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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Ninguém vem ouvir meus ais

Ninguém vem ouvir meus ais (samba, 1942) - Nássara e J. Cascata - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: Ninguém vem ouvir meus ais / Antônio Gabriel Nássara (Compositor) / J. Cascata (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Número do Álbum 34959 / Nº da matriz: S-052559 / Data de Gravação 23/06/1942 / Data de Lançamento Setembro/1942 / Lado B / Gênero musical: Samba.



Ò...ninguém para assistir
Ninguém para ouvir
Os meus doídos ais
Deus sereno e justiceiro
Faz um favor derradeiro
Quero ter a consciência em paz

Sou culpado na verdade
De toda a infelicidade
Mas não pensei no que fiz
Pois, quem erra e se condena
Não merece ter a pena
De viver sempre infeliz

Certas coisas acontecem
Que nem se pode explicar
Por que foi que nós brigamos
Se eu não queria brigar
Hoje estamos separados
Cada qual sofrendo mais
Vivendo bem desgraçados
Ninguém vem ouvir meus ais

Sou culpado na verdade
De toda a infelicidade
Mas não pensei no que fiz
Pois, quem erra e se condena
Não merece ter a pena
De viver sempre infeliz

Certas coisas acontecem
Que nem se pode explicar
Por que foi que nós brigamos
Se eu não queria brigar
Hoje estamos separados
Cada qual sofrendo mais
Vivendo bem desgraçados
Ninguém vem ouvir meus ais,/i>

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Mágoas de caboclo

Mágoas de caboclo (canção, 1936) - J. Cascata e Leonel Azevedo - Intérprete: Nelson Gonçalves

LP Cabocla - Trilha Sonora da Novela da Rede Globo / Título da música: Mágoas de Caboclo / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Leonel Azevedo (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora: Som Livre / Ano: 1979 / Nº Álbum: 403.6187 / Lado A / Faixa: 6 / Gênero musical: Canção


----Am7------ E7------------- Am7
Cabocla seu olhar está me dizendo
----------C7 --------------F7
Que você está me querendo
------------------------E7----- A7
Que você gosta de mim
--------Dm7 ------Dm ----------Am7
Cabocla, não lhe dou meu coração
-------------------------B7
Hoje você me quer muito
---------E7 ---------------Am--- E7-- Am --F7
Amanhã não quer mais não


----------E7----------------------- Am
Não creio mais em amor nem amizade
----------------------E7----------------------- Am------ A7
Vivo só para a saudade que o passado me deixou

Dm7 --------------------------Am
A vida para mim não vale nada
-----------------------------Bb
Desde o dia em que a malvada
----------E7------------- Am----- E7
O coração me estraçalhou


--------Am-------- E7--------- Am
Às vezes pela estrada enluarada
-----------C7--------- F7---------------------- E7----- A7
Julgo ouvir uma toada que ela para mim cantava
------Dm7---------------------- Am7
Quando eu era feliz e não pensava
-------------------------------B7
Que a desgraça em minha porta
------------E7----------- Am
Passo a passo me rondava


----E7---------------------------- Am
Depois que ela partiu eu fiquei triste
------------F -----------E7
Nada mais pra mim existe
----------------------Am-------- A7
Vivo no mundo a penar
--------Dm7-------------------------- Am
E quando eu penso nela oh grande Deus

-----------------------Bb---- E7 ---Am
Eu sinto nos olhos meus triste lágrima a rolar

História joanina

História joanina (seresta, 1946 ) - Leonel Azevedo e J. Cascata - Intérprete: Nelson Gonçalves

Disco 78 rpm / Título da música: História joanina / J. Cascata (Compositor) / Leonel Azevedo (Compositor) / Nelson Gonçalves (Intérprete) / Gravadora RCA Victor / Número do Álbum: 800413 / Matriz: S 078453 / Data de Gravação: 25/03/1946 / Data de Lançamento: 1946 / Lado A / Gênero musical: Seresta



Foi uma noite de São João
Junto à fogueira
Que eu conheci a cabocla
Mais bela deste sertão
Seus olhos negros me olhavam
De tal maneira
Que não mais teve sossego
O meu pobre coração

