Disco 78 rpm / Título da música: Nós os cabeleiras (Nosso cordão) / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Compositor) / Roberto Martins (Compositor) / Castro Barbosa (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 1941 / Lançamento: 01/1942 / Nº do Álbum: 55323 / Nº da Matriz: 501-1 / Gênero musical: Marcha / Coleções de origem: Robespierre Martins Teixeira, Nirez, Humberto Franceschi
Nós os cabeleiras
Não temos medo de ficar na mão
Porque as pequenas
Depois do evento
Vem logo correndo
Pro nosso cordão
E o cordão dos cabeludos
Não é sopa não! não, não, não...
Eles tem mágoa, tem
Por isso falam demais
E chegam até a querer
Botar a gente pra trás
O que eles dizem
É mentira, seu José
Pois sem cabelo
Não se ganha um cafuné, né, né, né...
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Abandonado! / Jonjoca (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Castro Barbosa (Intérprete) / Jonjoca (Intérprete) / Canhoto (Waldiro Tramontano), 1908-1987 (Acomp.) / Grupo (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33481-b / Nº da Matriz: 65253-2 / Gravação: 13/10/1931 / Lançamento: Nov/1931 / Gênero musical: Samba
Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê (Abandonado eu vivo)(x2)
Eu por você não vou chorar
Não precisa consolar
Que eu também ia deixar
O amor
Que nos uniu por tanto tempo
E depois
Graças a Deus que acabou
Sem eu sentir que estava
Abandonado!
Vou vivendo sem você
Para nunca mais sofrê,
Meu bem
Sua amizade
Nunca me deixou saudade
Você pode até morrê
(Abandonado eu vivo)(x2)
Eu de você
Já estava cheio
Digo isto sem receio
Porque nunca de mulher
Que nem mesmo
E lastimo em me lembrar
Francamente
Não ter sido isso mais cedo
Jonjoca ( João de Freitas Ferreira ), cantor e compositor, nasceu na cidade de Rio de Janeiro (RJ), no bairro de Botafogo no dia de 16 de Setembro de 1911, sendo o único dos nove filhos de um português comandante do Lóide a manifestar inclinação musical.
No curso ginasial, formou uma espécie de regional, que tinha apenas dois violonistas, um deles irmão do cantor Jorge Fernandes. Com 18 anos foi à Odeon, na Casa Edison, e perguntou a seu diretor-artístico Eduardo Souto como se fazia para gravar um disco. Souto mandou que cantasse, acompanhando-o ao piano, e disse que dentro de alguns dias podia gravar.
Esse disco, lançado em fevereiro de 1930, saiu com os sambas Não te dou perdão (Ismael Silva) e Não fui eu (Caninha). Gravou nesse ano mais dois discos pela Parlophon, antes de se encontrar com o cantor novato Castro Barbosa numa festa na casa de Jorge Fernandes, onde, por sugestão do cantor e compositor Paulo Neto de Freitas, cantaram em dupla.
Tendo dado certo a experiência, gravaram na Victor um disco, que saiu em Julho de 1931 com os sambas Sinto falta de você e A cana está dura, ambos de Jonjoca. Era a resposta que a Victor dava à Odeon, que desde setembro do ano anterior fazia enorme sucesso com o duo Francisco Alves e Mário Reis.
Até novembro de 1933, da nova dupla foram lançados 11 discos com 22 músicas, dentre elas os sambas Abandonado (Jonjoca), 1931, Adeus (Francisco Alves, Ismael Silva e Noel Rosa), 1932, Dona do Lugar (Francisco Alves e Ismael Silva), 1932, Cinco partes principais do mundo (Benedito Lacerda e Gastão Viana), 1933.
Paralelamente ambos desenvolveram suas carreiras solos como cantores. Sozinho, gravou o samba Rosalina (J. Tomás e Orestes Barbosa), 1931, e Azul e branco (Benedito Lacerda e Osvaldo Silva), 1932, numa discografia de 1930 a 1934, com cerca de 23 discos e 43 músicas, 13 das quais de sua autoria.
Em 1931, Carmen Miranda, sua amiga, gravou seus sambas Não tens razão e E depois. Interrompeu a carreira em 1934. Em 1937 voltou como locutor da Rádio Mayrink Veiga. Em 1938 ingressou na Rádio Nacional e, no ano seguinte na Rádio Clube do Brasil, na qual ficou até 1953, como locutor, apresentador e produtor de programas.
