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sábado, 22 de outubro de 2022

Quando é noite de lua

Quando é noite de lua (frevo, 1945) - Capiba - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Quando é noite de lua / Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Nº do Álbum: 800352 / Nº da Matriz: S-078300-1 / Data de Gravação: 02/10/1945 / Data de Lançamento: Dezembro/1945 / Lado A / Gênero musical: Frevo / Carnaval.



Quando é noite de lua
Lá no bairro onde moro
Vou pra rua cantando
Para alguém que tanto adoro

Eu pensei que esse alguém
Ao ouvir meu cantar
Vem sozinha a janela
Para de perto me olhar

Esse alguém de quem falo
Partiu o meu coração
Chega e sai da janela
Sem me dar explicação

Mas um dia hei de ter
Tudo isso acaba
Ela então nos meus braços
Para eu de novo cantar

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Não aguento mais

Não aguento mais (frevo-canção, 1944) - Capiba - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Não aguento mais / Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba) (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Orquestra Zaccarias (Acomp.) / Gravadora RCA Victor / Número do Álbum: 800234 / Data de Gravação: 19/09/1944 / Data de Lançamento: 12/1944 / Lado: A / Gênero musical: Frevo-canção / Carnaval



Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

Não aguento mais
Frevo assim é bom
Mas já é demais
Quem quiser que eu fique
Nesta confusão
Me segure, me segure
Senão eu vou ao chão!

Morena que vem de outras terras
Porque tu não entra no frevo
É bom demais
E se tem bate-bate a onda
Começa pra frente, pra trás
Quando chega meia-noite
Não aguento mais!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Valsa verde

Capiba
Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba (Surubim PE 28/10/1904 - Recife PE 31/12/1997), filho de um mestre de banda, viveu e respirou música desde a infância. Começou a trabalhar como pianista, ainda garoto em Campina Grande-PB. Depois de uns poucos anos em João Pessoa, onde completou o curso médio, e também trabalhou como músico.

Foi morar no Recife em 1930, quando passou num concurso para o Banco do Brasil, emprego que lhe daria segurança econômica para dar vazão ao seu enorme talento como compositor.

Em 1931 teve seu nome reconhecido como compositor, e músico da Jazz Band Acadêmica, na capital pernambucana, com Valsa verde (feita em parceria com Ferreira dos Santos).

Valsa verde (valsa, 1932) - Capiba (música) e Ferreira dos Santos (letra) - Interpretação: Sílvio Salema

Disco 78 rpm / Título da música: Valsa verde / Lourenço da Fonseca Barbosa "Capiba" (Compositor) / Ferreira dos Santos (Compositor) / Sílvio Salema (Intérprete) / Orquestra Guanabara (Acomp.) / Gravadora: Parlophon / Gravação: 1932 / Lançamento: 1932 / Nº do Álbum: 13392 / Nº da Matriz: 131359 / Gênero musical: Valsa / Coleção de origem: Nirez D



Interpretação de Paulinho da Viola e acompanhamento de Raphael Rabello


Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és e te recordo
E te desejo tanto
Pra ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...

E a minha vida desde então
Se transformou pela ilusão
Do teu olhar
Foste a quimera que fugiu
Deixando em mim como perfume
De um amor cruel
Que no meu tristonho coração
Fez palpitar a canção verde
Dessa ilusão que eu quis compor
Pensando em ti, pensando em ti
No meu amor, sim
No nosso amor...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Pelos meus olhos tristes
Nunca percebia
Não sei quem és
E te recordo
E te desejo tanto
Para a ilusão de minha vida...

Não sei bem quem és
Mas sei que entraste em meu olhar
Como na sombra entra uma réstia
De excelsa luz
Que o meu sonho de amor
De verde iluminou
Depois o anseio
Que em mim ficou...



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Nelson Ferreira


Nelson Ferreira (Nelson Heráclito Alves Ferreira), o Moreno Bom, nasceu em 9/12/1902 na cidade de Bonito, PE, filho de vendedor de jóias e violonista amador e de professora primária. Aprendeu violão, piano e violino e já aos 14 anos compôs sua primeira música, a valsa Vitória, a pedido da Companhia de Seguros Vitalícia Pernambucana. Daí em diante mais valsas, foxes, tangos, canções, vindo a especializar-se no frevo.