Ajoelhei-me e implorei
Em doce prece
Que São João me fizesse
Feliz, junto ao meu amor
Que essa cabocla
Nunca mais me abandonasse
E que junto a mim ficasse
Me querendo com fervor

Mas, no outro dia, ela fez um juramento
Que jamais outro no mundo, o seu coração teria
Mas foi ingrata, lançou-me no esquecimento
Prendeu-se a outro caboclo
Só pra ver meu sofrimento

E agora, quando São João já vem chegando
Minh'alma fica penando
Nesta fria soledade
E São João, que a minha prece
Não ouviste
Vê, como me encontras triste
Soluçando de saudade

sábado, 15 de março de 2008

História de amor

Orlando Silva
História de amor (samba-canção, 1938) - J. Cascata e Humberto Porto - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: História de amor / Humberto Porto (Compositor) / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 17/03/1938 / Lançamento: 03/1938 / Nº do Álbum: 34305 / Nº da Matriz: 80700-1 / Gênero musical: Samba canção


Quanta saudade existe
Na melodia triste
De um samba-canção
Desses que nascem
Em noite de lua
No silêncio vago da rua
Como um sussurro de oração.


O samba é bem uma história de amor
De um trovador
Em serenata
Que a sua dor consola
Nas cordas de uma viola
Quando a saudade o maltrata.



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 11 de março de 2008

História joanina

Orlando Silva
História Joanina (canção, 1936) - J. Cascata e Leonel Azevedo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: História joanina / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Leonel Azevedo (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 20/04/1936 / Lançamento: 06/1936 / Nº do Álbum: 34067 / Nº da Matriz: 80162-1 / Gênero musical: Canção


Foi uma noite de São João
Junto à fogueira
Que eu conheci a cabocla
Mais bela deste sertão
Seus olhos negros me olhavam
De tal maneira
Que não mais teve sossego
O meu pobre coração


Ajoelhei-me e implorei
Em doce prece
Que São João me fizesse
Feliz, junto ao meu amor
Que essa cabocla
Nunca mais me abandonasse
E que junto a mim ficasse
Me querendo com fervor

Mas, no outro dia, ela fez um juramento
Que jamais outro no mundo, o seu coração teria
Mas foi ingrata, lançou-me no esquecimento
Prendeu-se a outro caboclo
Só pra ver meu sofrimento

E agora, quando São João já vem chegando
Minh'alma fica penando
Nesta fria soledade
E São João, que a minha prece
Não ouviste
Vê, como me encontras triste
Soluçando de saudade



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Meu romance

J. Cascata
Meu Romance (samba, 1938) - J. Cascata - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Meu romance / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 17/03/1938 / Lançamento: 05/1938 / Nº do Álbum: 34308 / Nº da Matriz: 80701-1 / Gênero musical: Samba canção


Embaixo daquela jaqueira / Que fica lá no alto, majestosa
De onde se avista a turma da Mangueira
Quando se engalana com suas pastoras formosas
Ai, foi lá, quem é que diz / Que o nosso amor nasceu

Na tarde daquele memorável samba / Eu me lembro
Tu estavas de sandália / Com teu vestido de malha
No meio daqueles bambas / Nossos olhares cruzaram
E eu para te fazer a vontade / Tirei fora o colarinho
Passei a ser malandrinho / Nunca mais fui à cidade

Pra gozar do teu carinho / Naquela tranquilidade
E hoje faço parte da turma / No braço trago sempre o paletó
O lenço amarrado no pescoço / Eu já me sinto um outro moço
Com meu chinelo Charlote / E até faço valentia
E tiro samba de harmonia



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Lábios que beijei

 Leonel Azevedo
É em 1937 que Orlando Silva se impõe como cantor, igualando-se aos maiores rivais. Para isso, concorre decisivamente sua gravação de "Lábios que Beijei", valsa de enorme sucesso num ano pródigo no gênero.

O disco que tinha na outra face o samba Um juramento falso, a composição jamais encontrou outro intérprete tão perfeito quanto Orlando, então com 22 anos. É tamanha sua integração na história-ação, que se poderia simbolicamente considerá-lo parceiro na autoria de Cascata e Azevedo. Aliás, essa dupla deve boa parte de seu êxito a que lançou várias de suas músicas.