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.
Castro Barbosa (Joaquim Silvério de Castro Barbosa), cantor e humorista nasceu em Sabará/MG em 07/05/1905 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 20/04/1975. Em 1931, quando trabalhava no Lóide Brasileiro, fez um teste na Rádio Educadora, do Rio de Janeiro, sendo apresentado a Almirante, que o convidou a participar de um programa.
Gravou também, na Brunswick, o samba Tá de mona (Maércio e Mazinho), com o Bando da Lua.
Por essa época, conheceu Jonjoca (João de Freitas Ferreira), com quem formou uma dupla para concorrer com Mário Reis e Francisco Alves. Levado por Paulo Neto para a gravadora Victor, foi apresentado ao diretor artístico Rogério Guimarães. Nessa gravadora lançou, em 1931, Sinto falta de você e A cana está dura, ambas de Jonjoca e gravadas pela dupla, seguindo-se mais 20 gravações até 1933.
Lançou a rumba Aqueles olhos verdes (Menendez, versão de João de Barro), em 1932; os sambas Vou pegá Lampião (J. Tomás) e Carioca, e o fox-samba Flor de asfalto (ambas de J. Tomás e Orestes Barbosa), em 1933. Para o Carnaval de 1932, gravou a marcha O teu cabelo não nega (Irmãos Valença e Lamartine Babo), que se transformou num dos maiores sucessos carnavalescos de todos os tempos, e Passarinho... passarinho (Lamartine Babo).
A partir daí foram vários os seus sucessos carnavalescos, como, em 1937, Lig-lig-lig-lé (Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa); em 1942, Praça Onze (Herivelto Martins e Grande Otelo) e, em 1943, China pau (João de Barro e Alberto Ribeiro). Outras gravações de destaque foram a marcha A maior descoberta (Índio), em dupla com Almirante, no Carnaval de 1934; a marcha Vou espalhando por aí, em dupla com Carmen Miranda, em 1935; a valsa Dona Felicidade (Benedito Lacerda e Nestor Tangerini), em 1937; e a canção Festa iluminada (Gomes Filho), em 1942.
De 1931 a 1951, em 78 rpm, gravou cerca de 82 discos, com 148 músicas, sendo poucas as gravações depois de 1944. Trabalhou em várias estações de rádio, mas sua grande oportunidade nesse meio surgiu no Programa Casé, da Rádio Philips. Em 1937 foi convidado por Renato Murce para substituir o ator Artur de Oliveira no Programa Palmolive, da Rádio nacional, ao lado de Dircinha Batista e Jorge Murad, atuando como cantor e humorista.
Continuou nessas duas atividades e foi convidado por Lauro Borges para fazer programa que marcaria época na história do rádio brasileiro, o PRV-8, depois PRK-30, levado ao ar na Rádio Mayrink Veiga, na Rádio Clube do Brasil e, mais tarde, em São Paulo SP com o nome de PRK-15. Nesse programa ficou famoso com a caracterização de português.
Com o advento da televisão passou para a TV Paulista por mais quatro anos e , retornando ao Rio de Janeiro em 1959, lançou na TV-Rio o programa Só Tem Tantã, com Chico Anísio no papel principal, mais tarde transformado em quadro do Chico Anísio Show. Chico Anísio e Sérgio Porto escreviam e apresentavam quadros humorísticos em seu programa, entre os quais ficaram famosos "Feira livre", "Só tem tantã" e "Coral dos Bigodudos".
Durante oito meses atuou no programa de Renato Murce na TV-Rio, fazendo "As piadas do Manduca" (também um antigo programa de sucesso na época do rádio), "Seu Ferramenta" e a "PRK-30".
Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.
“É meu desejo que os senhores declarem pelo microfone desta emissora que a notícia que os matutinos desta tarde publicaram dizendo que foi preso o perigoso desordeiro Juliano Ferreira das Dores, não se refere absolutamente à minha pessoa. É bem verdade que eu me chamo Diomedes de Azevedo, mas quem não me conhece pode pensar perfeitamente que eu é que sou o tal Juliano Ferreira das Dores. Eu não quero confusões comigo. Muito agradeço. Assinado: Luis Maurício”.
