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sábado, 1 de novembro de 2008

Márcia

Márcia (Márcia Elisabeth Raimundo Barbosa), cantora, nasceu em São Paulo SP em 25/11/1943. Começou a cantar como crooner na Orquestra de Erlon Chaves, atuando em bailes e clubes.

Por intermédio de Erlon Chaves e Kalil Filho, foi contratada pela TV Tupi, em 1958. Dois anos depois, mudou-se para Porto Alegre RS, passando a trabalhar na Rádio Farroupilha e na TV Piratini. Entre 1960 e 1963, ganhou diversos prêmios de melhor cantora dados pelas emissoras de rádio e televisão.

De volta a São Paulo, participou de várias apresentações em boates, teatros e televisões e, em 1965, recebeu o prêmio Berimbau de Ouro, em uma das fases eliminatórias do 1º Festival Nacional da MPB, da TV Excelsior, em Guarujá SP, defendendo Miss Biquini (Silvio Mazzuca).

Dois anos depois, participou do 3° Festival da MPB, da TV Record, de São Paulo, com a música Eu e a brisa (Johnny Alf) que, embora desclassificada, tornou-se mais tarde um de seus maiores sucessos. Gravou essa música num dos três LPs do Festival e, em 1968, lançou seu primeiro LP —Eu e a brisa — pela Philips, cantando, entre outras, Pra machucar meu coração (Ary Barroso) e Aula de matemática (Tom Jobim e Marino Pinto), além da canção-título.

Gravou seu segundo LP Márcia, pela Philips, em 1969, incluindo cinco composições de Johnny Alf.

No ano seguinte, a Philips lançou novo LP, Márcia volume II, e em seguida passou para a Odeon, gravando um compacto duplo com E lá se vão meus anéis (Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro), Minha (Francis Hime e Rui Guerra), Eu e o crepúsculo (Johnny Alf) e Té amanhã (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Em seguida, saiu pela Odeon seu LP Rimas, em que cantou entre outras, Ilustre visita (Noel Rosa) e Fez bobagem (Assis Valente).

Com Baden Powell e Vinícius de Moraes, fez uma temporada em Portugal, em 1972, apresentando-se em boates e teatros. Dois anos mais tarde, participou com Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro do show O Importante é que a nossa emoção sobreviva, que ficou em cartaz por longo período no Teatro Oficina, em São Paulo.

CD

Tudo o que mais nos uniu: Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro, 1996, Velas 11V198.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha.

domingo, 9 de setembro de 2007

Veneno


Veneno (samba, 1975) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérpretes: Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

LP Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - O Importante É Que A Nossa Emoção Sobreviva / Título da música: Veneno / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Eduardo Gudin (Compositor) / Eduardo Gudin (Intérprete) / Márcia (Intérprete) / Paulo César Pinheiro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1975 / Nº Álbum: SMOFB 3849 / Lado: A / Faixa: 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


A6
Mas o que me faz chorar
    Bm7               E7     A6
É esse fel que você vive a destilar
         Bm7             E7     A6 A7
É essa a paga cruel que você me dá
D             E7          A6
Só o melhor meu coração te ofereceu
     C#7                F#m
Você cuspiu no prato que comeu
                  A6
E o mal que isso me faz
Bm7           E7    A6
Não esperava isso de você jamais
Bm7                  E7    A6 A7
Eu não sabia que você podia ser capaz
    D            E7       A6
De alguém pedir a mão e receber
  C#7                 F#m F#m/E
Depois vingar em vez de devolver
D#m5-/7         G#7             C#m7
Dei o manto pra quem vai me desnudar
    C#m5-/7          F#7            Bm7
E em meu canto abriguei quem vai me expulsar
Dm7      E7   A6 F#m7
Eu te dei de beber
    B7/9      E7               A6
No mesmo copo você vai me envenenar

Velho casarão


Velho Casarão (1975) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérpretes: Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

LP Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - O Importante É Que A Nossa Emoção Sobreviva / Título da música: Velho Casarão / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Eduardo Gudin (Compositor) / Eduardo Gudin (Intérprete) / Márcia (Intérprete) / Paulo César Pinheiro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1975 / Nº Álbum: SMOFB 3849 / Lado: B / Faixa: 3 / Gênero musical: MPB.