O disco inicial de "Lábios que Beijei” com arranjo de Radamés Gnattali, destacando o naipe de cordas, movendo esse tipo de orquestração, que se tornaria a partir de então obrigatória na gravação do repertório romântico brasileiro.

Lábios que beijei (valsa, 1937) - J. Cascata e Leonel Azevedo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Lábios que beijei / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Leonel Azevedo (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/03/1937 / Lançamento: 03/1937 / Nº do Álbum: 34157 / Nº da Matriz: 80328-1 / Gênero musical: Valsa

D           G7          D               B7
Lábios que beijei   /      Mãos que afaguei
Em       A7      D      A7
Numa noite de luar, assim,
  D           E7            A                Gb7
O mar na solidão bramia  /   E o vento a soluçar, pedia
  Bm         E7          A7
Que fosses sincera para mim.

   D     G7        D                   B7
Nada tu ouviste    /     E logo que partiste
    Em          A7       D7
Para os braços de outro amor.
G         Ab0              D               B7
Eu fiquei chorando    /    Minha mágoa cantando
Em            A7        D      Gb7
Sou estátua perenal da dor.

 Bm          B7                  Em
Passo os dias soluçando com meu pinho
Gbm
Carpindo a minha dor, sozinho
Bm
Sem esperanças de vê-la jamais
           Bm6             Gbm
Deus tem compaixão deste infeliz
Db7
Porque sofrer assim
Em      Gb7
Compadei-vos dos meus ais.
Bm                        Em
Tua imagem permanece imaculada
Gb7                           Bm
Em minha retina cansada  /  De chorar por teu amor.
  Em                     Bm
Lábios que beijei   /   Mãos que afaguei
G7       Gb7               Bm
Volta! dá lenitivo  à minha dor.


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Juramento falso

Orlando Silva
Juramento falso, Um (samba, 1937) - J. Cascata e Leonel Azevedo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Juramento falso / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Leonel Azevedo (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 15/03/1937 / Lançamento: 03/1937 / Nº do Álbum: 34157 / Nº da Matriz: 80327-1 / Gênero musical: Samba

Tom: E

         E7     A7
Um juramento falso  /
               D
Faz a gente sofrer
          Db7      
Um sorriso fingido /
                  Gbm
Dos lábios d’uma mulher
      G          Gm  
Quando se tem amizade /
  D                B7
Sofre-se dor de verdade
       E7              A7        D    D/Gb  F°
Sempre com os olhos fitos na felicidade.

        Em              A7                   D
E duro, é triste, é cruel / A dor de uma saudade
Gb7                                   B7
Quando se teve nas mãos  /   A felicidade
  (Bb7)            (Bb7)                       D
Foi um sonho que feneceu  /  Foi mais outra quimera
        B7     E7                 
Que se desfez     /  Eu já fiz um juramento
                 A7
E não amo outra vez.

 Em                    A7               D
Eu que sempre acreditei  /  Na possibilidade
    Gb7                                 B7
De ver passar este amor  /   Para a eternidade
(Bb7)                (Bb7)                     D
Quanto fui tolo, confesso  /  Isso é conto de fada
     E7                                                A7
É tapeação   /  O amor nunca existiu  / É interesse é ilusão


Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Mágoas de Caboclo

Orlando Silva
Mágoas de caboclo (canção, 1936) - J. Cascata e Leonel Azevedo - Intérprete: Orlando Silva

Disco 78 rpm / Título da música: Mágoas de caboclo / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Leonel Azevedo (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Conjunto Regional RCA Victor (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 1936 / Lançamento: 1936 / Nº do Álbum: 34067 / Nº da Matriz: 80164-1 / Gênero musical: Canção


----Am7------ E7------------- Am7
Cabocla seu olhar está me dizendo
----------C7 --------------F7
Que você está me querendo
------------------------E7----- A7
Que você gosta de mim
--------Dm7 ------Dm ----------Am7
Cabocla, não lhe dou meu coração
-------------------------B7
Hoje você me quer muito
---------E7 ---------------Am--- E7-- Am --F7
Amanhã não quer mais não

----------E7----------------------- Am
Não creio mais em amor nem amizade
----------------------E7----------------------- Am------ A7
Vivo só para a saudade que o passado me deixou

