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sábado, 9 de outubro de 2010

Bicharada

Djalma Ferreira
Bicharada (baião, 1951) - Djalma Ferreira (lançado em 1945) - Intérpretes: Djalma Ferreira e Seus Milionários do Ritmo

Deliciosa onomatopeia produzida pelo instrumento do Djalma e do pessoal do acompanhamento. É incrível escutar os "sons dos bichos" neste baião tão criativo, tão original. Muito bom ouvir a autêntica e boa música popular de um Brasil de outra época...

Disco 78 rpm / Título da música: Bicharada / Djalma Ferreira (Compositor) / Djalma Ferreira (Intérprete) / Seus Milionários do Ritmo (Intérprete) / Gravadora: Continental / Gravação: 27/03/1951 / Lançamento: 05/1951 / Nº do álbum: 16384 / Nº da matriz: 2602 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez




Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Trem o-la-lá

Trem o-lá-lá (baião, 1950) - Lauro Maia e Humberto Teixeira - Intérprete: Carmélia Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Trem o lá lá / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Lauro Maia (Compositor) / Carmélia Alves (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1950 / Lançamento: 03/1950 / Nº do álbum: 16177 / Gênero musical: Baião


O trem, ô lá lá...
Roda, roda, inté mancá!
Um vintém bateu no outro,
Fez tirrin, tatá...

O trem, ô lá lá...
Roda, roda, inté mancá!
Um vintém bateu no outro,
Fez tirrin, tatá...

Me atrepei na bananeira,
Fui inté o mangará...
Cumi tanta banana
Qui fiz a... gata miá!

Eu andei cinquenta légua
Amontado num preá...
Cinquenta légua num dia
Num é p'rum... cabra caminhá...

In riba daquela serra,
Da outra banda de lá...
Corre o peba atrás da onça,
Raposa... tamanduá...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Estrada do Canindé

Estrada de Canindé (toada-baião, 1951) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérprete: Luiz Gonzaga

Disco 78 rpm / Título da música: Estrada de Canindé / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 20/12/1950 / Lançamento: 03/1951 / Nº do álbum: 80-0744 / Nº da matriz: 092815 / Gênero musical: Toada baião

     D            Em7
Ai, ai, que bom
A7                         D
Que bom, que bom que é
D7                      G
Uma estrada e uma cabocla
A7                        D
Uma gente andando a pé
D          Em7
Ai, ai, que bom
A7                        D
Que bom, que bom que é
D7                   G
Uma estrada e a lua branca
A7                 D
No sertão de Canindé
D               C              D
Automóve lá nem se sabe
G/D               Gm/D
Se é homem ou se é muié
D  C D           C               D
Quem é rico anda em burrico
G         A        D    A7
Quem é pobre anda a pé
D        A/C#       Bm   D/A
Mas o pobre vê nas estrada
C7           B7         Em
O orvaio beijando as flor
Em7             A7
Vê de perto o galo campina
Em7    A7         D   A7
Que quando canta muda de cor
D           A/C#     Bm7     Bm7 Bbm7
Vai moiando os pé nos riacho
Am7       D7     G
Que água fresca, nosso senhor
Gm7    C7        F#m7
Vai oiando, coisa a granel

B7                E7
Coisas que pra mode ver
A7                             D
O cristão tem que andar a pé


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Esta noite serenou

Dalva de Oliveira
Esta Noite Serenou (baião, 1951) - Hervé Cordovil - Intérprete:Dalva de Oliveira

Disco 78 rpm / Título da música: Esta noite serenou / Hervé Cordovil (Compositor) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 21/07/1951 / Lançamento: 10/1951 / Nº do álbum: 13173 / Nº da matriz: 9066 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi


Morena quem te contou
Que esta noite serenou
Eu deitado no teu colo

Sereno não me molhou

Se caísse chuva forte, morena

Eu talvez não sentiria
Teu amor é uma guarita, morena

Onde eu me esconderia
Tão bom, tão bom, tão bom

Se fizesse muito frio, morena

Eu talvez não sentiria
Eu deitado no teu colo, morena

Teu amor me aqueceria
Tão bom, tão bom, tão bom



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Delicado

Waldir Azevedo
Delicado (baião, 1951) - Waldir Azevedo - Interpretação: Waldir Azevedo e Seu Conjunto

