sábado, 22 de julho de 2006

Sabiá


Cynara e Cybele no III FIC.
A princípio chamava-se “Gávea” e destinava-se ao repertório da soprano Maria Lúcia Godoy. Então seu autor, Tom Jobim, foi convidado a concorrer no III FIC e, só tendo aquela música inédita na ocasião, inscreveu-a, pedindo a Chico Buarque para fazer-lhe uma letra. Jobim, que detestava festivais, já rejeitara um convite do diretor Augusto Marzagão para atuar como jurado e, não querendo parecer grosseiro, sentia-se agora na obrigação de concorrer.

Sem maiores pretensões, é verdade, pois achava a composição — que passara a chamar-se “Sabiá”, depois da letra do Chico — serena demais para impressionar num festival. Em sua concepção, música de festival devia ser movimentada e barulhenta, para causar impacto. Por isso, apostou com Vinicius de Moraes uma caixa de uísque como não ganharia.

Mas, em sua serenidade, “Sabiá” era uma belíssima composição, valorizada pelo poema gonçalviano de Chico Buarque, que a tornou uma espécie de “Canção do Exílio” de nosso tempo: “Vou voltar / sei que ainda vou voltar / para o meu lugar / foi lá / e é ainda lá / que eu hei de ouvir cantar / uma sabiá...” Nada disso, entretanto, comoveu o público do Maracanãzinho que, empolgado pela panfletária “Caminhando”, explodiu na mais furiosa vaia já dirigida a um grande artista brasileiro, quando o resultado foi anunciado. E para azar de Tom Jobim, ele a recebeu sozinho, pois naquela noite Chico Buarque se encontrava a milhares de quilômetros em Veneza. Uma semana depois, atendendo a um apelo angustiado do parceiro, Chico estaria ao seu lado para assistir a uma nova vitória de “Sabiá”, desta vez sem vaia, na fase internacional da competição. E Tom Jobim teve mesmo que pagar a aposta a Vinícius: uma caixa de Johnnie Walker Black Label (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sabiá (1968) - Chico Buarque e Tom Jobim - Interpretação: Cynara e Cybele
Intro: C G7
  C   Ebo  Dm7         G7   C     Ebo  Dm7
Vou voltar sei que ainda vou voltar
E7    Am   Am7+ Gm7  C7  F7+  Dm7
Para o meu lugar foi lá é ainda lá
E7        Am  Am/G  Am/F#
Que eu hei de ouvir can .... tar
F7+   Am  Am/G Am F#    F7+  C
Uma sabiá       can . . . tar uma sabiá
C    Ebo  Dm7          G7   Eb   F#o  Fm7
Vou voltar sei que ainda vou voltar
Bb7   Ebm           Ebm7/C#   Cm7/11
Vou deitar à sombra de uma palmeira
F7       Bbm  F#7+
Que já não há
Bbm  Eb7/9      Abm7  E7
Colher a flor que já não há
Abm7   C#7      Do       Ebm   Ebm7+
E algum amor talvez possa espantar
C#m7/11    Ab5+  Bb7/12   Am7/11
As noites que eu não queri . . . a
Ab7/12   A7    D7/9 G7  F/G  G7/9/13
Me anun . . . ci . . . ar       o dia
  C   Ebo Dm7      G7   Eb    Ebo    Fm7
Vou voltar sei que ainda vou voltar
Bb7     Eb                    Eb7    Ab7M
Não vai ser em vão que fiz tantos planos
Cm                    Fm7  
De me enganar como fiz enganos de me
Cm
encontrar
Cm7/Bb   Ab7+    C#7+   Cm
Como fiz estradas de me perder
Cm7/Bb  Ab7+  C#7+     Cm
Fiz de tudo e nada de te esquecer
 
 
Postar um comentário