Dm7 --------------------------Am
A vida para mim não vale nada
-----------------------------Bb
Desde o dia em que a malvada
----------E7------------- Am----- E7
O coração me estraçalhou

--------Am-------- E7--------- Am
Às vezes pela estrada enluarada
-----------C7--------- F7---------------------- E7----- A7
Julgo ouvir uma toada que ela para mim cantava
------Dm7---------------------- Am7
Quando eu era feliz e não pensava
-------------------------------B7
Que a desgraça em minha porta
------------E7----------- Am
Passo a passo me rondava

----E7---------------------------- Am
Depois que ela partiu eu fiquei triste
------------F -----------E7
Nada mais pra mim existe
----------------------Am-------- A7
Vivo no mundo a penar
--------Dm7-------------------------- Am
E quando eu penso nela oh grande Deus

-----------------------Bb---- E7 ---Am
Eu sinto nos olhos meus triste lágrima a rolar



Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Minha Palhoça

Sílvio Caldas
Todas as delícias da vida campestre - o pomar, o riachão, a passarada, a fonte ao pé do monte - são aqui oferecidas à mulher amada, para ela trocar a cidade pelo sertão. Mas, por via das dúvidas, o convite é reforçado com a promessa de alguns bens da civilização - um rádio, uma Kodak... - pois, afinal, conforto nunca faz mal a ninguém.

Seguindo a linha "rancho-fundo", tão em moda na época, "Minha Palhoça" consagrou-se como um dos melhores sambas do gênero, enriquecendo simultaneamente o repertório de dois cantores: Luís Barbosa, que o popularizou no rádio, e Sílvio Caldas, que a gravou. Curiosa a história de Luís Barbosa. Considerado por muitos o grande sambista de sua geração, teve a carreira quase restrita ao rádio, gravando somente 21 discos.

Minha Palhoça (samba, 1935) - J. Cascata - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Minha palhoça / J. Cascata, 1912-1961 (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Choro Odeon (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 09/08/1935 / Lançamento: 10/1935 / Nº do Álbum: 11271 / Nº da Matriz: 5117 / Gênero musical: Samba Coleções: IMS, Nirez

D7M           A7             D7M
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça
                       A7
 – Lá tem troça e se faz bossa –
  D7M     Eb°                  Em7
Fica lá na roça, à beira de um riachão 
– E à noite tem violão –
F#7                              Bm7
Uma roseira, cobre a banda da varanda e
    B7               E7          Db7
Ao romper da madrugada, vem a passarada, 
         A7
  abençoar nossa união.
  Em                               A7                           
Tem um cavalo, que eu comprei à prestação 
                         D
  e que não estranha a pista 
Tem jornal; lá tem revista.
  D7                            G
Uma Kodak para tirar nossas fotografias 
– Vai ter retrato todo dia –
 Gm                                 D7M
Um papagaio, que eu mandei vir do Pará.
Bm             Em7              A7               D7M
Um aparelho de rádio batata,  e um violão que desacata.
                           E7
Meu Deus do céu que bom seria…
 D7M      A7              D7M
Mas se você quisesse, morar na minha palhoça – 
                       A7
 Lá tem troça e se faz bossa –
    D7M      Eb°               Em7
Fica lá na roça, à beira de um riachão 
– E à noite tem violão –
F#7                            Bm7
Uma roseira, cobre a banda da varanda e 
   B7                   E7
Ao romper da madrugada, vem a passarada
   Db7             A7
   abençoar nossa união.
      Em                           A7
Tem um pomar, que é pequenino, é uma beleza 
                   D
   - É mesmo uma gracinha – Criação, lá tem galinha – 
   D7                                     G
Um rouxinol, que nos acorda ao amanhecer – 
Isso é verdade, podes crer – 
   Gm                       D7M
A patativa quando canta faz chorar,
Bm              Em7            A7             D7M
Há uma fonte na encosta do monte, a cantar – chuá… chuá…


Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

J. Cascata

J. Cascata (Álvaro Nunes), compositor, nasceu no Rio de Janeiro RJ, em 23/11/1912 e faleceu em 27/1/1961. Filho de Álvaro Nunes e Leonor Neves Nunes, nasceu no bairro de Vila Isabel, tendo crescido em ambiente musical, pois os irmãos tocavam e o pai cantava. A casa era frequentada por cantores e instrumentistas amigos da família, como Pedro Galdino, Pedro Flauta e o bombardino José Seixas, entre outros.