Velho casarão meu quarto antigo
Meu porão meu velho abrigo
Mora a solidão comigo
E lá no jardim na cama verde
Do capim a nossa sede
De meninos descobrindo o amor
Os doze anos dos dois pelo chão
E os nossos planos casarmos depois
Era bonito...
Mas um dia ele não voltou
Esperei um mês ou mais
Pela primeira vez fui poeta
E hoje o casarão é onde eu moro
E o porão é onde eu choro
Minhas mágoas mais sentidas
E lá no jardim na mesma cama
Do capim o mesmo drama de menino
Que não passa nunca mais
Nunca mais...

sábado, 8 de setembro de 2007

Santo dia


Santo Dia (samba, 1996) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérpretes: Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro

CD Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro - Tudo O Que Mais Nos Uniu / Título da música: Santo Dia / Eduardo Gudin (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Eduardo Gudin (Intérprete) / Márcia (Intérprete) / Paulo César Pinheiro (Intérprete) / Gravadora: Velas / Ano: 1996 / Nº Álbum: 11-V198 / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.



A vida é só magia
Quem foi feliz sabia
Viver é preparar
A paz de todo santo dia
Uma canção me guia
Minha emoção vigia
É a minha direção
É o instinto do meu coração...
Ninguém nasceu
Pra lamentar
Na sua meta
Deus fez o poeta
Pra gente poder sonhar
Um verso é bom pra consolar
E um samba triste
Também só existe
Meu bem, pra ninguém chorar

O cristal e o marfim


O Cristal e o Marfim (samba, 1996) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérpretes: Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro

CD Eduardo Gudin, Márcia e Paulo César Pinheiro - Tudo O Que Mais Nos Uniu / Título da música: O Cristal E O Marfim / Eduardo Gudin (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Eduardo Gudin (Intérprete) / Márcia (Intérprete) / Paulo César Pinheiro (Intérprete) / Gravadora: Velas / Ano: 1996 / Nº Álbum: 11-V198 / Faixa 3 / Gênero musical: Samba.



Eu te amei
Fui ao céu
Mas ceguei
Ao descortinar o véu
Pois era um olhar de cristal
Prisma de luzes sem fim
Que nunca olhou por igual
Para mim
Face da cor da ilusão
Entre a sombra e o carmim
Que tinha o meu coração
Como o seu camarim
Eu chorei
Foi cruel
Pois nem sei
Até hoje o meu papel
E a gota de dor que rolou
Não foi pintada a nanquim
Como você ensaiou para mim
Fora de cena esse amor
Se tornou frio assim
E em suas mãos sem calor
Eu virei manequim
Mas saí de cartaz
Personagens não quero mais
Contra o amor meu peito fez motim
Que o coração quebrou nesse seu folhetim
Me isolei em torre de marfim
Pra colar o que sobrou de mim

Consideração


Consideração (samba, 1975) - Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - Intérpretes: Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

LP Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro - O Importante É Que A Nossa Emoção Sobreviva / Título da música: Consideração / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Eduardo Gudin (Compositor) / Eduardo Gudin (Intérprete) / Márcia (Intérprete) / Paulo César Pinheiro (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1975 / Nº Álbum: SMOFB 3849 / Lado: A / Faixa: 2 / Gênero musical: Samba.



Toda cidade vai cantar
E finalmente vai voltar
O tempo da paz os tempos atrás
O tempo da consideração
Quando era menos ambição
E o coração valia muito mais
Toda a cidade vai cantar
O cancioneiro popular de tempos atrás
Que já não se faz
E chega a me dar uma emoção
De contemplar a multidão
Cantando pelas ruas principais
Joga todo mal pra fora
Abre o peito e chora em paz
Que é bonito demais
Toda cidade cantando
Como nos antigos carnavais

Canto brasileiro


Canto brasileiro (1976) - Paulo César Pinheiro - Intérpretes: Márcia, Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro

LP Márcia, Eduardo Gudin, Paulo César Pinheiro ‎– O Importante É Que A Nossa Emoção Sobreviva Nº 2 / Título da música: Canto Brasileiro / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Intérprete) / Márcia (Intérprete) / Eduardo Gudin (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1976 / Nº Álbum: SMOFB-3897 / Lado B / Faixa 5 / Gravado ao vivo no Teatro Ginástico - Rio de Janeiro, em Fevereiro de 1976.