Ainda jovem tocou em pensões alegres, cafés, saraus e nos famosos cinemas Royal e Moderno do Recife. Foi o pianista mais ouvido na época do cinema mudo. Nos primeiros anos do rádio foi convidado pelo pioneiro Oscar Moreira Pinto para ser o diretor-artístico da Rádio Clube de Pernambuco, onde, além de compor, fundou vários grupos e orquestras e apresentou os mais variados programas, atingindo, com o seu talento e versatilidade, todas as camadas sociais.

Formou a partir dos anos 40 uma Orquestra de Frevos, cuja fama extrapolou as fronteiras pernambucanas, conseguindo sucesso nacional. Também foi homem do disco, na função de diretor-artístico da Fábrica Rosenblit, selo Mocambo, instalada nos anos 50 no Recife, então a única gravadora fora do eixo São Paulo-Rio.

Seu sorriso aberto e franco, sua bondade, seu espírito nativo e criativo, valeram-lhe muitos amigos em todos os segmentos. Alguns até se tornariam seus parceiros musicais: Sebastião Lopes (o bom Sebastião), Ziul Matos, Aldemar Paiva e tantos outros famosos na radiofonia pernambucana. Compôs sete Evocações, apreciadas em todo o Brasil nas quais homenageou carnavalescos, velhos companheiros, jornalistas e imortais da poesia como Manuel Bandeira, e artistas da dimensão de Ataulfo Alves, Lamartine Babo, Francisco Alves, entre outros.

Nelson é um dos nordestinos que possui maior número de músicas gravadas dentro da discografia nacional, embora grande parte seja desconhecida do resto do Brasil. Sua produção, ao lado da de outros pernambucanos, como Raul e Edgar Morais, Zumba, Levino Ferreira, Irmãos Valença, Luiz Gonzaga e Capiba, e outros mais, é de importância enorme no estudo das manifestações músico-sócio-culturais da região.

Teve sua primeira música gravada, em ritmo de samba, Borboleta não é ave, no Odeon 122.381, pelo Grupo do Pimentel, concomitantemente pelo cantor Bahiano, no Odeon 122.384, como marcha, ambos os registros para o Carnaval de 1923.

No final dos anos 20 suas músicas são constantemente gravadas no Sul pelos artistas mais famosos: Francisco Alves, Almirante, Carlos Galhardo, Araci de Almeida, Joel e Gaúcho, Augusto Calheiros, Minona Carneiro, e, nos anos seguintes, por Dircinha Batista, Nelson Gonçalves, várias orquestras, além de intérpretes pernambucanos do maior valor, no Recife, como Claudionor Germano e Expedito Baracho.

Sua importância como autor vai além dos frevos, já que compôs valsas tão aplaudidas na região quanto as vienenses, que lhe valeram do escritor Nilo Pereira estas palavras: “Feiticeiro do piano, fixador dum tempo que as suas valsas revivem como se estivessem falando. Se meia-hora antes de sair o meu enterro tocarem as valsas de Nelson, velhas valsas tão íntimas do meu mundo, irei em paz, sonhando.”

Sua projeção nacional evidenciou-se de forma efetiva em 1957 através de sua Evocação nr. 1, frevo de bloco sucesso no Carnaval de todo o país, no qual resgata com saudade momentos inesquecíveis do Carnaval do Recife: “Felinto, Pedro Salgado/Guilherme Fenelon/Cadê seus blocos famosos?...”

A Mocambo, em 1973, resgatou em 4 LPs uma produção de 50 anos do querido maestro, abrangendo valsas e frevos de rua, de bloco e canção, coletânea documental que é um retrato da própria história sócio-cultural de Pernambuco. Em sua extraordinária obra, Nelson fez adivinhações, brincou de Boca de Forno, de Coelho Sai, fez evocações, cantou a sua Veneza Americana e seus tipos populares, registrou a Revolução de 30 e a Segunda Guerra Mundial, os momentos românticos, alegres e tristes, disse da natureza humana, da tradição e dos costumes de sua gente.