Em 1919, quando contava sete anos de idade, mudou-se com a família para o bairro de Abolição, perto do Meyer e no ano seguinte ingressou na escola pública. Gostando muito de música, aos dez anos já fazia suas primeiras tentativas como compositor, época em que também começou a interessar-se em aprender violão.

Em 1929, com a morte do pai, teve que arranjar emprego para auxiliar no sustento da família. Foi então convidado por um amigo a integrar como cantor o Conjunto Grupo do Mato, do qual faziam parte Luís Bernardes, Newton Teixeira, Valzinho, Euclides Lemos e Luís Bittencourt, entre outros. No entanto, insatisfeito com a posição de cantor no grupo musical, sentiu necessidade de tocar algum instrumento. Decidiu-se então a aprender violão com Jorge Seixas, que residia no subúrbio do Rocha, e para custear as aulas trabalhava como jogador no Carioca Futebol Clube, da Gávea.

Nessa época, resolveu mostrar ao professor de violão uma marcha-rancho que havia composto e que imediatamente agradou a Seixas e seus amigos. Sem ter um nome, a música transformou-se em grande sucesso no Carnaval de 1929, ficando conhecida como a "música do Cascata", apelido que lhe haviam dado em criança.

A partir de então, já conhecido como Cascata, aumentou muito seu círculo de amizades, freqüentando as rodas de samba, onde cantava e tocava ao lado de Noel Rosa, João Petra de Barros, Lamartine Babo e Ary Barroso, entre outros.

Recebeu convite de Cristóvão de Alencar para apresentar-se em rádio, estreando em 1931, ainda como Álvaro Nunes, no programa de Manuel Barcelos, da Rádio Cajuti. Logo depois, foi para a Rádio Clube do Brasil, de onde passou para a Rádio Philips, atuando no programa Horas do Outro Mundo, ao lado de Leonel Azevedo, que viria a ser seu grande parceiro. Por essa época, resolveu adotar um pseudônimo, e como já era chamado de Cascata pela família e conhecidos, só acrescentou o J, tornando-se J. Cascata.

Em meados de 1935, teve suas primeiras composições gravadas por Orlando Silva, seu grande amigo e vizinho, o samba Para Deus somos iguais (com Jaime Barcelos), na Victor, e a valsa O teu olhar, gravada por João Petra de Barros na Odeon. Em agosto do mesmo ano, ainda na Odeon, Sílvio Caldas gravou uma composição sua, que vinha alcançando sucesso em rádio pela voz de Luís Barbosa, o samba Minha palhoça.

Já considerado como um dos maiores compositores da época, deixou, com Leonel Azevedo, o programa Horas do Outro Mundo, transferindo-se para Hora Sertaneja, de Renato Murce, na mesma Rádio Philips. Nesse programa, passou a ser- lhes exigido que cantassem músicas de sua própria autoria, exigência responsável por uma das maiores duplas de compositores brasileiros. Em fins do mesmo ano, suas duas primeiras músicas, Mágoas de caboclo e História joanina foram apresentadas, tornando-se rapidamente conhecidas, assim como seus autores.

Em maio de 1936, Orlando Silva gravou-as pela Victor, além do samba Tristeza (com Cristóvão de Alencar). Mágoas de caboclo voltaria a ser gravada por Orlando Silva em 1942.

Em março de 1937, o mesmo cantor gravou mais duas composições da dupla que obtiveram grande êxito, o samba Juramento falso e a valsa Lábios que beijei, lançados em maio daquele ano. Já marcada pelo sucesso, a dupla lançou sua primeira composição carnavalesca, a marcha Não pago o bonde, gravada por Odete Amaral, em julho de 1937, para o Carnaval do ano seguinte. Nessa época, freqüentava meios artísticos e de sambistas cariocas, mas seus principais encontros aconteciam no quartel-general dos músicos de então, o Café Nice.