Disco 78 rpm / Título da música: Delicado / Waldir Azevedo (Compositor) / Waldir Azevedo e Seu Conjunto (Intérprete) / Gravadora: Continental / Gravação: 1950 / Lançamento: 11/1950 / Nº do álbum: 16314 / Nº da matriz: 2391 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez


Querendo um baiãozinho / Que seja bem gostosinho
Que seja delicadinho / Escute com atenção
Aqui está o baião / Falando ao coração

Veja / como ele é tão delicado

Faz até pensar / No amor que ficou no passado
Eu sei / Que o mundo inteiro vai me dar razão
Pois / Levo a consolação do tal amor
O qual alguém perdeu outrora / Que o baião vai lembrar agora
O nome sempre varia / Pra uns o nome é Maria / Glorinha, Rute ou Aurora

A todos / O nome é inesquecível

Esta é a verdade / Embora pareça incrível
Eu provo / E todos vivem sempre a esconder

Ouça / O que o amor pode fazer 

Faz gemer assim / Ui, ui, ui, ui, ui / Ai, ai, ai, ai, ai
Ninguém / Deve esconder muito a sua dor
Porque / Assim mais cresce ainda o mal do amor

Fingir / Que é feliz é uma ilusão 

Só magoa o coração / Faça sempre assim
Ui, ui, ui, ui, ui / Ai, ai, ai, ai, ai / Verás que é mais gozado
E quando terminado / Virá pedir outro baião.


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Adeus Maria Fulô

Sivuca
Adeus Maria Fulô (baião, 1951) - Sivuca e Humberto Teixeira - Intérpretes: Carmélia Alves e Jimmy Lester

Disco 78 rpm / Título da música: Adeus Maria Fulô / Humberto Teixeira (Compositor) / Sivuca (Compositor) / Carmélia Alves (Intérprete) / Jimmy Lester (Intérprete) / Sivuca (Acordeon) e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1951 / Lançamento: 07/1951 / Nº do álbum: 16436 / Nº da matriz: 2609 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: Nirez



Interpretação de Os Mutantes:



Adeus, vou me embora meu bem
Chorar não ajuda ninguém
Enxugue seu pranto de dor
Que a seca mal começou

Adeus, vou me embora Maria
Fulô do meu coração
Eu voltarei qualquer dia
E só chover no sertão

E os dias da minha volta
Eu conto na minha mão
Adeus Maria Fulô
Marmeleiro amarelou
Adeus Maria Fulô
Olho d'água estorricou



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

domingo, 7 de maio de 2006

Sabiá na gaiola

Carmélia Alves
Sabiá lá na Gaiola (baião, 1950) - Hervé Cordovil e Mário Vieira - Intérprete: Carmélia Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Sabiá na gaiola / Hervé Cordovil (Compositor) / Mário Vieira (Compositor) / Carmélia Alves (Intérprete) / Conjunto Continental (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1949-1950 / Lançamento: 07/1950 / Nº do álbum: 16226 / Nº da matriz: 2356 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez


Sabiá lá na gaiola / fez um buraquinho
Voou, voou, voou, voou / E a menina que gostava
Tanto do bichinho / Chorou, chorou, chorou, chorou

Sabiá fugiu pro terreiro / Foi cantar lá no abacateiro
E a menina vive a chamar / Vem cá sabiá, vem cá

Sabiá lá na gaiola...

A menina diz soluçando / Sabiá estou te esperando
Sabiá responde de lá / Não chores que eu vou voltar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Qui nem jiló

Luiz Gonzaga
Em 1950, vivia-se o auge do ciclo do baião, com vários compositores (Klecius Caldas, Armando Cavalcanti, Hervé Cordovil) e intérpretes (Marlene, Emilinha Borba, Ivon Curi) de outras áreas aderindo ao ritmo nordestino.

