segunda-feira, 17 de julho de 2006

De frente pro crime

João Bosco
Um compositor mineiro de Ponte Nova, que não segue o estilo de Milton Nascimento, e um poeta carioca de Vila Isabel, que não imita Noel Rosa, assim são João Bosco e Aldir Blanc que formaram uma das duplas mais importantes de autores de nossa música popular nos anos setenta.

Lançados em 1972, como foi dito, com a música “Agnus Sei”, seguida de “Bala com Bala”, Bosco e Blanc viveriam uma fase excepcional em 75, quando quatro de suas canções — “O Mestre-Sala dos Mares”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, “Kid Cavaquinho” e “De Frente pro Crime” —, vindas do ano anterior, alcançaram a consagração popular.

“De Frente pro Crime” trata de um assassinato e da indiferença que a tragédia provoca nas pessoas que a presenciam: “Tá lá o corpo estendido no chão / em vez de rosto uma foto de gol / em vez de reza uma praga de alguém / e um silêncio servindo de amém! (...) / veio camelô vender anel, cordão, perfume barato / e baiana pra fazer pastel e um bom churrasco de gato...”

No final, o narrador, também indiferente, fecha a “janela de frente pro crime” e vai tratar de sua vida. Um flagrante do cotidiano da cidade grande, cantado em ritmo de samba bem sincopado, “De Frente pro Crime” dá prosseguimento em termos modernos de uma vertente que teve em Wilson Batista, na primeira metade do século, um de seus principais cultores (A Canção no Tempo – Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

De frente pro crime (1975) - João Bosco e Aldir Blanc
E
Tá lá o corpo estendido no chão
                       A7        C#m7/9
Em vez de um rosto uma foto de um gol
                              C#m/B
Em vez de reza uma praga de alguém
 A7M          G#m4/7    C#m4/7   A/B
E um silêncio servindo de amém
   E               A7       E
O bar mais perto depressa lotou
                    A7    C#m7/9
Malandro junto com trabalhador
                           C#m/B
Um homem subiu na mesa do bar
  A7             B7    E7/9
E fez discurso prá vereador
                   A7     B7            E7
Veio camelô vender anel, cordão, perfume barato
                       A7      B7               E7
E a baiana prá fazer pastel e um bom churrasco de gato
                          A7   B7                E7
Quatro horas da manhã baixou o santo na porta-bandeira
                      A7      B7
E a moçada resolveu parar, e então...
                           E
Tá lá o corpo estendido no chão
                       A7        C#m7/9
Em vez de um rosto uma foto de um gol
                              C#m/B
Em vez de reza uma praga de alguém
 A7M          G#m4/7    C#m4/7   A/B
E um silêncio servindo de amém
E               A7       E
Sem pressa foi cada um pro seu lado
 A7                    C#m7/9
Pensando numa mulher ou num time
                     C#m/B
Olhei o corpo no chão e fechei
 A7             B7    E7/9
Minha janela de frente pro crime
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