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terça-feira, 10 de março de 2009

Tempos idos


Tempos Idos (samba, 1968) - Cartola e Carlos Cachaça - Interpretação: Cartola

LP Verde Que Te Quero Rosa / Título da música: Tempos Idos / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1977 / Nº Álbum: 103.0227 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Samba / MPB.


Tom: G
Introd: Em7 Gm7 F#m7 B7 Em A7 D6/9

          D6/9
Os tempos idos
           
Nunca esquecidos
          Em            A7
Trazem saudades ao recordar
          D6/9          
É com tristezas que relembro
         Em                A7
Coisas remotas que não vêm mais

      Am7           D7
Uma escola na Praça Onze
     G7       G6
Testemunha ocular
         E7/9
E, perto dela, uma balança
          Em7            A7
Onde os malandros iam sambar

            D6/9            
Depois, aos poucos, o nosso samba
       Em7              A7
Sem sentirmos, se aprimorou
        Am7          D7
Pelos salões da sociedade
        G7           B7
Sem cerimônia, ele entrou

          Em           Gm7
Já não pertence mais à Praça
       F#m7          B7
Já não é samba de terreiro
      Gm6         A7/13            D6/9
Vitorioso, ele partiu para o estrangeiro

                    Em7
E muito bem representado
           A7               D6/9
Por inspiração de geniais artistas

        Am7            D7
O nosso samba, humilde samba
          G7            G6
Foi de conquistas em conquistas

     Gm
Conseguiu penetrar no Municipal
                A7            D6/9
Depois de percorrer todo o universo

               B7               E7/9
Com a mesma roupagem que saiu daqui
   Em7                      A7             D6/9
Exibiu-se para a duquesa de Kent no Itamaraty

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Silêncio de um cipreste

Silêncio De Um Cipreste (samba, 1979) - Cartola e Carlos Cachaça - Intérprete: Cartola

LP Cartola 70 Anos / Título da música: Silêncio De Um Cipreste / Carlos Cachaça (Compositor) / Cartola (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1979 / Nº Álbum: 103.0278 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


Tom: G  

Bm          C#m7(b5)     F#7      Bm 
Todo mundo tem o direito de viver    cantando  
      Bm/A    G#°       F#7      C7 B7 
O meu único defeito é viver    pensando 
       B7/F#    Em         F#7        Bm 
Em que não realizei, e é difícil realizar  
        Bm/A         G#º 
Se eu pudesse dar um jeito  
    G7    F#7   Bm   Bm/F# 
Mudaria o meu pensar 
 
Em                 F#7          Bm 
O pensamento é uma folha desprendida  
   Bm/A            G#º 
Do galho de nossas vidas  
Gm7                   F#7 
Que o vento leva e conduz  
 
F#°                     Em 
É uma luz vacilante e incerta  
      Em6            Bm 
É o silêncio de um cipreste  
     G#°   F#7   Bm 
Escoltado  pela  cruz

Não quero mais amar a ninguém

Aracy de Almeida
Não Quero Mais Amar A Ninguém (samba, 1936) - Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda - Intérprete: Aracy de Almeida

Disco 78 rpm / Título da música: Não Quero Mais Amar A Ninguém / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Zé da Zilda (Compositor) / Aracy de Almeida (Intérprete) / Gravadora: Victor / Ano: 1936 / Nº Álbum: 34.125 / Lado A / Gênero musical: Samba.


Tom: G  

G7M          Gdim       G7M
Não quero mais amar a ninguém
                           E7
Não fui feliz, o destino nao quis
 Am          E7 Am
O meu primeiro amor
Cm6                  F7/9     Bm7
Morreu como a flor ainda em botão
 E7       Am              D7           G7M
Deixando espinhos que dilaceram meu coração
Am                      B7           Em
Semente de amor sei que sou desde nascença
             A7                     D7
Mas sem ter brilho e fulgor, eis a minha sentença
  Am                  B7             Em
Tentei pela primeira vez, um sonho vibrar
 A7                              D7
Foi beijo que nasceu e morreu sem se chegar a dar
G7M          Gdim       G7M
Não quero mais amar a ninguém
                           E7
Não fui feliz, o destino não quis
 Am          E7 Am
O meu primeiro amor
Cm6                  F7/9     Bm7
Morreu como a flor ainda em botão
 E7       Am              D7           G7M
Deixando espinhos que dilaceram meu coração
Am     B7                       Em
As vezes dou gargalhada ao lembrar do passado
             A7                            D7
Nunca pensei em amor, nunca amei nem fui amado
   Am              B7                    Em
Se julgas que estou mentindo, jurar sou capaz
 A7                       D7
Foi simples sonho que passou e nada mais

Ao amanhecer


Ao Amanhecer (samba, 1968) - Cartola - Interpretação: Cartola

LP Fala Mangueira - Cartola, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho e Odete Amaral / Título da música: Ao Amanhecer / Cartola (Compositor) Cartola (Intérprete) / Coro (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Ano: 1968 / Nº Álbum: MOFB 3568 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.


Tom: D  

Bm                  A7
Ao amanhecer, ao anoitecer
G7                       F#7
Cantam em bando aves fazendo verão
G7                        F#7
Ouve-se os acordes de um violão

Bm                   A7
E são eles , verdes periquitos
G7                         F#7
Têm o peito forte tal qual o granito
C#m5-/7        F#7       Bm
E são lindas as suas cancões.