Meu coração é o violão de Espanha
Meu sangue quente é o banjo americano
A minha voz é o cello da Alemanha
Meu sentimento é o bandolim cigano

A minha mágoa é o som francês do acordeon
Meu crânio é a gaita de fole escocesa
Meus nervos são como bandoneon
Minha calma é igual guitarra portuguesa

Meu olho envolve como flauta indiana
Minha loucura é como harpa romana
Meu grito é o corne inglês de desespero

Maldito ou bíblico, demônio ou santo
Cada país foi me emprestando um canto
E assim nasceu meu Canto Brasileiro

Chorei


Chorei (1977) - Eduardo Gudin, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro - Intérprete: Márcia

LP Márcia ‎– Ronda / Título da música: Chorei / Eduardo Gudin (Compositor) / Mauro Duarte (Compositor) / Paulo César Pinheiro (Compositor) / Márcia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1977 / Nº Álbum: SMOFB 3929 / Lado A / Faixa 1.

Chorei
Como nunca chorei na vida
Porque precisava desabafar
Chorei
Tanta mágoa naquela hora
Que a tristeza foi indo embora
Antes da derradeira lágrima rolar
Chorei
Porque vinha trazendo minh'alma sentida
Eu chorei pela última vez nessa vida
Para nunca mais chorar
Doravante eu vou cantar
Se a tristeza voltar
Dessa vez não demora
Mas não me envergonho pelo pranto que chorei
Porque
Pelo que eu chorei
Qualquer um também chora

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Gente humilde

“Gente Humilde” teria surgido durante uma visita de Garoto a um subúrbio carioca. De repente, ao observar aquelas pessoas e suas casas modestas, ele resolveu homenageá-las numa canção. Tempos depois, a gravaria num acetato para o professor mineiro Valter Souto, registro que asseguraria a sobrevivência da composição, mantida inédita em disco comercial.

Garoto
Finalmente, quase quinze anos após a morte de Garoto, Baden Powell mostrou-a a Vinícius de Moraes que, apaixonando-se pelo tema, deu-lhe uma letra em parceria com Chico Buarque. Aliás, uma letra primorosa que, segundo o próprio Chico, é quase toda de Vinicius: “São casas simples, com cadeiras na calçada / e na fachada escrito em cima que é um lar / pela varanda, flores tristes e baldias / como a alegria que não tem onde encostar...”

Muito antes, porém, houve uma outra letra (“Em um subúrbio afastado da cidade / Vive João e a mulher com quem casou / tem um casebre onde a felicidade / bateu à porta, foi entrando e lá ficou...”) de um poeta mineiro, que preferiu se manter no anonimato. Com esta letra, “Gente Humilde” foi cantada em programas da Rádio Nacional por Zezé Gonzaga e o coral Os Cantores do Céu, em arranjo de Badeco, do conjunto Os Cariocas (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Gente Humilde (canção, 1970) - Chico Buarque, Garoto e Vinícius de Moraes - Interpretação: Ângela Maria

LP Ângela De Todos Os Temas / Título da música: Gente Humilde / Garoto (Compositor) / Vinicius de Moraes (Compositor) / Chico Buarque (Compositor) / Ângela Maria (Intérprete) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1970 / Nº Álbum: CLP 11600 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Canção.

Tom: C7+
Intro: C Am F G

C7+                         D#º            Dm7
Tem certos dias em que eu penso em minha gente
          G11              G7        C7+  G7/5+
E sinto assim todo o meu peito se apertar
         Em7         D#º         Dm7
Porque parece que acontece de repente
          Dm4/7       C#7/5-   C7+   G7/13
Como um desejo de eu viver sem me notar
         C7+             D#º         Dm7
Igual a como quando eu passo no subúrbio
     G11               G7             Gm7 C7/13
Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
        F7+            G#7/9       Em7   A7/9-
E aí me dá como uma inveja dessa gente
             D7           G7/9-          C7+  G7/13
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
             C7+          D#º        Dm7
São casas simples com cadeiras na calçada
        G11              G7            C7+ G7/5+
E na fachada escrito em cima que é um lar
       Em7            D#º        Dm7
Pela varanda flores tristes e baldias
         Dm4/7         C#7/5-       C7+    G7/13
Como a alegria que não tem onde encostar
         C7+       D#º           Dm7
E aí me dá uma tristeza no meu peito
            G11              G7        Gm7 C7/13
Feito um despeito de eu não ter como lutar
               F7+         G#7/9           Em7  A7/9-
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
           D7            G7/9-    C7+
É gente humilde, que vontade de chorar

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Eu e a brisa

Johnny Alf
Obra encomendada para o casamento de um amigo do autor, esta romântica balada foi uma das concorrentes do III Festival de MPB da Record. Não teve sorte, porém, pois os jurados não se impressionaram com a sua beleza, nem com a boa interpretação da cantora Márcia ou com o arranjo de José Briamonte, desclassificando-a para as finais.

Mesmo assim, “Eu e a Brisa” foi aos poucos se impondo e ganhando prestígio para se tornar a mais solicitada e gravada canção de Johnny Alf (“Ah, se a juventude que essa brisa canta / ficasse aqui comigo mais um pouco / eu poderia esquecer a dor / de ser tão só! pra ser um sonho...”). E seu destino inicial acabou sendo cumprido: vetada pelo padre oficiante do casamento do amigo de Alf, tornou-se uma de nossas composições frequentemente executadas nessas cerimônias (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Eu e a Brisa (1967) - Johnny Alf - Intérprete: Márcia

LP III Festival Da Música Popular Brasileira - Vol. 1 / Título da música: Eu E A Brisa / Johnny Alf (Compositor) / Márcia (Intérprete) / José Briamonte (Acomp.) / Orquestra (Acomp.) / Gravadora: Philips / Ano: 1967 / Nº Álbum: R 765.014 L / Lado A / Faixa 5 / Gênero musical: Canção / Balada / MPB:

E6/9          Am6/E               E6/9
Ah ,se a juventude que essa brisa canta 
         Bm7        E7(b9)  A7M           C#m7
Ficasse aqui comigo mais um pouco, Eu poderia 
    F#7(#5) B7M
esquecer a  dor 
           B7/4/9        G#m7  C#m7
De ser tão só Pra ser um sonho, 
        Am7             D7/9    E7M
Eu aí então quem sabe alguém chegasse, 
            Bm7            E7(b9)   D#m7  D7/9 
Buscando um sonho em forma de     desejo
      F#7/4          F#7 D#m7   G#m7    F7(#9)
Felicidade então pra nós seria!         E
E7M          A#m7          D#7(b9) G#m7  G#m/F#
Depois que a tarde nos trouxesse a lua,
             E#m7(5b) A#7/9      D#m7    D#m/C#
Se o amor chegasse eu não resistiria, 
         C7(#9) B7/9(#11) A#m7       B7/4(9) B7(b5)
E a madrugada   acalentaria  a nossa paz  
G#m7             Am7          D7(b9)   G7M   F7M
Fica, Oh! brisa, fica pois talvez quem sabe,
        E7/4(9)   E7/9   A7M   D7/9
O inesperado faça uma surpresa 
          C#m7            F#7(b5) B7M
E traga alguém que queira te escutar
          B7/4(9)        E7M   F#m7
E junto a mim   Queira ficar... 
             G#m7 A7/9  G#7M
(Bem junto a mim queira ficar...)

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Ronda

Se alguém realizasse um concurso para eleger a canção mais executada nos bares noturnos de São Paulo, a vencedora seria muito certamente “Ronda”, do biólogo-compositor Paulo Vanzolini, cuja obra gravada não chega a cinquenta músicas. “Ronda” traduz na letra e na melodia o que há de mais comovedor para a alma do boêmio, com a história da mulher — naturalmente, também frequentadora da noite — que, “com perfeita paciência”, segue em busca do amante, ainda que na convicção de um dia encontrá-lo “bebendo com outras mulheres, rolando um dadinho, jogando bilhar...” “E nesse dia então”, promete a personagem “vai dar na primeira edição: cena de sangue num bar da Avenida São João”.

