muito a sua dor Porque / Assim mais cresce ainda o mal do amor
Fingir / Que é feliz é uma ilusão Só magoa o coração / Faça sempre assim Ui, ui, ui, ui, ui / Ai, ai, ai, ai, ai / Verás que é mais gozado E quando terminado / Virá pedir outro baião.
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Adeus Maria Fulô / Humberto Teixeira (Compositor) / Sivuca (Compositor) / Carmélia Alves (Intérprete) / Jimmy Lester (Intérprete) / Sivuca (Acordeon) e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1951 / Lançamento: 07/1951 / Nº do álbum: 16436 / Nº da matriz: 2609 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: Nirez
Incansável na renovação de seu repertório, Luiz Gonzaga chegaria a gravar durante o ano nada menos de vinte composições, sendo oito delas com Humberto teixeira e sete com o novo parceiro, Zé Dantas. De todas essas músicas, mereceu destaque especial o baião "Qui Nem Jiló", um dos melhores da dupla Gonzaga-Teixeira.
Refletindo sinais da integração do gênero ao meio urbano, "Qui Nem Jiló" tem melodia mais elaborada do que a maioria dos baiões, em nada lembrando as primitivas cantigas sertanejas.
Qui nem jiló (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérpretes: Marlene e Os Cariocas
Disco 78 rpm / Título da música: Qui nem jiló / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Marlene (Intérprete) / Os Cariocas (Intérprete) / Orquestra Tabajara de Severino Araújo (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do álbum: 16125 / Nº da matriz: 2167 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez
Introdução: G - C# - F#m - B7 - Em - G - A - DDC#
Se a gente lembrar só por
F#mA7
Lembrar
DE
O amor que agente um dia
AA7
Perdeu
GC#F#m
Saudade inté que assim é bom
B7Em
Pro cabra se convencer
AD
Que é feliz sem saber
A
Pois não sofreu
DC#F#mA
Porém se a gente vive a sonhar
DE
Com alguém que se deseja
AA7
Rever
GC#F#m
Saudade intonce aí é ruim
B7Em
Eu tiro isso por mim
GAD
Que vivo doido a sofrer
A
Ai quem me dera voltar
D
Pros braços do meu xodó
A
Saudade assim faz roer
D
E amarga que nem jiló
A
Mas ninguém pode dizer
DD7
Que me viu triste a chorar
GA
Saudade, o meu remédio é
DD7
Cantar
GA
Saudade, o meu remédio é
D
Cantar
Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
Disco 78 rpm / Título da música: Pé de manacá / Hervê Cordovil (Compositor) / Mariza Pinto Coelho (Compositora) / Hervê Cordovil (Intérprete) / Isaura Garcia (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 22/06/1950 / Lançamento: 09/1950 / Nº do álbum: 80-0686 / Nº da matriz: S-092695 / Gênero musical: Baião
--------------------------C --------------F -----------C
Lá de trás daquele morro / tem um pé de manacá. --------------G7---------- C -------G7
Nóis vai casá e vai prá lá / Cê qué? -------------------E7 -------------------Am
Eu quero te beijá / eu quero te agradá, -------------------G-------------- C -------G7
eu quero me casá e te levá prá lá / Cê vai? ----------------------E7--------------- Am
Eu panho toda a flor do pé de manacá ------------------G-------------- C -------G7---- C
e faço uma coroa prá te enfeitá / Cê qué?
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Em 1929, a Aliança Liberal - coligação oposicionista formada por políticos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba - lançou as candidaturas de Getúlio Vargas, presidente do Rio Grande do Sul, à presidência da República e de João Pessoa de Queiroz, presidente da Paraíba, a vice-presidente (na época, os governadores de estado eram chamados presidentes).
Essa coligação, derrotada nas urnas pelo situacionista Júlio Prestes, seria o embrião das forças que deflagrariam a Revolução de 30, movimento vitorioso que mudou o curso de nossa história. O atrevimento da pequena Paraíba, participando valentemente desses acontecimentos, inspirou a expressão "Paraíba mulher macho, sim senhor", aproveitada vinte anos depois por Luiz Gonzaga e Humberto teixeira num jingle político, logo transformado no baião "Paraíba".
Só que, esquecida a origem, a expressão foi tomada ao pé-da-letra pela malícia popular, que a vinculou ao homossexualismo feminino - "Quando lama virou pedra / e mandacaru secou / quando ribaçã de sede / bateu asas e voou / foi aí que eu vim-me embora / carregando a minha dô / hoje eu mando um abraço pra ti pequenina / Paraíba masculina, muié macho, sim Sinhô".
Na segunda parte, o verso "Eta, pau Pereira em Princesa já roncou" é uma referência ao coronel José Pereira e à Revolta de Princesa, uma rebelião por ele comandada, em junho de 1930, contra o governo de João Pessoa. Zé Pereira chegou a proclamar a independência do município de Princesa no Decreto n° 1 de seu governo... Lançada por Emilinha Borba em março de 50 (Luiz Gonzaga só a gravaria em 52), "Paraíba" é um dos maiores sucessos de sua carreira.