Temporariamente afastado de seu parceiro Leonel, compôs com Antônio Almeida, Bide, Sá Róris e Nássara, tendo feito grande sucesso em fins de 1938 com o samba-canção Meu romance, gravado por Orlando Silva. No mesmo ano, voltou à parceria com Leonel, que se manteve até 1940 com a mesma qualidade musical, embora não obtendo o sucesso anterior. Dessa fase só se destacaram Quem foi?, gravado por Carlos Galhardo em 1939, Quero voltar aos braços seus, lançado em disco por Orlando Silva no ano seguinte, e Símbolo sagrado, gravado por Sílvio Caldas ainda em 1940. Contudo, compondo separadamente com outros parceiros, tanto um como o outro obtinham sucesso, o que os afastou profissionalmente.

Em 1941, um dos maiores sucessos foi o seu samba Lágrimas de homem, gravado em março por Orlando Silva, tendo também alcançado êxito com Santo Antônio amigo (com Marino Pinto e Zé da Zilda), lançado em disco por João Petra de Barros.

Em 1942 e 1943, passou a dedicar-se somente ao seu clube de danças, em Irajá, e ao seu cargo de funcionário do Departamento de Saúde Pública. Como compositor, reapareceu em 1944 com o samba Não serás feliz, gravado por Orlando Silva na Odeon e, dois anos depois, pela mesma gravadora e cantor Ela vai voltar (com Leonel Azevedo).

Daí em diante, o cenário musical do país passou por modificações marcadas pelo baião e pelo bolero. Não mais como compositor, reapareceu mais tarde no Conjunto da Velha Guarda, reorganizado por Almirante em 1954 e com o qual gravou como cantor e ritmista dois LPs, pela Sinter. Apresentou-se ainda com o conjunto na boate Casablanca, época em que quase não compunha mais, datando suas últimas músicas, gravadas por Orlando Silva na Copacabana, dos anos de 1952 a 1954.

Reapareceu como compositor em 1955, com o hino Bem-vindos, congressistas (com Murilo Caldas), para a recepção aos participantes do Congresso Eucarístico Mundial, realizado em janeiro daquele ano no Rio de Janeiro. No ano seguinte o cantor Carlos Augusto lançou pela Sinter o LP J. Cascata e Leonel Azevedo na interpretação de Carlos Augusto.

Na última fase de sua vida, dedicou-se ao trabalho de assistente de direção artística da gravadora Sinter e, a seguir da Prestige, hoje extinta.