A7
Quando a tarde vai morrendo,
            G7
ai meu Deus
                    F#7
O crepúsculo vem descendo

F#m5-/7 B7 Em
Reúne-se o bando na rua
A7                 D7M
     E cheios de harmonia
B7                 Em
    Entoam uma melodia

  A7          D           F#7 Bm
Que faz dancar ,  a propria lu...a

Alvorada

A dupla de patriarcas do samba Cartola (Angenor de Oliveira) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Souza) foi fundamental para a formação das escolas e fixação dos padrões rítmicos do próprio samba. Grandes amigos, casados com duas irmãs, estes pioneiros, além de contribuírem para que o samba se livrasse da herança do maxixe, são responsáveis pela incorporação ao gênero de um texto que não existia nas letras primitivas de seus contemporâneos. Isso, para não falar da importância dos dois na formação e desenvolvimento da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, à qual seus nomes e suas músicas estão intrinsecamente ligados.

A história de “Alvorada” começou numa madrugada, quando Cartola e Cachaça, descendo o morro do Pendura a Saia, sentiram-se impressionados com os primeiros raios de sol que iluminavam o cenário, contrastando a beleza da cena com o sofrimento dos moradores do lugar. Fizeram, então, a primeira parte do samba: “Alvorada lá no morro que beleza / ninguém chora, não há tristeza / ninguém sente dissabor / o sol colorindo é tão lindo, é tão lindo / e a natureza sorrindo / tingindo, tingindo a alvorada.”

A segunda parte surgiu na casa de Hermínio Bello de Carvalho, onde tinham ido para completar a composição. Hermínio fez a letra, enquanto Cartola compunha a melodia na hora. Em suas primeiras gravações, com Odete Amaral e Clara Nunes, o samba saiu com o título de “Alvorada no Morro”. Depois, inclusive nas gravações de Cartola e Carlos Cachaça, o nome foi simplificado para “Alvorada”. Detalhe curioso é que essas duas figuras fariam os seus primeiros elepês na velhice, Cartola aos 65 anos e Cachaça aos 74, sendo ambos os discos realizados por iniciativa de um mesmo produtor, J. C. Botezeli, o Pelão (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Alvorada (samba, 1968) - Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho

LP Cartola / Título da música: Alvorada / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9302 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


Gm          C7           F
Alvorada lá no morro que beleza
    Ab°                   Gm
Ninguém chora, não há tristeza
     C7             F
Ninguém sente dissabor
          Cm
O sol colorindo
        D7           G7
É tão lindo, é tão lindo
                Bbm       C7        F   (D7)
E a natureza sorrindo tingindo tingindo
  E7                        Am
Você também me lembra a alvorada
        F7         Bb
Quando chega iluminando
        F7            Bb
Meus caminhos tão sem vida
            Gm          C7
E o que me resta é bem pouco
      Cm          D7
Quase nada de que ir assim
  Gm    C7                 F
Vagando    numa estrada perdida
    D7
Alvorada ..... (voltar ao estribilho)

terça-feira, 11 de abril de 2006

Carlos Cachaça

Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça, compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 03/08/1902. Nasceu perto do morro da Mangueira, onde foi morar aos oito anos de idade. Nunca deixou as vizinhanças do subúrbio e já aos 12 anos saía nos blocos carnavalescos formados pelos frequentadores do morro.


Abandonou os estudos no curso ginasial para se dedicar ao samba, passando a fazer parte, como pandeirista, em 1918, do conjunto de Elói Antero Dias, o Mano Elói, um dos primeiros a gravar pontos de macumba em discos. Começou a trabalhar na estrada de Ferro Central do Brasil, seguindo o mesmo ofício do pai.

Por volta de 1922 conheceu o compositor Cartola, que se tornaria um dos seus grandes parceiros, com quem formou três anos mais tarde o Bloco dos Arengueiros, embrião da G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, fundada em 1928. Seu primeiro samba - Ingratidão - foi composto em 1923; nos anos seguintes, dedicou-se a sambas-enredo e sambas de terreiro, para a então fundada escola de samba.

Em 1932 a Mangueira foi campeã do desfile com o samba Pudesse meu ideal, primeira composição sua em parceria com Cartola. Compôs, em 1933, Homenagem, um dos primeiros sambas-enredo a incluir personagens da história do Brasil, gênero que o tornou conhecido também fora do morro.

Araci de Almeida gravou na Victor, em 1937, seu samba, feito em parceria com Cartola e Zé da Zilda, Não quero mais, depois chamado Não quero mais amar a ninguém, regravado em 1973 por Paulinho da Viola no seu LP Nervos de aço (Odeon), e que no ano do lançamento tirou o primeiro lugar entre os sambas apresentados no desfile de escolas.

Seu apelido surgiu na casa de certo tenente do Corpo de Bombeiros, ponto de encontro de sambistas, vários deles chamados Carlos; para distingui-los, cada um ganhou um apelido, e o seu ficou sendo Carlos Cachaça por causa de sua bebida preferida. Sua última participação ativa na Mangueira ocorreu em 1948, quando a escola foi a primeira a colocar som no desfile, para o samba-enredo Vale de São Francisco, mais uma parceria com Cartola.

No LP de Cartola editado pela Marcus Pereira, em 1974, teve incluídos seus sambas Quem me vê sorrir (com Cartola) e Alvorada no morro (com Cartola e Hermínio Belo de Carvalho). Ele próprio gravou Vingança e Homenagem no LP sobre a Mangueira, da série História das escolas de samba, lançado pela Marcus Pereira em 1974.

Em dezembro de 1980 lançou pela Ed. José Olympio, em co-autoria com Marília T. Barboza da Silva e Arthur L. Oliveira Filho, o livro Fala, Mangueira. Em 1997 comemorou 95 anos com festa na quadra da Estação Primeira em homenagem ao único fundador vivo da escola.

Veja também:



Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora