terça-feira, 2 de maio de 2006

Atire a primeira pedra

Ataulfo Alves
Em 1944, Ataulfo Alves e Mário Lago voltam a reinar no carnaval, com o samba "Atire a Primeira Pedra", que nada fica a dever ao grande sucesso da dupla, "Ai, que saudades de Amélia". Reproduzindo no título a sentença bíblica - que já denominara no Brasil um filme com Marlene Dietrich e um programa do radialista Raimundo Lopes -, este samba trata do apelo veemente de reconciliação de um amante que não teme ser chamado de covarde: "Covarde sei que me podem chamar / porque não calo no peito esta dor / atire a primeira pedra, ai, ai, ai / aquele que não sofreu por amor".

Cantado por Emilinha Borba no filme "Tristezas não pagam dívidas" e lançado em disco por Orlando Silva às vésperas do carnaval, "Atire a Primeira Pedra" foi fazer sucesso quando Mário Lago já não mais esperava. É o próprio Mário que relembra: "Na época eu estava trabalhando na Rádio Panamericana, em São Paulo, então recém-inaugurada, e vim de trem para o Rio na manhã do sábado gordo. Logo no percurso para casa, fui encontrando diversos blocos que cantavam "Atire a primeira pedra". Surpreso, perguntei ao motorista do táxi se aquele samba estava fazendo sucesso. E ele respondeu, 'É verdade, estourou esta semana'. Então, larguei as malas em casa e corri para o Café Nice, onde fui recebido por um Ataulfo eufórico: 'Parceiro, estamos outra vez na boca do povo...'. Foi a única ocasião na vida em que vi o Ataulfo de pilequinho". Por sua ótima letra e, principalmente, pela beleza de sua melodia, "Atire a Primeira Pedra" é um dos melhores sambas carnavalescos de todos os tempos.

Atire a primeira pedra (samba, 1944) - Ataulfo Alves e Mário Lago

Disco 78 rpm / Título da música: Atire a primeira pedra / Autoria: Alves, Ataulfo, 1909-1969 (Compositor) / Lago, Mário, 1911-2001 (Compositor) / Silva, Orlando (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 27/12/1943 / Nº Álbum 12417 / Gênero musical: Samba

D                      G/A     D 
Covarde eu sei me que podem chamar 
                     B7        Em 
Porque não calo no peito esta dor 
                             A7 
Atire a primeira pedra ai,ai,ai 
  Em7              A7       D 
Aquele que não sofreu por amor 
    A7                            D 
Eu sei que vão censurar o meu proceder 
   F#7 
Eu sei, mulher 
                      Bm 
Que você mesma vai dizer 
            G             D 
Que eu voltei pra me humilhar 
                 E7 
É, mas não faz mal 
                 Em   A7 
Você pode até sorrir 
   Em                A7       D 
Perdão foi feito pra gente pedir 
   Em                A7       D 
Perdão foi feito pra gente pedir


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
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