Algumas músicas








Obra completa

A que ponto chegaste (c/Leonel Azevedo), samba, 1949; Africana (c/Heitor dos Prazeres), marcha, 1940; Ali- babá num pangaré (c/Haroldo Lobo), marcha, 1940; Anastácio (c/Nássara), marcha, 1940; Anjo inspirador (c/Sá Róris), valsa, 1939; Ao cair da noite (c/Leonel Azevedo), valsa serenata, 1939; Até quando (c/Luis Bittencourt), marcha, 1958; A barba cresceu (c/Nássara), marcha, 1960; Bebida e trabalho (c/Nássara), marcha, 1959; Beijando as tuas mãos (c/E. Correia da Silva), valsa, 1949; Bem vindos, congressistas (c/Murilo Caldas), canção, 1955; Canção do peregrino (c/Murilo Caldas), 1955; Um chorinho pro Gilberto (c/Plínio Gesta), choro, 1960; A dança dos cossacos (c/Nássara), marcha, 1957; De que vale a vida sem amor (c/Sá Róris e Leonel Azevedo), choro, 1954; Depois que você me deixou (c/Nássara), marcha rancho, 1940; Desilusão (c/Leonel Azevedo), samba, 1940; Diga que você me deixou (c/Nássara), marcha-rancho, 1941; Disse um poeta (c/Nássara), samba, 1939; E frio ou quente? (c/Nássara), marcha, 1960; É o maior (c/Nássara), marcha, 1956, É o que ela quer (c/Luís Bittencourt), marcha, 1961; Ela vai voltar (c/Leonel Azevedo), samba, 1946; Escravo do amor (c/Leonel Azevedo e Lilinha Fernandes), samba, 1953; Eu e você (c/Jaime Barcelos), fox-canção, 1939; Eu já mandei (c/Leonel Azevedo), batucada, 1939; Eu, sempre eu (c/Alberto Rego), samba-canção, 1970; Eu sou capaz (c/Leonel Azevedo), samba, 1940; Fernandinho (c/Bento Ferreira Gomes), samba, 1958; Fiz este samba chorando (c/Leonel Azevedo), 1938; Foi um sonho (c/Roberto Martins), samba, 1939; História antiga (c/Nássara), marcha, 1939; História de amor (c/Humberto Porto), samba-canção, 1938; História joanina (c/Leonel Azevedo), canção, 1936; Jamais me apaixonei (c/Leonel Azevedo), samba-canção, 1954, Juramento falso (c/Leonel Azevedo), samba, 1937; Jurei, mas fracassei (c/Antônio Almeida), samba, 1938, Lábios que beijei (c/Leonel Azevedo), valsa, 1937; Lágrimas de homem, samba, 1941; Linda suburbana (c/Nássara), marcha, 1958; Longe, muito longe (c/Leonel Azevedo), samba, 1939; Mágoas de caboclo (c/Leone[ Azevedo), canção, 1936; Mágoas de um trovador (c/Manezinho Araújo), canção, 1938; Marcha de Copacabana, 1949; Marcha do chofer (c/Luis Bittencourt) 1958; Marchinha da “morango” (ciLuis Bittencourt) marcha, 1957; Maria (c/Leonel Azevedo), valsa, 1939; Maria Antonieta (c/Haroldo Lobo), marcha, 1939; Marmelo é fruta gostosa (c/Osvaldo Orico), samba, 1957; Meu romance, samba-canção, 1938; Minha história (c/Leonel Azevedo), valsa, 1935; Minha palhoça, samba, 1935; Na casa do seu Tomás (c/Nassara) marcha, 1939; Não chores (c/Leonel Azevedo), samba, 1937; Não foi o tempo (c/Leonel Azevedo), 1955; Não pago o bonde (c/Leonel Azevedo), marcha, 1937; Não serás feliz, samba, 1944; Não te quero bem nem mal (c/Leonel Azevedo), samba, 1953; Não voltarei atrás (c/Nássara), samba, 1956; Ninguém vem ouvir meus ais, samba, 1942; No fim do nosso amor (c/Roberto Martins), marcha, 1938; Para Deus somos iguais (c/Jaime Barcelos), samba, 1935; Pedras dispersas (c/A. Araújo e Leonel Azevedo), valsa, 1951; Pierrô moderno (c/Jaime Barcelos), marcha, 1938; Perdão (c/Leonel Azevedo), valsa, 1940; Perdido de amor (c/Nássara), samba canção, 1959; Poema de amor (c/Leonel Azevedo), samba, 1973; Pra esquecer (c/Luis Bittencourt), choro, 1958; Pra não sofrer (c/Luís Bittencourt), samba, 1959; Pra que velho quer broto (c/Helio Lobo), marcha, 1953; Pulo do gato (c/F. Correia da Silva), marcha, 1939; Quando ela passa (c/Luís Bittencourt), samba, 1960; Quanta saudade (c/Leonel Azevedo), samba, 1970; Quem é que não chora (c/Leonel Azevedo), samba, 1973; Quem espera sempre alcança (c/Leonel Azevedo), samba, 1941; Quem foi? (c/Leonel Azevedo) samba-canção, 1939; Quem será (c/Nássara), marcha, 1958; Quero voltar aos braços teus (c/Leonel Azevedo), valsa, 11940; Rabicho (c/Leonel Azevedo), samba, 1973; Rainha dos cabarés (c/Leonel Azevedo), samba, 1953; Refletindo bem (c/Nilson Batista), samba, 1940; Retratinho (c/Leonel Azevedo), samba, 1956; Revivendo (c/Leonel Azevedo), valsa, 1938; Sabe quem e? Você (c/Antônio Almeida), marcha, 1938; Saber (c/Leonel Azevedo), samba, 1953; Salve, marujo (c/Nassara), marcha, 1957; O samba é um lamento (c/Nássara), samba, 1959; Samba triste (c/Leonel Azevedo), samba-canção, 1938; Santo Antônio amigo (c/Zé da Zilda e Marino Pinto), samba, 1941; São dois loucos (c/Nássara), samba, 1958; Seja o que Deus quiser (c/Leonel Azevedo), samba, 1954; Símbolo sagrado (c/Leonel Azevedo), samba, 1940; Só ela (c/Leonel Azevedo), samba, 1940; Um sorriso... uma frase... uma flor (c/Leonel Azevedo), valsa, 1939; O teu olhar, valsa, 1935; Todos cantam seus amores (c/Leonel Azevedo), marcha, 1940; Trapeiro (c/Leonel Azevedo), samba, 1959; Tristeza (c/Cristóvão de Alencar), samba, 1936; Vai com Deus (c/Leonel Azevedo), samba-canção, 1953; Vai, meu samba (c/Leonel Azevedo), samba, 1940; Velhos tempos (c/Leonel Azevedo), samba, 1956; Você devia saber (clNássara), samba, 1958; Vou sair de Pai João (c/Leonel Azevedo), marcha, 1939.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Já te digo