O rádio brasileiro nunca mais foi o mesmo depois do dia 19 de outubro de 1944, data de estréia da PRK-30, o maior programa de humor no rádio da história do País, apresentado por Lauro Borges e Castro Barbosa.
Lauro e Castro faziam as vozes de mais de 25 personagens, sendo os principais Otelo Trigueiro, “o querido Tetelo das morenas inequívocas, das louras inelutáveis e até das morenas ferruginosas”, e Megatério Nababo d’Alicerce, um “português que se orgulha de falar inglês em vários idiomas”.
Em setembro de 1946, a PRK-30 passou a ser transmitida na Rádio Nacional, onde alcançou o auge do sucesso, com 52% da audiência do País em 1947. Com um humor simples, ingênuo, sem apelações, todas as sextas-feiras, às 20h30, a família se reunia para ouvir a PRK-30.
O humor de Lauro e Castro utilizava bastante trocadilhos, muito comuns na época, além do nonsense, que hoje em dia poderia até ser sem graça. Mas o talento dos humoristas consegue se manter ao longo do tempo e fazer com que os ouvintes de hoje ainda riam daquelas piadas. Com novelas como “Só morra em Godoma” e programas como “A Hora da Ginasta”, a PRK-30 teve tanto sucesso que ficou no ar de 1944 a 1964.
O jornalista Artur da Távola comenta em um artigo o segredo do sucesso da PRK-30: “Primeiro, o besteirol absoluto e sem compromissos ou engajamentos políticos partidários. Depois, a qualidade das tiradas, originais, divertidas (além de) uma sátira formidável dos cacoetes do rádio da época em forma de caricatura tanto vocal (dos dois) como através do texto direto e escorreito do programa".
Disco 78 rpm / Título da música: China pau / Alberto Ribeiro, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Castro Barbosa (Intérprete) / Regional Columbia (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 05/01/1943 / Lançamento: 01/1943 / Nº do Álbum: 55400 / Nº da Matriz: 599-2 / Gênero musical: Marcha carnavalesca / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi
É China pau / China pau
Como quê / É China pau
China duro de roer
Li num almanaque / Que mandaram de Pequim
- japonês de fraque / Parece com pinguim
E uma japonesa / Que tomou nanquim
Teve sete filhos / Com cabelo pixaim
Eu já li no leque / Da mulher de um mandarim
Que pé-de-moleque / Já não leva amendoim
Mas se Chiang Kai Chek / Continua assim
Pele de inimigo / Vai servir de tamborim
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Delimitada pelas ruas de Santana (a leste), Marquês de Pombal (a oeste), Senador Euzébio (ao norte) e Visconde de Itaúna (ao sul), a Praça Onze existiu por mais de 150 anos. A princípio denominada Rocio Pequeno, depois Praça Onze de Junho (data da Batalha de Riachuelo), tornou-se, nas primeiras décadas do século XX, o local mais cosmopolita do Rio de Janeiro.
Em suas redondezas misturaram-se imigrantes espanhóis, italianos e judeus de várias procedências com milhares de negros, na maioria oriundos da Bahia. E foram os negros que transformaram a Praça Onze em reduto de sambistas, ao usarem o seu espaço para os desfiles das primeiras escolas de samba.
Em 1941, quando a prefeitura começou as demolições para a abertura da Avenida Presidente Vargas, que extinguiria a praça, Grande Otelo teve a idéia de protestar em ritmo de samba. Ótimo ator, mas letrista medíocre, ele escreveria uma versalhada sobre o assunto, que mostrou aos compositores Max Bulhões, Wilson Batista e Herivelto Martins, sem lhes despertar o menor interesse.
Mas Otelo era teimoso e Herivelto, para se livrar dele, compôs o samba em que aproveitou a idéia, desprezando os versos. Diga-se de passagem, que na época os dois trabalhavam nos cassinos da Urca e de Icaraí, atravessando todas as noites a Baía de Guanabara, numa lancha que fazia a ligação entre as duas casas.
Foi numa dessas travessias que Herivelto começou a escrever "Praça Onze". Acontece que a composição – anunciando o fim da praça e dos desfiles e, de uma maneira comovente, exortando os sambistas a guardarem os seus pandeiros - superou as expectativas do autor, sugerindo-lhe uma gravação diferente, em que se reproduzisse o clima de uma escola de samba. E assim ele fez, tendo a novidade se tornado padrão para a execução de sambas do gênero.
Além do canto, no estilo "empolgação", a cargo do Trio de Ouro reforçado por Castro Barbosa, foi primordial para que se estabelecesse tal clima o uso destacado de três elementos rítmicos - o tamborim, o apito e o surdo. Até então, o apito era usado nas escolas de samba somente como elemento sinalizador, para comandar o desfile. Sua função rítmica, sibilando em tempo de samba, foi uma invenção de Herivelto, lançada nesta gravação.
Por tudo isso, "Praça Onze" alcançou extraordinário sucesso, ganhando, ao lado de "Ai, que saudades de Amélia", o concurso de sambas promovido pelo Fluminense. E naquele carnaval, onde se cantou "Praça Onze" tinha sempre alguém soprando um apito, o que acabou causando a Herivelto uma despesa inesperada: caridosamente, ele assumiu metade do prejuízo sofrido por Murilo Caldas, autor da marcha "Passarinho Piu Piu", que distribuíra mil apitos entre os foliões, indiferentes à sua música.
Praça Onze (samba/carnaval, 1942) - Herivelto Martins e Grande Otelo - Intérpretes: Castro Barbosa e Trio de Ouro
Disco 78 rpm / Título da música: Praça Onze / Grande Otelo, 1915-1993 (Compositor) / Herivelto Martins (Compositor) / Castro Barbosa (Intérprete) / Trio de Ouro (Intérprete) / Benedito Lacerda, 1903-1958 (Acomp.) / Grande Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Columbia / Gravação: 25/12/1941 / Lançamento: 01/1942 / Nº do Álbum: 55319 / Nº da Matriz: 488-2 / Gênero musical: Samba / Coleções de origem: Nirez, José Ramos Tinhorão, Humberto Franceschi
(intro) FCA7DmG7CCDmG7C
Vão acabar com a Praça Onze
CC7F
Não vai haver mais Escola de Samba, não vai
Fm6C
Chora o tamborim
Fm6C
Chora o morro inteiro
Fm6C
Favela, Salgueiro
Fm6CAmDmG7
Mangueira, Estação Primeira
CEmAm
Guardai os vossos pandeiros, guardai
Fm6C
Porque a Escola de Samba não sai
G7C
Adeus, minha Praça Onze, adeus
C7F
Já sabemos que vais desaparecer
G7CAm
Leva contigo a nossa recordação
D7G7C7
Mas ficarás eternamente em nosso coração
FEmA7
E algum dia nova praça nós teremos
DmG7C
E o teu passado cantaremos
(instrumental)
Fm6C
Favela, Salgueiro
Fm6CAmDmG7
Mangueira, Estação Primeira
CEmAm
Guardai os vossos pandeiros, guardai
Fm6C
Porque a Escola de Samba não sai
CEmAm
Guardai os vossos pandeiros, guardai
Fm6C
Porque a Escola de Samba não sai
BbC
Praça Onze, Praça Onze, adeus
BbC
Praça Onze, Praça Onze, adeus
Fontes: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
Disco 78 rpm / Título da música: Lig, lig, lig, lé / Osvaldo Santiago, 1902-1976 (Compositor) / Paulo Barbosa, 1900-1955 (Compositor) / Castro Barbosa (Intérprete) / Diabos do Céu (Acomp.) / Gravadora: Victor / Gravação: 26/11/1936 / Lançamento: 12/1936 / Nº do Álbum: 34129 / Nº da Matriz: 80272-1 /Gênero musical: Marcha chinesa
------Cm
Lá vem o seu China
Na ponta do pé
Lig lig lig lig lig lig lé! ---------------------Bb
Dez tões, vinte pratos ------Ab ------G7 Banana e café
Fm/Ab------- G7--- Cm
Lig lig lig lig lig lig lé!
--------C
Chinês -----------------------C#º ------G7
Come somente uma vez por mês
Não vai / Mais à Xangai --------------------C
Buscar a Butterfly ------F
Aqui, com a morena
F#º C
Fez a sua fé
C/E- Ebº Dm G7 Cm
Lig lig li.....g lé!
Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
O compositor Vadico (Osvaldo Gogliano) era um jovem de 22 anos e trabalhava no Rio havia pouco tempo, quando foi apresentado por Eduardo Souto a Noel Rosa, nos estúdios da Odeon. Razão da apresentação: o maestro acabara de ouvi-lo tocar ao piano uma música de sua autoria, ainda sem letra, e achara que o encontro poderia render uma boa parceria.
Noel, então, impressionado com a beleza e o clima místico da melodia, fez a letra de "Feitio de Oração", iniciando com uma obra-prima a parceria desejada. Pertence a esta letra os famosos versos: "Batuque é um privilégio / ninguém aprende samba no colégio..." A dupla Noel e Vadico durou quatro anos, deixando onze composições.
Disco 78 rpm / Título da música: Feitio de oração / Noel Rosa, 1910-1937 (Compositor) / Vadico (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Castro Barbosa (Intérprete) / Orquestra Copacabana (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 07/07/1933 / Lançamento: 08/1933 / Nº do Álbum: 11042 / Nº da Matriz: 4693 / Gênero musical: Samba / Coleção de origem: IMS
C7MEm7(b5)Gm6/BbA7/13A7(b13)
Quem acha vive se perden......do
Dm7/9Fm6G7/13
Por isso agora eu vou me defendendo
C7M/9F#m7(b5)B7(#5)Bb7/13
Da dor tão cruel desta saudade
A7(#5)Ab7/13G7/13
Que por infelicidade
C6/9G7(#5)
Meu pobre peito invade
C7M/9Em7(b5)Gm6/BbA7(b13)
Batuque é um privilé.......gio
Dm7/9Fm6G7/13
Ninguém aprende samba no colégio
C7MF#m7(b5)B7(#5)Bb7/13
Sambar é chorar de ale.....gria
A7(#5)Ab7/13G7/13
É sorrir de nostalgia
C7MA7(#9/b13)
Dentro da melodia
Dm7/9G7/13C7M/9Eb°
Por isso agora lá na Penha vou mandar
Dm7G7(9/13)G7(b9/13)
Minha morena pra cantar
C7MC6Em7(b5)A7(b5)
Com satisfação, e com harmonia
Dm7/9F#m7/11
Esta triste melodia, que é meu samba
B7(b13)Em7/9A7(b13)Dm7/9G7(#5)
Em feitio de oração
C7M/9Em7(b5)A7(b5)Dm7/9
O samba na realida.....de, não vem do morro
Fm6G7/13
Nem lá da cidade
C7MF#m7(b5)B7(#5)Bb7/13
E quem suportar uma paixão
A7(b5)Ab7/13G7/13
Sentirá que o samba então
C7M
Nasce no coração
Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34; Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.
A marchinha carnavalesca já existia desde a década de 1920, com características definidas por seus sistematizadores. O prestígio do gênero, porém, somente se consolidou a partir de 1932, com o lançamento de "O Teu Cabelo Não Nega", uma das maiores marchas de todos os tempos. A história de "O Teu Cabelo Não Nega" é curiosa. Em sua forma original - um frevo intitulado "Mulata", dos irmãos pernambucanos Raul e João Valença -, a composição foi oferecida à gravadora Victor para eventual aproveitamento em disco.
Aprovando em parte a melodia, mas achando que a letra tinha um teor excessivamente regional, a direção da gravadora encarregou, então, Lamartine Babo de adaptar "Mulata" ao gosto carioca. Especialista na arte de melhorar canções alheias, ele logo pôs mãos à obra, transformando o frevo na vitoriosa marchinha.
Conforme análise do maestro Roberto Gnattali, que comparou as partituras, o trabalho de Lamartine Babo pode ser resumido no seguinte: "Na primeira parte a letra é a mesma, sendo as notas quase todas iguais, salvo as quatro últimas do verso final que Lamartine, muito sabidamente, ao invés de descer, como no original, subiu, encerrando a estrofe para cima. O ritmo é semelhante, mas o adaptador lhe deu mais balanço, através de antecipações rítmicas, quebrando a quadratura do original. A harmonia é idêntica, estando as melodias construídas com apenas dois acordes: tônica e dominante. Na segunda parte, letra e música são diferentes, com exceção de cinco notas do 9° para o 10° compasso (início da segunda frase musical) que Lamartine aproveitou. Aliás, é o melhor momento da música dos Valença nesta parte (mulata, mulatinha meu amor..), sendo a do Lamartine toda boa... A harmonia é praticamente a mesma (pelo menos nos pontos chave, nas cadências). As introduções são completamente diferentes".
