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Arrastão


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Surgindo no momento em que o pessoal da bossa nova começava a tomar outros rumos, Edu Lobo escolheu um caminho realista, que misturava protesto social e regionalismo. Era uma linha de certa forma influenciada pelo trabalho de Carlos Lyra no Centro Popular de Cultura da UNE, e que introduzia na moderna canção brasileira asperezas da música nordestina.

Requintado em sua simplicidade aparente, o vibrante “Arrastão” pertence à leva inicial das composições de Edu, tendo se sagrado vencedor do 1º Festival de Música Popular Brasileira, da TV Excelsior, que projetou seu nome e o de Elis Regina.

Curiosamente, a idéia da melodia nasceu numa reunião na casa dos Caymmi, quando era cantada a “História de Pescadores”, do anfitrião. Na terceira parte, intitulada “Temporal” (“Pedro! / Chico! / Lino! / Zeca!...”), Edu começou a improvisar um contracanto, que acabou se tornando a base da canção.

Já a letra, de Vinicius, temperada pelo misticismo que dominava sua produção no momento, focaliza uma cena de pescaria, finalizada com uma puxada de rede repleta de peixes: “Ê... tem jangada no mar / ê, iê, ê / hoje tem arrastão / ê, todo mundo pescar / (...) / nunca jamais se viu tanto peixe assim...”

“Arrastão” funcionou como uma espécie de divisor de águas entre a bossa nova e um tipo de música inicialmente chamada de “música popular moderna”, ou MPM. Esta sigla depois seria impropriamente trocada por MPB, mas MPB sempre foi e continuaria sendo usada como designativa de música popular brasileira, não importando se moderna ou antiga (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Arrastão (canção, 1965) - Edu Lobo e Vinícius de Moraes

Tom: Am9
Am9                D7/9

Ê, tem jangada no mar

Am9 D7/9

Ê, ê, ê, hoje tem arrastão

Bm7 E7

Ê, todo mundo pescar

C7M D7/9

Chega de sombra, João

G7M

Jovi

F7M G7M

Olha o arrastão entrando no mar sem fim

F7M G7M

É, meu irmão, me traz Iemanjá prá mim

C7 Dm D/C

Minha Santa Bárbara

G/B

Me abençoai

Gm/Bb Dm/A Dm/F Gm7

Quero me casar com Janaína

Am9 D7/9

Ê, puxa bem devagar

Am9 D7/9

Ê, ê, ê, já vem vindo o arrastão

Bm7 E7

Ê, é a rainha do mar

C7M D7/9

Vem, vem na rede João

G7M

Prá mim

F7M G7M

Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim

F7M G7M

Nunca jamais se viu tanto peixe assim

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