Considerando-se atingidos pelo "Quem São Eles", os irmãos Pixinguinha e China (Otávio da Rocha Viana) revidaram com o "Já Te Digo", em que achincalham o rival Sinhô. Terceira resposta ao "Quem São Eles" esta foi também a de maior sucesso e a mais cruel ( "Ele é alto, magro e feio / e desdentado / ele fala do mundo inteiro / e já está avacalhado..."), sendo as outras o "Fica Calmo que Aparece", de Donga, e "Não És Tão Falado Assim", de Hilário Jovino.

O curioso é que, a rigor, a polêmica foi gratuita, pois não havia no samba de Sinhô qualquer alusão ofensiva aos adversários.

Pela repercussão alcançada no carnaval de 1919, "Já Te Digo" projetou Pixinguinha como compositor. Com uma forma musical mais definida do que a maioria criada por seus contemporâneos, ele extravasava em suas composições um conhecimento teórico de música superior. "Já Te Digo" tem a forma A-B-A-C-A-D-A, sendo que cada grupo de quatro compassos é repetido sempre ao longo de cada segmento. A composição é ainda o primeiro exemplo da extraordinária capacidade de Pixinguinha de prender ouvinte já na introdução, um primor neste caso. Mais tarde, como arranjador de música alheia, isso se repetiria constantemente. Por coincidência, "Já Te Digo" e "Quem São Eles" foram lançados por um mesmo cantor, o Bahiano da Casa Edison.

Já te digo (samba / carnaval, 1919) - Pixinguinha e China

Interpretação do cantor Bahiano em disco Odeon da Casa Edison lançado em 1919:

Disco selo: Odeon R / Título da música: Já Te Digo / Pixinguinha (Compositor) / China (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Flauta, Cavaquinho e Violão (Acomp.) / Nº do Álbum: 1919 / Gênero musical: Samba Carnavalesco / Coleção de fontes: IMS



Interpretação de J. Cascata acompanhado pela Velha Guarda em 1956:

Disco 78 rpm / Título da música: Já Te Digo / Pixinguinha, 1897-1973 (Compositor) / J. Cascata (Intérprete) / Velha Guarda (Donga, Heitor dos Prazeres, João da Bahiana e Pixinguinha) (Acomp.) / Coro (Acomp.) / Gravadora: Sinter / Nº do Álbum: 489-uma / Nº da Matriz: S-1065 / Lançamento: Julho/1956 / Gênero musical: Samba



Um sou eu, e o outro não sei quem é
Um sou eu, e o outro não sei quem é
Ele sofreu pra usar colarinho em pé
Ele sofreu pra usar colarinho em pé

Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo

Um sou eu, e o outro não sei quem é
Um sou eu, e o outro não sei quem é
Ele sofreu pra usar colarinho em pé
Ele sofreu pra usar colarinho em pé

Ele é alto, magro e feio / É desdentado
Ele é alto, magro e feio / É desdentado
Ele fala do mundo inteiro / E já está avacalhado no Rio de Janeiro
Ele fala do mundo inteiro / E já está avacalhado no Rio de Janeiro

Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Vocês não sabem quem é ele, pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo
Ele é um cabra muito feio, que fala sem receio
Não tem medo de perigo


Fonte: A Canção no Tempo. 85 anos de músicas brasileiras. vol. 1: 1901-1957 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello