sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Radamés Gnattali


O compositor, arranjador, regente, pianista e professor Radamés Gnattali nasceu em Porto Alegre/RS em 27/1/1906 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 13/2/1988. Filho do imigrante italiano Alessandro Gnattali e da pianista gaúcha Adélia Fossati, foi criado em um ambiente tipicamente italiano, com seus costumes, cultura e o amor pela música. Foi envolvido desde cedo pela paixão que os pais nutriam pela ópera, que se refletiu nos nomes dos três filhos do casal: Radamés, Aída e Ernâni, todos personagens de óperas de Verdi.


Aprendeu piano com a mãe e aos 9 anos ganhou um prêmio por sua atuação como regente de uma orquestra infantil, que tocou arranjos feitos por ele. Aos 14 entrou para o Conservatório de Porto Alegre para estudar piano, e acabou dominando também a viola. Já por essa época freqüentava blocos de carnaval e grupos de seresteiros boêmios, para os quais, na impossibilidade de levar o piano, aprendeu a tocar cavaquinho. Até se formar no conservatório, estudava para ser concertista e tocava em cinemas e bailes para se sustentar.

Em 1924, recém-formado, foi para o Rio de Janeiro se apresentar no Teatro Municipal, executando um concerto de Tchaikovski sob regência de Francisco Braga. Nessa viagem conheceu o compositor Ernesto Nazareth, e passou os dois anos seguintes entre Porto Alegre e Rio, sempre trabalhando com música erudita.

Em sua cidade natal montou um quarteto de cordas e com ele viajou por todo o estado, o que fortaleceu sua base para a orquestração. No início dos anos 30 radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde se deu sua estréia como compositor, com a apresentação de Rapsódia Brasileira, interpretada pela pianista Dora Bevilacqua. Por essa época, em face às dificuldades com a carreira de concertista, resolveu investir no mercado da música popular. Foi contratado por orquestras que animavam bailes, festas e programas de rádio.

Em 1934 passou a ser o orquestrador da gravadora Victor e dois anos depois participou da inauguração da Rádio Nacional. Lá Radamés atuou como pianista, solista, maestro, compositor, arranjador, usando sua bagagem erudita no trato com a música popular. Permaneceu na Rádio Nacional por 30 anos e criou arranjos antológicos, como Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo), gravado por Orlando Silva em 1937, e Aquarela do Brasil (Ary Barroso), em 1939.

Em 1943 criou a Orquestra Brasileira de Radamés Gnattali, que tocava os arranjos do maestro no programa Um Milhão de Melodias, dando um colorido brasileiro aos sucessos estrangeiros. Para isso, Radamés passou a usar os instrumentos da orquestra de forma percussiva, conseguindo efeitos até então inéditos. O programa foi também o primeiro a prestar homenagens a compositores como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu.

Enquanto atuou no rádio não deixou de lado as carreiras de pianista, concertista e compositor. Compôs concertos e peças sinfônicas executadas ao redor do mundo. Em 1960 viajou à Europa com o Sexteto Radamés Gnattali, grupo derivado do Quarteto Continental, criado na Rádio Continental em 1949. O Sexteto era formado por Radamés, Aída Gnattali (piano), Chiquinho do Acordeom, Zé Menezes (guitarra), Pedro Vidal Ramos (baixo) e Luciano Perrone (percussão).

Nos anos 60 foi contratado pela TV Globo, onde trabalhou durante 11 anos como arranjador, compositor e regente. Foi peça fundamental no movimento de redescoberta do choro ocorrido na década de 70, atuando como incentivador e mestre de jovens instrumentistas como Raphael Rabello, Joel Nascimento, Maurício Carrilho, a Camerata Carioca, e estimulando releituras de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth e outros mestres do choro.

Em 1983, recebeu o prêmio Shell na categoria música erudita, concedido por unanimidade, ocasião em que foi homenageado com um concerto no Teatro Municipal, que contou com a participação da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, do Duo Assad e da Camerata Carioca.


Fonte: CliqueMusic: Artista: Radamés Gnattali.

Paulo Borges

Paulo Borges (Paulo Alves Borges), compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 28/9/1916. Compôs uma série de musicas para o conjunto Anjos do Inferno, fundado por seu irmão e parceiro Oto Borges, a primeira delas em 1935, Estrela da manhã.

Em janeiro de 1939 atuou brevemente no conjunto como cantor. Sua primeira composição gravada foi Farrapo, pelo cantor Jorge Fernandes, na Odeon em 1953, e seu maior sucesso, Cabecinha no ombro, na voz de Alcides Gerardi, etiqueta CBS.