Incansável na renovação de seu repertório, Luiz Gonzaga chegaria a gravar durante o ano nada menos de vinte composições, sendo oito delas com Humberto teixeira e sete com o novo parceiro, Zé Dantas. De todas essas músicas, mereceu destaque especial o baião "Qui Nem Jiló", um dos melhores da dupla Gonzaga-Teixeira.

Refletindo sinais da integração do gênero ao meio urbano, "Qui Nem Jiló" tem melodia mais elaborada do que a maioria dos baiões, em nada lembrando as primitivas cantigas sertanejas.

Qui nem jiló (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérpretes: Marlene e Os Cariocas

Disco 78 rpm / Título da música: Qui nem jiló / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Marlene (Intérprete) / Os Cariocas (Intérprete) / Orquestra Tabajara de Severino Araújo (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do álbum: 16125 / Nº da matriz: 2167 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez

Introdução: G - C# - F#m - B7 - Em - G - A - D
   
     D                C# 
Se a gente lembrar só por 
    F#m     A7 
Lembrar 
  D                   E 
O amor que agente um dia
   A     A7 
Perdeu 
   G                    C#      F#m 
Saudade inté que assim é bom 
     B7           Em 
Pro cabra se convencer 
   A                D 
Que é feliz sem saber 
            A 
Pois não sofreu 
   D           C#            F#m    A 
Porém se a gente vive a sonhar 
    D                E 
Com alguém que se deseja 
    A     A7 
Rever 
    G          C#       F#m 
Saudade intonce aí é ruim 
    B7          Em 
Eu tiro isso por mim 
          G        A    D
Que vivo doido a sofrer 
             A 
Ai quem me dera voltar 
         D 
Pros braços do meu xodó 
             A 
Saudade assim faz roer 
         D 
E amarga que nem jiló 
         A 
Mas ninguém pode dizer 
 D                    D7 
Que me viu triste a chorar 
  G                 A 
Saudade, o meu remédio é 
     D   D7 
Cantar 
      G             A 
Saudade, o meu remédio é 
   D 
Cantar


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Pé de manacá

Isaura Garcia
Pé de manacá (baião, 1950) - Hervé Cordovil e Mariza Pinto Coelho - Intérpretes: Isaura Garcia e Hervê Cordovil

Disco 78 rpm / Título da música: Pé de manacá / Hervê Cordovil (Compositor) / Mariza Pinto Coelho (Compositora) / Hervê Cordovil (Intérprete) / Isaura Garcia (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 22/06/1950 / Lançamento: 09/1950 / Nº do álbum: 80-0686 / Nº da matriz: S-092695 / Gênero musical: Baião


--------------------------C --------------F -----------C
Lá de trás daquele morro / tem um pé de manacá.
--------------G7---------- C -------G7
Nóis vai casá e vai prá lá / Cê qué?
-------------------E7 -------------------Am
Eu quero te beijá / eu quero te agradá,
-------------------G-------------- C -------G7
eu quero me casá e te levá prá lá / Cê vai?
----------------------E7--------------- Am
Eu panho toda a flor do pé de manacá
------------------G-------------- C -------G7---- C
e faço uma coroa prá te enfeitá / Cê qué?



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Paraíba

Emilinha Borba
Em 1929, a Aliança Liberal - coligação oposicionista formada por políticos do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba - lançou as candidaturas de Getúlio Vargas, presidente do Rio Grande do Sul, à presidência da República e de João Pessoa de Queiroz, presidente da Paraíba, a vice-presidente (na época, os governadores de estado eram chamados presidentes).

Essa coligação, derrotada nas urnas pelo situacionista Júlio Prestes, seria o embrião das forças que deflagrariam a Revolução de 30, movimento vitorioso que mudou o curso de nossa história. O atrevimento da pequena Paraíba, participando valentemente desses acontecimentos, inspirou a expressão "Paraíba mulher macho, sim senhor", aproveitada vinte anos depois por Luiz Gonzaga e Humberto teixeira num jingle político, logo transformado no baião "Paraíba".

Só que, esquecida a origem, a expressão foi tomada ao pé-da-letra pela malícia popular, que a vinculou ao homossexualismo feminino - "Quando lama virou pedra / e mandacaru secou / quando ribaçã de sede / bateu asas e voou / foi aí que eu vim-me embora / carregando a minha dô / hoje eu mando um abraço pra ti pequenina / Paraíba masculina, muié macho, sim Sinhô".

Na segunda parte, o verso "Eta, pau Pereira em Princesa já roncou" é uma referência ao coronel José Pereira e à Revolta de Princesa, uma rebelião por ele comandada, em junho de 1930, contra o governo de João Pessoa. Zé Pereira chegou a proclamar a independência do município de Princesa no Decreto n° 1 de seu governo... Lançada por Emilinha Borba em março de 50 (Luiz Gonzaga só a gravaria em 52), "Paraíba" é um dos maiores sucessos de sua carreira.

Paraíba (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Intérpretes: Emilinha Borba e os Boêmios

Disco 78 rpm / Título da música: Paraíba / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Emilinha Borba (Intérprete) / Os Boêmios (Intérprete) / Canhoto (Waldiro Tramontano, 1908-1987) e Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 01/03/1950 / Lançamento: 03/1950 / Nº do álbum: 16187 / Nº da matriz: 2256 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez

G
Quando a lama virou pedra
              Am
E Mandacaru secou
                    D7
Quando o Ribação de sede 
             G
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
                    C
Carregando a minha dor
         Cm
Hoje eu mando um abraço 
    G
Pra ti pequenina
             Am
Paraíba masculina,
    D7             G
Muié macho, sim sinhô
G
Eita pau pereira
                        Am
Que em princesa já roncou
        D7
Eita Paraíba
                  G
Muié macho sim sinhô 
Eita pau pereira
                    C
Meu bodoque não quebrou

         Cm
Hoje eu mando 
               G
Um abraço pra ti pequenina
             Am
Paraíba masculina,
    D7             G
Muié macho, sim sinhô
         G
Quando a lama virou pedra
               Am
E Mandacaru secou
                    D7
Quando arribação de sede 
             G
Bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora
                   C
Carregando a minha dor
        Cm
Hoje eu mando um abraço 
    G
Pra ti pequenina 
              Am
Paraíba masculina,
      D7           G
Muié macho, sim sinhô

Eita, eita
C7
Muié macho sim sinhô


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Baião de Dois

Baião de Dois (baião, 1950) - Luiz Gonzaga e Humberto teixeira - Interpretação: Quatro Ases e um Coringa

Disco 78 rpm / Título da música: Baião de dois / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Quatro Ases e Um Coringa (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 10/07/1950 / Lançamento: 10/1950 / Nº do álbum: 80-0698 / Nº da matriz: S-092731 / Gênero musical: Baião


Abdom que moda é essa
Deixa quente a colher?
Homem não vai na cozinha

Que é lugar só de mulher

Vou juntar feijão de corda

Numa panela de arroz
Abdom vai já pra sala

Que hoje tem baião de dois

Ai, ai, ai

Ai baião que bom tu sois
O baião é bom sozinho

Que dirá baião de dois


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

Juazeiro

Luiz Gonzaga
Como "Asa branca", "Juazeiro" é um tema popular adaptado por Luiz Gonzaga e Humberto teixeira. Simples, ingênua e de muito bom gosto, a letra (de Teixeira) transmite o lamento de um sertanejo, abandonado pela amada, que interroga a árvore, testemunha de seu amor: "Juazeiro seje franco ! ela tem um novo amô? / se não tem por que tu chora? / solidário à minha dô...".

O verbo "roer", que aparece em dois versos da canção, é muito usado no Nordeste com o significado de "remoer uma dor de cotovelo". Já a melodia aproxima-se do blues, com a sétima bemolizada - tão presente na música nordestina - e sua constante busca pela tônica.

Um clássico de nossa música popular, "Juazeiro" foi gravado indevidamente nos Estados Unidos, (segundo Humberto Teixeira) com título diferente e letra da cantora Peggy Lee, que alegou desconhecer a origem brasileira da composição. O fato repetiu em condições idênticas na França, onde transformou-se em "Le Voyageur".

Juazeiro (baião, 1949) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira

Disco 78 rpm / Título da música: Juazeiro / Luiz Gonzaga (Compositor) / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: RCA Victor / Gravação: 07/06/1949 / Lançamento: 10/1949 / Nº do Álbum: 80-0605 / Nº da Matriz: S-078889-1 / Gênero musical: Baião

C7
Juazeiro, Juazeiro,
Me arresponda por favor
Juazeiro velho amigo
Onde anda meu amor?

F7     C7
Ai, Juazeiro
    G7            C7
Ela nunca mais voltou
F7      C7
Diz, Juazeiro
     G7        C7
Onde anda meu amor?

Juazeiro não te alembra
Quando nosso amor nasceu
Toda tarde a tua sombra
Conversava ela e eu

Ai, Juazeiro
Como dói a minha dô
Diz, Juazeiro
Onde anda o meu amô?

Juazeiro seja franco
Ela tem um novo amor?
Se não tem porque tu choras
Solidário a minha dor?

Ai, Juazeiro
Não me deixe assim doer
Ai, Juazeiro
Tô cansado de sofrer

Juazeiro meu destino
Tá ligado junto ao teu
No teu tronco tem dois nomes
Ela mesma é que escreveu

Ai, Juazeiro
Eu não guento mais doer
Ai, Juazeiro
Eu prefiro inté morrer


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Baião

Luiz Gonzaga
O ciclo do baião, a música que melhor enfrentou a invasão do bolero ao final dos anos quarenta, começou com o lançamento desta composição, em outubro de 1946. Conscientes do potencial até então pouco explorado da música nordestina, seus autores, Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, são os estilizadores que tornaram o gênero assimilável ao gosto do público urbano.

Como peça abre-alas, "Baião" apresenta o ritmo, com forte ênfase na síncope do segundo tempo, e ensina como dançá-lo, ao mesmo tempo em que convida o ouvinte a aderir à novidade. Tudo isso sobre uma melodia cheia de sétimas menores, semelhante às cantigas de cantadores do Nordeste.

A bemolização da sétima nota do acorde representaria o devaneio de um possível elo entre o baião e o blues, mas na verdade remete ao ancestral mouro da música nordestina. A nostalgia, a possibilidade de improviso, a tendência constante de caminhar em busca da tônica e de bemolizar a terça, a quinta e a sétima, estão presentes nos blues, nas cantigas nordestinas e no canto da Andaluzia.

Baião (baião, 1946) - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira - Interpretação: Quatro Ases e um Coringa

Disco 78 rpm / Título da música: Baião / Humberto Teixeira, 1916-1979 (Compositor) / Luiz Gonzaga (Compositor) / Quatro Ases e um Coringa (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Gravação: 22/05/1946 / Lançamento: 10/1946 / Nº do Álbum: 12724 / Nº da Matriz: 8046 / Gênero musical: Baião / Coleções de origem: IMS, Nirez

Tom: C
                    
C7
Eu vou mostrar pra vocês

Como se dança o baião

E quem quiser aprender
                    F7
É favor prestar atenção

Morena chega pra cá

Bem junto ao meu coração
                 D7
Agora é só me seguir
               G7       C
Pois eu vou dançar o baião
                 F7
Eu já dancei balancê

Xamego, samba e xerém

Mas o baião tem um quê

Que as outras dancas não têm

Oi quem quiser é só dizer
                   D7
Pois eu com satisfação
                        C
Vou dançar cantando o baião
                  F7
Eu já cantei no Pará

Toquei sanfona em Belém

Cantei lá no Ceará

E sei o que me convém

Por isso eu quero afirmar
               D7
Com toda convicção
               G7     C
Que sou doido pelo baião 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.