Paraíba (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérpretes: Emilinha Borba e os Boêmios
Disco 78 rpm / Título da música: Paraíba / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Emilinha Borba (Intérprete) / Os Boêmios (Intérprete) / Canhoto (Waldiro Tramontano, 1908-1987) e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 01/03/1950 / Lançamento: 03/1950 / Nº do álbum: 16187 / Nº da matriz: 2256 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez
G
Quando a lama virou pedra
Am
E Mandacaru secou
D7
Quando o Ribação de sede
G
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
C
Carregando a minha dor
Cm
Hoje eu mando um abraço
G
Pra ti pequenina
Am
Paraíba masculina,
D7G
Muié macho, sim sinhô
G
Eita pau pereira
Am
Que em princesa já roncou
D7
Eita Paraíba
G
Muié macho sim sinhô
Eita pau pereira
C
Meu bodoque não quebrou
Cm
Hoje eu mando
G
Um abraço pra ti pequenina
Am
Paraíba masculina,
D7G
Muié macho, sim sinhô
G
Quando a lama virou pedra
Am
E Mandacaru secou
D7
Quando arribação de sede
G
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
C
Carregando a minha dor
Cm
Hoje eu mando um abraço
G
Pra ti pequenina
Am
Paraíba masculina,
D7G
Muié macho, sim sinhô
Eita, eita
C7
Muié macho sim sinhô
Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
Disco 78 rpm / Título da música: Baião de dois / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Quatro Ases e Um Coringa (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 10/07/1950 / Lançamento: 10/1950 / Nº do álbum: 80-0698 / Nº da matriz: S-092731 / Gênero musical: Baião
Abdom que moda é essa Deixa quente a colher?
Homem não vai na cozinha Que é lugar só de mulher
Vou juntar feijão de corda Numa panela de arroz
Abdom vai já pra sala Que hoje tem baião de dois
Ai, ai, ai Ai baião que bom tu sois
O baião é bom sozinho Que dirá baião de dois
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Como "Asa branca", "Juazeiro" é um tema popular adaptado por Luiz Gonzaga e Humberto teixeira. Simples, ingênua e de muito bom gosto, a letra (de Teixeira) transmite o lamento de um sertanejo, abandonado pela amada, que interroga a árvore, testemunha de seu amor: "Juazeiro seje franco ! ela tem um novo amô? / se não tem por que tu chora? / solidário à minha dô...".
O verbo "roer", que aparece em dois versos da canção, é muito usado no Nordeste com o significado de "remoer uma dor de cotovelo". Já a melodia aproxima-se do blues, com a sétima bemolizada - tão presente na música nordestina - e sua constante busca pela tônica.
Um clássico de nossa música popular, "Juazeiro" foi gravado indevidamente nos Estados Unidos, (segundo Humberto Teixeira) com título diferente e letra da cantora Peggy Lee, que alegou desconhecer a origem brasileira da composição. O fato repetiu em condições idênticas na França, onde transformou-se em "Le Voyageur".
Juazeiro (baião, 1949) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
Disco 78 rpm / Título da música: Juazeiro / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 07/06/1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do Álbum: 80-0605 / Nº da Matriz: S-078889-1 / Gênero musical: Baião
C7
Juazeiro, Juazeiro,
Me arresponda por favor
Juazeiro velho amigo
Onde anda meu amor?
F7 C7
Ai, Juazeiro
G7 C7
Ela nunca mais voltou
F7 C7
Diz, Juazeiro
G7 C7
Onde anda meu amor?
Juazeiro não te alembra
Quando nosso amor nasceu
Toda tarde a tua sombra
Conversava ela e eu
Ai, Juazeiro
Como dói a minha dô
Diz, Juazeiro
Onde anda o meu amô?
Juazeiro seja franco
Ela tem um novo amor?
Se não tem porque tu choras
Solidário a minha dor?
Ai, Juazeiro
Não me deixe assim doer
Ai, Juazeiro
Tô cansado de sofrer
Juazeiro meu destino
Tá ligado junto ao teu
No teu tronco tem dois nomes
Ela mesma é que escreveu
Ai, Juazeiro
Eu não guento mais doer
Ai, Juazeiro
Eu prefiro inté morrer
Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
O ciclo do baião, a música que melhor enfrentou a invasão do bolero ao final dos anos quarenta, começou com o lançamento desta composição, em outubro de 1946. Conscientes do potencial até então pouco explorado da música nordestina, seus autores, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, são os estilizadores que tornaram o gênero assimilável ao gosto do público urbano.
Como peça abre-alas, "Baião" apresenta o ritmo, com forte ênfase na síncope do segundo tempo, e ensina como dançá-lo, ao mesmo tempo em que convida o ouvinte a aderir à novidade. Tudo isso sobre uma melodia cheia de sétimas menores, semelhante às cantigas de cantadores do Nordeste.
A bemolização da sétima nota do acorde representaria o devaneio de um possível elo entre o baião e o blues, mas na verdade remete ao ancestral mouro da música nordestina. A nostalgia, a possibilidade de improviso, a tendência constante de caminhar em busca da tônica e de bemolizar a terça, a quinta e a sétima, estão presentes nos blues, nas cantigas nordestinas e no canto da Andaluzia.
Disco 78 rpm / Título da música: Baião / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 22/05/1946 / Lançamento: 10/1946 / Nº do Álbum: 12724 / Nº da Matriz: 8046 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem:
IMS, Nirez
Tom: C
C7
Eu vou mostrar pra vocês
Como se dança o baião
E quem quiser aprender
F7
É favor prestar atenção
Morena chega pra cá
Bem junto ao meu coração
D7
Agora é só me seguir
G7 C
Pois eu vou dançar o baião
F7
Eu já dancei balancê
Xamego, samba e xerém
Mas o baião tem um quê
Que as outras dancas não têm
Oi quem quiser é só dizer
D7
Pois eu com satisfação
C
Vou dançar cantando o baião
F7
Eu já cantei no Pará
Toquei sanfona em Belém
Cantei lá no Ceará
E sei o que me convém
Por isso eu quero afirmar
D7
Com toda convicção
G7 C
Que sou doido pelo baião
Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.