Sem dúvida, este samba-canção é uma obra-prima condensada em poucos versos, sob a forma de uma narrativa cinematográfica. Inspirada e composta na época em que o autor, ainda jovem, servia no exército e costumava arrebanhar soldados bêbados em bares e prostíbulos, teve a sua primeira gravação em agosto de 53, no Rio, com a cantora Inezita Barroso, em disco RCA cujo lado A trazia a moda “Marvada Pinga". O problema era que não tinha sido escolhida uma música para o lado B. Então, como Paulo Vanzolini e sua mulher estavam no estúdio, acompanhando Inezita, foi sugerido que se incluísse uma composição de sua autoria, pois não havia tempo a perder.

Paulo Vanzolini
Assim, de forma improvisada, “Ronda” foi gravada com a cantora sendo apoiada por um grupo de músicos de primeira, entre os quais Garoto, Zé Menezes, Bola Sete, Chiquinho do Acordeom e Abel Ferreira, tendo este inventado uma introdução na hora. Entretanto, o disco não despertou o menor interesse e “Ronda” permaneceu desconhecida, menos pelos boêmios, companheiros de noitadas do autor.

Quatorze anos depois, ao realizar o disco-brinde Onze sambas e uma capoeira, apenas com canções de Vanzolini, o produtor Marcus Pereira escolheu “Ronda” para uma das faixas, entregando-a a Cláudia Moreno. Isso marcou o começo de sua escalada para o sucesso consagrador, atingido pela calorosa versão da cantora Márcia, e de outras também expressivas gravações como as de Carmen Costa, Ângela Maria, Nora Ney e Maria Bethânia.

Precedida pela clássica introdução que reproduz seus compassos finais, “Ronda” tem a virtude de conquistar o ouvinte logo a partir das notas iniciais, o que se deve ao charme produzido pela descida de meio em meio tom, nas notas mi, mi bemol e ré, que recaem sobre as sílabas “da”, de “ci-da-de” , no primeiro verso, “rar” e “trar” das palavras “pro-cu-rar” e “en-con-trar”, no segundo, respectivamente harmonizadas com acordes de lá menor com sétima, dó menor com lá no baixo e ré com sétima.

Em 1978, Caetano Veloso utilizou a melodia de sua frase final para arrematar a sua canção “Sampa”. Pertencente à casta dos bons compositores que não sabem tocar instrumento algum, Paulo Vanzolini não se envergonha de confessar que não consegue distinguir a diferença entre os modos maior e menor da música.

Ronda (samba-canção, 1951 - sucesso em 1967) - Paulo Vanzolini - Intérprete: Márcia

LP Ronda / Título da música: Ronda / Paulo Vanzolini (Compositor) / Márcia (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1977 / Nº Álbum: SMOFB 3929 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-canção / MPB.

Tom: G
G                      Bm
De noite, eu rondo a cidade,
         F               E
a te procurar, sem encontrar.
  Am                  Am7+
No meio de olhares, espio
              Am7             D7
em todos os bares, você não está.
G                  Bm  E
Volto prá casa abatida,
Am              Cm
desencantada da vida,
G       E          Eb7
o sonho alegria me dá,
       D7    G Bm Bbº
nele você está.
Am
Ah, se eu tivesse
D7
quem bem me quisesse,
 G
esse alguém me diria:
  F#m                   B7
Desiste, esta busca é inútil,
            Em Am D7
eu não desistia.
  G                      Bm
Porém, com perfeita paciência,
       F                        E
sigo a te buscar, hei de encontrar,
   Am                  Am7+
bebendo com outras mulheres,
               Am7             D7
rolando um dadinho, jogando bilhar.
 G             Bm
E nesse dia, então,
E    Am               Cm   F
vai dar na primeira edição:
G           E       Eb7
Cena de sangue num bar
       D7/5+    G7+
da Avenida São João.


Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.