terça-feira, 18 de julho de 2006

Vapor barato



O show “Gal a Todo o Vapor”, que virou elepê, foi o grande acontecimento musical do verão de 72, transformando a cantora em musa e mito sexual da turma que freqüentava o Pier de Ipanema, local também chamado de Dunas da Gal ou Dunas do Barato.

O show misturava clássicos como “Antonico” (Ismael Silva), “Falsa Baiana” (Geraldo Pereira) e “Assum Preto” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) com música pop da época como “Pérola Negra” (Luiz Melodia), “Como Dois e Dois” (Caetano Veloso) e “Vapor Barato”, de Jards Macalé e Waly Salomão, sendo este o responsável pela direção do espetáculo.

Compositores de obra extravagante, Salomão e Macalé podem ser incluídos no rol dos chamados artistas “malditos”. Chegaram os dois a desenvolver um movimento denominado de “Morbeza Romântica”, representando a palavra “morbeza” uma combinação de “morbidez com beleza”, que eles afirmam caracterizar o repertório romântico da ira. Com um título alusivo aos vapores da Cannabis sativa que os ares do Pier, e uma letra, segundo Waly, “direta, frontal, oposta a tendência liricista e nebulosa que predominava dizendo o que era possível naquele momento de desencanto”, “Vapor Barato” dá uma idéia do adotado pela dupla.

Sobre essa letra (“Oh, sim, eu estou cansado / mas pra dizer / que não acredito mais em você”), Macalé pôs uma melodia e “Vapor Barato” se tornaria o hino dos hippies (especialmente dos que freqüentavam as Dunas), que era cantado com entusiasmo pelas platéias do show da Gal. Habituado a vaias (como as que recebeu quando defendeu “Gotham City” no IV FIC) e polêmicas, o carioca Jards Annet da Silva, apelidado de Macalé por ser ruim de bola (como um Tião Macalé que jogou no Botafogo do Rio à época em que Macalé queria ser craque), encontrou o seu o ideal, pelo menos para aquele momento, na figura inquieta do poeta baiano Waly Salomão (em 71/72 ele assinava “Sailormoon”), resultando desse encontro, além de “Vapor Barato”, músicas como “Mal Secreto”, “O Faquir da Dor”, “Senhor dos Sábados”, “Anjo Exterminado” e “Dona do Castelo”.

Uma curiosidade: antes de ser apelido do compositor e de vários jogadores de futebol, Makalé (assim com “k”) era o nome de um general etíope, que comandou forças do imperador Selassié na luta contra os exércitos invasores de Mussolini em 1936. As fotografias do general negro, pomposamente fardado, muito publicadas pela imprensa da época, acabaram por popularizar o seu nome (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Vapor barato (1972) - Jards Macalé
Tom: Am  

(intro) Am G F E

Am
Sim!
                 G                     F
Eu estou tão cansado, mas pra não pra dizer
  Dm               E
Que eu não acredito mais em você
Am                        G
Com minhas calças vermelhas
                     F           Dm  E
meu casaco de general cheio de anéis
 Am                            G
Eu vou descendo por todas as ruas
             F               Dm E
Eu vou tomar aquele velho navio
Am
Eu não preciso de muito dinheiro
G
Graças a Deus
 F                         Dm  E
E não importa,....e não importa Não!

Oh minha honey
Am     G     F              Dm  E
Baby, baby, baby.......Honey, Baby
Am              G     F
Sim eu estou cansado mas não pra dizer
   Dm              E
Que eu estou indo embora
Am                           G
Talvez eu volte um dia..eu volto
 F                       Dm     E
mas quero esquecê-la eu preciso
Am                         G
A minha grande a minha pequena
F               Dm     E
A minha grande obsessão
Am                    G     F    Dm   E
Oh minha honey baby baby.. honey baby
Am                    G     F    Dm   E
Oh minha honey baby baby.. honey baby
Am                   G
Ando tão a flor da pele
                F                         E
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Am                    G
Ando tão a flor da pele
                           F             E
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Am                    G
Ando tão a flor da pele
                       F                          E
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Am                   G
Ando tão a flor da pele
              F                          E
Que a minha pele tem o fogo do juizo final
          Am4/9
Um barco sem porto

Sem rumo sem vela
            Am9
Cavalo sem sela

Um bicho solto
             D#dim
Um cão sem dono

Um menino um bandido
               E4
As vezes me preservo
             E7
Noutras suicido
 
 

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