Obras : Cabecinha no ombro, rasqueado, 1961; Cartão postal, samba-canção, 1961; Mãezinha querida, valsa, 1961.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Ascendino Lisboa

Ascendino Lisboa, cantor e compositor, nasceu em Rio Tinto/PB e faleceu em 23/6/1975. Atuou entre fins da década de 1920 e fins da década de 1930. Gravou seu primeiro disco pela Victor em 1929 com acompanhamento da orquestra Victor cantando os sambas Dou tudo, de André Filho e Tapeação, de João Martins.

No mesmo ano, gravou na Parlophon com acompanhamento da Simão Nacional Orquestra os sambas Antes só, de Nílton Bastos e Sabes por que, de Aprígio de Carvalho.Em 1933, gravou pela Victor os sambas Canta bem-te-vi, de Guilherme Pereira e Agora é tarde, de André Filho, com acompanhamento do grupo Diabos do Céu. Em seguida, gravou em dueto com Raul Torres as modas-de-viola Boi amarelinho, de Raul Torres, e Pro mode namoração, de sua autoria.

Nesse ano, ingressou na Columbia e gravou os sambas Falta de consciência, de Ary Barroso e Zombando da vida, de Ary Barroso e M. L. de Azevedo com acompanhamento de I . Kolman e sua orquestra do Lido do Rio de Janeiro. No ano seguinte gravou a canção Quando a noite vem, de sua autoria.

Em 1935, formou uma orquestra da qual fez parte o regente e instrumentista Aristides Zacarias e viajou ao Rio Grande do Sul para inaugurar o Cassino Farroupilha, de Porto Alegre, apresentando-se nas comemorações do Centenário Farroupilha e na Rádio Farroupilha.

Foi contratado pela Odeon em 1936 e gravou com acompanhamento de Antenógenes Silva ao acordeom as marchas Minha linda Guanabara e Boneca não tem coração, de Antenógenes Silva e Ernâni Campos. No ano seguinte, lançou de Bonfiglio de Oliveira e Valfrido Silva a marcha Margarida e o maxixe O teu sapateado com acompanhamento da Orquestra Odeon. Gravou oito discos pelas gravadoras Odeon, Columbia, Parlophon e Victor.

Em 1997, sua interpretação do maxixe O teu sapateado, de Bonfiglio de Oliveira e Valfrido Silva foi relançada pelo selo Revivendo no CD Bomfiglio de Oliveira - Compositor e Trompetista de Ouro. Outra gravação sua relançada pelo mesmo selo foi a da canção Quando a noite vem, de sua autoria.

Em 2003, sua interpretação do samba Zombando da vida, de Ary Barroso e M.L. Azevedo foi relançada no primeiro volume da série de seis CDs lançados pelo selo Revivendo em homenagem ao centeário de nascimento do compositor mineiro.

Em 2004, teve sua interpretação da moda-de-viola Boi amarelinho, de Raul Torres gravada em dueto com o autor relançada pelo selo Revivendo no CD Raul Torres e seus parceiros. Nesse ano, o governador da Paraíba asssinou o termo de lançamento do início das obras para a construção de uma praça com seu nome no município de Rio Tinto, onde nasceu.

Quatro Diabos

Quatro Diabos - Conjunto vocal integrado pelos estudantes da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Carlos Monteiro de Sousa (Carlos José Monteiro de Sousa, Niterói/RJ 1916 id. 1975), líder do conjunto, e mais tarde maestro e arranjador, Nelson Eduarao Souto (Rio de Janeiro 1917—id. 1979), Roberto Gonzaga e Luis Domes Carneiro.

O grupo estreou em 1934 na Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, no Esplêndido Programa, de Valdo Abreu, onde se apresentou cantando Porteira infernal, composição dos próprios integrantes. Só no disco de estréia, na Odeon, porque o cantor Arnaldo Pescuma juntou-se a eles, apareceram como os Cinco Diabos, lançando para o carnaval de 1935 as marchas Muita gente tem falado de você (Mano Paulo e Arnaldo Pescuma) e A mais bonita do planeta (Nelson Souto e Roberto Gonzaga).

Depois, no filme carnavalesco Alô, alô Brasil, de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro, de 1935, todos os cinco cantaram a marcha Menina internacional (João de Barro e Alberto Ribeiro), com Dircinha Batista. Nesse ano os quatro excursionaram com Carmen Miranda e Aurora Miranda a Belo Horizonte MG e gravaram um disco com a marcha Meu coração (Kid Pepe e Jose Fernandes) e o samba Você foi a culpada (Kid Pepe e Buci Moreira).

Em 1936 cantaram no filme Alô, alô Carnaval, de Ademar Gonzaga, a marcha Muito riso e pouco siso (João de Barro e Alberto Ribeiro), novamente com Dircinha Batista, e gravaram para o Carnaval um disco com os sambas Bombardeio de cidade (Mano Travassos de Araújo) e Sou escravo do destino (Kid Pepe, Germano Augusto e José da Silva).

Fonte: Enciclopédia da música Brasileira - Art Editora