Antes de falecer fez questão de demonstrar a enorme gratidão que sentia pela cidade que o fez seu cidadão. “Olhar meu Recife/Amar a sua gente/Que a graça da bondade sempre me concedeu/Vivendo um mundo assim/De ternura e de beleza/Quanto é bom envelhecer/Assim como eu”. Ainda em vida foi homenageado por governadores, prefeitos, clubes e entidades, tendo recebido a condecoração presidencial de Oficial da Ordem do Rio Branco.

Casado desde 1926 com D. Aurora, sua musa inspiradora durante toda a vida, confessava que os maiores orgulhos de sua vida eram ser pernambucano e poder despertar para Aurora. Foram anos e anos de doce felicidade com o filho e depois os netos no antigo casarão da avenida Mário Melo, onde se encontra a praça Nelson Ferreira com seu busto.

Veio falecer em 21.12.1976, com 74 anos. Foi velado na Câmara Municipal e fez o itinerário em direção á última morada nos braços do povo e ao som dos seus frevos e evocações. O maestro Vicenti Fittipaldi declarou de certa feita: “Ele era como Mário Melo, Ascenso Ferreira, Valdemar de Oliveira, uma das instituições da cidade. Era, com sua música, aquilo que Garrincha foi com o seu futebol, a alegria do povo. Tenho plena convicção de que daqui a duzentos anos Gostosão e a Evocação serão tocados e cantados pela gente do Recife. Não serão mais de Nelson Ferreira, serão folclore, serão como Casinha Pequenina, Prenda Minha e o Meu Limão, Meu Limoeiro, que, sem dúvida, também tiveram um autor”.

Quando seus olhos se cerraram pela última vez, escreveu Gilberto Freyre no Diário de Pernambuco: “O vazio que deixa é o que nos faz ver como era grande pela sua música, pelo seu sorriso, pela sua fidalguia de pernambucano.”


Fonte: Renato Phaelante da Câmara

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Serenata suburbana

Capiba
A princípio, “Serenata Suburbana” era uma valsa seresteira que Orlando Correia gravou em 1955, sem o menor sucesso. Quatro anos depois, Paulo Molin, que havia sido menino prodígio cantando nas rádios de Recife, relançou-a em ritmo de guarânia, muito em moda na ocasião (“Levo a vida em serena-a-ta/ somente a cantar...”). Em seguida, virou sucesso na voz de Dalva de Andrade, cantora que aparecia como uma espécie de sucessora, pelo estilo, de sua xará Dalva de Oliveira. Daí em diante esta guarânia pernambucana se internacionalizou, ganhando letra em espanhol de Aristides Valdez.

Serenata Suburbana (guarânia, 1960) - Capiba - Intérprete: Dalva de Andrade

Disco 78 rpm / Título da música: Serenata suburbana / Capiba (Compositor) / Andrade, Dalva de (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1960 / Nº Álbum 14620 / Gênero musical: Guarânia.

Bm                       F#7
Levo a vida em serenata
              Bm   F#7    Bm
Somente a cantar
                Bm
Quem não me conhece
D               C#7
Tem a impressão
                    F#7
De que eu sou tão feliz...
                Bm    F#7
Mas não é isso não, não...
Bm                     F#7
Se eu canto em serenata
               B   G#m  C#m  F#7
É para não chorar
B                                          F#7
Ninguém sabe a dor que eu sinto dentro de mim
                                          B
Ninguém sabe porque eu vivo tão triste assim
               G#7            C#m
Se eu fosse realmente muito feliz
Em                   Bm
Não chorava em todo canto
               F#7             Bm
Nem cantava para abafar meu pranto.
F#7                       B
Hum, hum, hum, hum, hum, hum
F#7                       B   Bm
Hum, hum, hum, hum, hum, hum


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

quarta-feira, 14 de junho de 2006

A mesma rosa amarela

Carlos Pena Filho
“O poeta Carlos Pena Filho me deu uma letra para eu usá-la num frevo” — relembrava Capiba —, “mas achei a letra bonita demais para música de carnaval, que é passageira. Então, preferi usá-la num samba.” Deu certo, pois com aqueles versos (“Você tem quase tudo dela / o mesmo perfume, a mesma cor / a mesma rosa amarela / só não tem o meu amor”), Capiba fez um samba moderno, estilo bossa nova, que seria sucesso nacional.

Infelizmente, Carlos Pena Filho não conheceu este sucesso. Em 27 de junho de 1960, um carro em que viajava em companhia do político Moura Cavalcanti foi violentamente abalroado numa rua de Recife por um ônibus dirigido por um bêbado. Atingido na cabeça, Carlos entrou em coma, morrendo quatro dias depois, aos 31 anos de idade (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

A mesma rosa amarela (samba, 1962) - Capiba e Carlos Pena Filho - Intérprete: Maysa

LP Canção do Amor mais Triste / Título da música: A mesma rosa amarela / Carlos Pena Filho (Compositor) / Capiba (Compositor) / Maysa (Intérprete) / Gravadora: RGE / Ano: 1962 / Álbum: XRLP 5180 / Gênero musical: Samba.

Tom: A#  

     Gm
Você tem quase tudo dela
 Cm
O mesmo perfume
         Ab7+      Am5-/7 D7 Gm
A mesma cor, a mesma rosa amarela
 C          Eb        Am5-/7 D7/9+
Só não tem o meu amor
                   Cm
Mas nestes dias de carnaval
            D7          Gm
Para mim você vai ser ela
        Am5-/7   D7       Gm
O mesmo perfume, a mesma cor
 Eb             Am5-/7 D7
A mesma rosa amarela
                  Gm
Mas não sei o que será
Cm                 F7
Quando chegar a lembrança dela
        Bb7+     Eb
E de você apenas restar
  Gm      Eb       C
A mesma rosa amarela
  Eb       D7     Gm
A mesma rosa amarela

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Maria Bethânia

Raros são os compositores brasileiros que, vivendo fora do eixo Rio-São Paulo, tornam-se conhecidos nacionalmente. Uma exceção é o pernambucano Capiba ou Lourenço da Fonseca Barbosa (na foto), autor de frevos, maracatus e muitas canções bonitas como "Maria Bethânia".

Esta composição, cuja história tem aspectos pitorescos, foi feita em 1943, por encomenda de Hermógenes Viana, diretor do Teatro dos Bancários, grupo que ensaiava na ocasião a peça "Senhora de Engenho", de Mário Sette.

Tendo como motivo Maria da Bethânia, heroína da peça, a canção deveria ser apresentada num ato de variedades, criado por Hermógenes para complementar o espetáculo. Pouco faltou, porém, para Capiba não atender ao pedido, pois só conseguiu concluir a canção na véspera da estreia, quando reduziu o nome da moça, que não se encaixava na melodia, para Maria Bethânia.

Mal apresentada no palco, "Maria Bethânia" teve melhor sorte dois anos depois, quando Nelson Gonçalves, em temporada em Recife, cantou-a no rádio e acabou gravando-a. Esta gravação, aliás, só aconteceu por insistência de um lojista pernambucano, que se comprometeu junto à RCA a comprar um mínimo de duzentos discos. Então, a composição tornou-se um clássico, popularizando o nome, que inspiraria o surgimento de muitas Marias Bethânias, inclusive a cantora, assim batizada por insistência de seu irmão, Caetano Veloso, admirador da canção.

Inspiraria ainda a paixão de um marinheiro americano que, em noite de bebedeira, fez o disco tocar dezenas de vezes consecutivas na eletrola do Bar Gambrinus, na zona portuária de Recife. Resultado da brincadeira: frequentadores da casa surraram o marinheiro e arrebentaram a eletrola.

Maria Bethânia (canção, 1945) - Capiba - Interpretação: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Maria Betânia (*) / Capiba, 1904-1997 (Compositor) / Nelson Gonçalves, 1919-1998 (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 27/04/1945 / Lançamento: 08/1945 / Nº do Álbum: 80-0301 / Nº da Matriz: S-078168-1 / Gênero musical: Valsa canção

          Em                Gbm7/-5    B7         Em   E7
Maria Bethânia / Tu és para mim a senhora do engenho
             Am              Bm7/-5
Em sonhos te vejo / Maria Bethânia,
                                          E7             Am    
                                       és tudo o que eu tenho
   Am7       Gbm7/-5      B7        Em    Em/D
Quanta tristeza          sinto no peito
            Gb7                      B7
Só em pensar que o meu sonho foi desfeito

          Em              Gbm7/-5   B7         Em    E7
Maria Bethânia / Tu lembras ainda daquele São João
          Am                   Bm7/-5     E7     Am   Am7
As minhas palavras caíram bem dentro do teu coração
        Gbm7/-5    B7       Em      Em/D
Tu me olhavas        com emoção
         Gb7                      B7
E sem querer, pus minha mão na tua mão
         Em                Gbm7/-5   B7         Em    E7      
Maria Bethânia / Tu sentes saudade de tudo, bem sei
                  Am     Bm7/-5      E7          Am 
Porém também sinto saudade do beijo que nunca te dei   
Am7        Gbm7/-5     B7       Em         Em/D
Beijo que vive         com esplendor
               Gb7                     B7
Nos lábios meus  para aumentar a minha dor

          Em           Gbm7/-5      B7         Em    E7
Maria Bethânia / Eu nunca pensei acabar tudo assim
          Am             Bm7/-5        E7         Am
Maria Bethânia / Por Deus eu te peço tenha pena de mim
Am7       Gbm7/-5   B7         Em    Em/D
Hoje confesso         com dissabor
     Gb7    B7                Em   Am  Em
Que não sabia     nem conhecia o amor
(*) Nesta primeira gravação Bethânia sem o "h" no rótulo do disco.


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

sábado, 8 de abril de 2006

Capiba

Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba, compositor e instrumentista, nasceu em Surubim PE (28/10/1904) e faleceu no Recife (31/12/1997). Filho do maestro Severino Atanásio de Sousa Barbosa, que era compositor, cantor e diretor de várias bandas musicais, tinha doze irmãos, que, como ele, aprenderam com o pai, e dois dos quais também se tornariam compositores de frevos: José Mariano (Marambá) e Hermann Barbosa. No mesmo ano em que nasceu, a família mudou-se para Recife, depois para Carpina PE, e em 1913 para Taperoá PB.


Por essa época já se dedicava à música, tocando trompa e participando, junto com os irmãos, da banda Lira de Borborema, dirigida pelo pai. Um ano mais tarde, a família mudou-se novamente, instalando-se em Campina Grande PB, onde o maestro Severino foi dirigir a Charanga Afonso Campos. Nessa época, a família já era chamada pelo apelido de Capiba ("jumento", no Nordeste), que provavelmente se originou com o avô, conhecido por sua pequena estatura e teimosia.

Aos 16 anos, aprendeu rapidamente algumas valsas ao piano, para substituir sua irmã Josefa como pianista do Cine Fox, de Campina Grande. Daí em diante, passou a dividir seu tempo entre o piano e o futebol, no qual chegou a se destacar, integrando times profissionais da cidade (América e Campinense Clube). Aos 20 anos, foi obrigado pela família a trocar a música e o futebol pelos estudos, viajando para João Pessoa PB, onde se matriculou num liceu.

Enfrentando a opinião dos pais, no mesmo ano teve sua primeira composição editada, a valsa Meu destino, e em 1925 empregou-se como pianista do cinema Rio Branco. Depois de fundar uma orquestra de baile, para atuar no Clube Astréia, e um conjunto, o Jazz Independência, venceu em 1929, com o tango Flor das ingratas, um concurso patrocinado pela revista Vida Doméstica, do Rio de Janeiro, que o publicou em fevereiro do ano seguinte.

Em 1930 participou do concurso carnavalesco da Casa Edison, classificando-se em quarto lugar com seu samba Não quero mais (com João Santos Coelho Filho), gravado para o Carnaval desse ano por Francisco Alves. Foi sua primeira música gravada com o pseudônimo de José Pato. No mesmo ano, deixou João Pessoa, seguindo para Recife, onde havia entrado, por concurso, no Banco do Brasil; mas não deixou a música, fundando a Jazz-Band Acadêmica, formada por estudantes universitários, e que destinava à Casa do Estudante Pobre toda a renda auferida em bailes.

Em 1932 compôs a Valsa verde (com Ferreira dos Santos), apresentada pela Jazz-Band Acadêmica na festa de formatura dos alunos de medicina. A orquestra, da qual era regente e pianista, tornou-se uma das mais famosas de Recife, apresentando-se também em outros Estados. A experiência ao lado dos acadêmicos fez com que se interessasse em cursar direito, sem deixar de lado a música e o trabalho no banco. Ainda em 1932 compôs, com Ascenso Ferreira, o maracatu É de tororó, que, depois de se tornar um sucesso em Recife, foi levado para o Rio de Janeiro RJ, sendo incluído numa revista de Jardel Jércolis, que excursionou pelo Brasil, Espanha e Portugal. No ano seguinte, apresentado no Rio de Janeiro pela Jazz Band Acadêmica, esse maracatu transformou-se em sucesso carnavalesco.