Como se vê, Lamartine aproveitou o que tinha de aproveitar - como o excelente estribilho -, substituindo o que não prestava. Por exemplo, não há termo de comparação entre o humor pobre dos versos desprezados ("Tu nunca morre de fome / que os home / te dá sapato de sarto / bem arto / pra tu abalançá o gererê...") e a letra de Lamartine ("Quem te inventou / meu pancadão / teve uma consagração / a lua te invejando fez careta / porque mulata tu não és deste planeta..."). "Pancadão" e "não é do planeta" eram gírias da época, significando, respectivamente, "mulherão" e "pessoa ou coisa excepcionalmente valiosa". Concluída a marchinha, o compositor ofereceu-a à dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que gravava na Victor. A propósito, conta João de Freitas, o Jonjoca: "'O Teu Cabelo Não Nega' nos foi mostrada por Lamartine num encontro, casual na Cinelândia. Achamos uma beleza. Então ele disse: 'É de vocês podem gravá-la!' Dias depois, como íamos gravar também o 'Bandonô', de minha autoria, ocorreu-me a infeliz idéia de propor: 'Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Você fica com uma e eu com a outra'. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara e eu fiquei com `Bandonô'...".
Quem também se interessou pelo "O Teu Cabelo Não Nega" foi Almirante. Depois de conhecer a marcha através do cantor Minona Carneiro, ele chegou a pedir à direção da Victor para gravá-la. Mas era tarde, o disco já fora gravado no dia 21 de dezembro de 1931 por Castro Barbosa, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, na ocasião composto de piano, dois saxofones, trompete, banjo, baixo, prato, cabaça, omelê, tantã e coro de seis vozes masculinas e uma feminina. O arranjo e a direção musical eram de Pixinguinha. As primeiras tiragens do disco omitiram, por culpa da gravadora, a co-autoria dos Irmãos Valença na composição. O fato gerou uma questão judicial, com repercussão na imprensa, que acabou por fazer valer os direitos dos reclamantes.
O Teu Cabelo Não Nega (marcha / carnaval, 1932) - Lamartine Babo e Irmãos Valença
Disco 78 rpm / Título da música: O teu cabelo não nega!... / Autoria: Valença, Irmãos (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Barbosa, Castro (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Grupo da Guarda Velha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 21/12/1931 / Nº Álbum 33514 / Gênero musical: Marcha
E7 A
O teu cabelo não nega mulata
E7 A
Porque és mulata na cor...
E7 A
Mas como a cor não pega mulata
E7 A
Mulata eu quero o teu amor
A B7
Tens um sabor / Bem do Brasil
E7 A
Tens a alma cor de anil
A7 D B7
Mulata, mulatinha, meu amor / Fui nomeado
E7
Teu tenente interventor
ESTRIBILHO
A B7
Quem te inventou / Meu pancadão
E7 A
Teve uma consagração.....
A7 D
A lua te invejando fez careta
B7 E7
Porque mulata, tu não és deste planeta
ESTRIBILHO
A B7
Quando meu bem / Vieste à terra
E7 A
Portugal declarou guerra
A7 D
A concorrência então foi colossal
B7 E7
Vasco da Gama contra o batalhão naval
Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.
O samba Adeus composto em 1932, é uma homenagem póstuma ao parceiro Nílton Bastos, que morrera no ano anterior. Gravada originalmente pela dupla Castro Barbosa e Jonjoca, foi regravada em 1975 por outra dupla, Vinícius de Moraes e Toquinho : “Adeus, adeus, adeus / Palavra que faz chorar / Adeus, adeus, adeus / Não há quem possa suportar / O adeus é tão triste / E não se resiste / Ninguém jamais / Com o adeus pode viver em paz (...)”.
Palavra que faz chorar -----Dm ------------Dm7--- G7
Adeus ! Adeus ! Adeus ! -------------------Gbo------ C
Não há quem possa suportar -----C7 ----------F --------A7------ Dm
Adeus é tão triste / Que não se resiste --------Ebo---- ( C )
Ninguém, jamais ----------A7------- D7-- G7-- C
Com adeus pode viver em paz -------------( G7 )
Foi o último . . . . .