Em 1934 lançou-se como compositor de frevos, com É de amargar, inscrito no concurso promovido pelo Diário de Pernambuco, em que obteve o primeiro lugar; gravado por Mário Reis, consagrou-se no gênero. Em 1936 seu frevo-canção Manda embora essa tristeza foi gravado na Victor por Araci de Almeida. Dois anos depois, formou-se na Faculdade de Direito de Recife e venceu um concurso de tangos na Paraíba. Em 1939, ainda na Paraíba, conquistou o primeiro lugar num concurso de frevos.

Em 1943 compôs a canção Maria Bethânia, feita para a peça Senhora de Engenho, de Mário Sette, dirigida por Hermógenes Viana e encenada pelo Teatro do Sindicato dos Bancários. No ano seguinte, a canção foi gravada por Nelson Gonçalves, na Victor, e se tornou conhecida em todo o país.

Por 1947-1948, compôs uma série de músicas para peças teatrais, na época em que os escritores Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna fundaram o Teatro de Estudantes de Pernambuco e, mais tarde, o Teatro Popular do Nordeste, do qual foi presidente.

Do final da década de 1940 até meados da década de 1960, compôs músicas para as peças Haja pau (de José de Morais Pinho) e Mãe da lua (de Hermilo Borba Filho), para o Teatro de Bonecos; Amor de dom Perlimpim com Belisa em seu jardim (de Federico García Lorca), para o Teatro de Estudantes de Pernambuco; A pena e a lei (de Ariano Suassuna), Mandrágora (de Maquiavel), Viola do Diabo (da pintora Ladjane), encenadas pelo Teatro Popular do Nordeste; e O coronel de Macambira (de Joaquim Cardoso), pelo Teatro do Ministério da Educação e Saúde. Também musicou vários poemas de autores brasileiros, como, em 1948, Garça triste, de Castro Alves.

Em 1949 conheceu o maestro Guerra-Peixe, quando este foi trabalhar na Rádio Clube do Recife. Com ele estudou harmonia e composição erudita, passando a compor um concerto para piano, outro para flauta, um trio para violão, violino e celo, e uma suíte para piano, orquestrada por Guerra-Peixe. Seu concerto para flauta, dedicado a Esteban Estter, foi executado pelo próprio flautista no Brasil, Uruguai, Chile, Argentina e França.

Em 1950, no concurso da prefeitura de Recife para a comemoração do primeiro centenário do Teatro Santa Isabel, vencido por Guerra-Peixe, obteve o segundo lugar com uma abertura solene para orquestra sinfônica. No mesmo ano compôs o Maracatu elefante, mais tarde gravado na França. Também musicou, cinco anos depois, os versos de Alphonsus de Guimaraens, Ismália.

Em 1957 compôs, para o Carnaval, o maracatu Nação Nagô. Por essa época, já se dedicava também à pintura, nas horas vagas. Em 1963 musicou os versos de Vinícius de Moraes, Soneto da fidelidade, e, em 1964, alcançou em todo o Brasil seu maior sucesso da década, com o samba-canção A mesma rosa amarela (letra do poeta pernambucano Carlos Pena Filho).

Dois anos depois, sua composição Dia de festa ficou entre as finalistas do I FIC, da TV-Rio, do Rio de Janeiro. No ano seguinte, no II FIC, da TV Globo, obteve o quinto lugar e medalha de ouro com seu samba-baião São os do Norte que vêm, com letra de Ariano Suassuna. No mesmo ano participou do II Festival de Músicas de Carnaval, patrocinado pela Secretaria de Turismo do Rio de Janeiro, com o frevo-canção Europa, França e Bahia.

Em 1968 concorreu no III FIC com A cantiga de Jesuíno (letra de Ariano Suassuna) e o samba-afro Por causa de um amor. Compôs ainda diversas canções e músicas para a Orquestra Armorial de Pernambuco, como Sem lei nem rei, e para o Quarteto Armorial, como Toada e desafio.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.