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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Artur Virou Bode

Artur Virou Bode (Artur Menezes dos Santos), flautista, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 31/12/1887, e faleceu na cidade de São Paulo, SP, em 09/08/1959. Era pai de Zuzuca do Flautim, conhecido nos círculos de choro da época.

Conhecedor de música, possuía uma boa leitura à primeira vista. Seu apelido "Artur Virou Bode" vem do fato de que, ao ter sido acometido de uma crise de bronquite durante uma sessão de choro, teve um acesso de tosse cuja sonoridade assemelhava-se ao som emitido por este animal.

O trombonista Candinho Trombone compôs a polca  Artur virou bode, em sua homenagem.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Na Glória


Na Glória (choro, 1949) - Raul de Barros e Ari dos Santos - Intérprete: Raul de Barros

Disco 78 rpm / Título da música: Na Glória / Raul de Barros (Compositor) / Ari dos Santos (Compositor) / Raul de Barros (Intérprete) / Seu Regional (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 15/06/1949 / Lançamento: 09/1949 / Nº do Álbum: 12948 / Nº da Matriz: 8520 / Gênero musical: Choro / Coleções de origem: IMS, Nirez




Fontes: Discografia Brasileira - IMS; Instituto Moreira Salles.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os pintinhos no terreiro

Zequinha de Abreu
Gaó (Odmar Amaral Gurgel - 12/2/1909 Salto, SP), maestro, arranjador, compositor e instrumentista, iniciou a carreira radiofônica em 1926, quando ingressou na Rádio Educadora Paulista.

Em 1930, formou e passou a dirigir a orquestra Colbaz que gravou uma série de discos na Columbia incluindo os primeiros registros dos choros "Os pintinhos no terreiro" e "Tico-tico no fubá", e da valsa "Branca", de Zequinha de Abreu.

Os pintinhos no terreiro (choro, 1946) - Zequinha de Abreu - Intérprete: Orquestra Colbaz

Disco 78 rpm / Título da música: Os pintinhos no terreiro / Zequinha de Abreu (Compositor) / Orquestra Colbaz (Intérprete) / Gravadora: Columbia / Gravação: 1932 / Lançamento: 07/1932 / Nº do Álbum: 22141-b / / Gênero musical: Choro / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi / Coleções de origem: Nirez, Humberto Franceschi



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, 1992, São Paulo; Instituto Moreira Salles - Acervo musical.

Chorando baixinho

Abel Ferreira
Abel Ferreira (15/2/1915, Coromandel, MG - 13/4/1980, Rio de Janeiro, RJ), clarinetista, saxofonista e compositor, começou a tocar clarineta em sua cidade natal, por volta dos doze anos de idade. Foi morar em Belo Horizonte aos 17 anos e lá apresentou-se na Rádio Guarani, passando também a tocar saxofone.

Mudou-se para São Paulo, em 1935, fazendo parte da orquestra de Maurício Cascapera. Voltou a residir em Belo Horizonte, passando a tocar com J. França e sua Banda, entre 1937 e 1940, chegando a apresentar-se com o grupo na capital paulista.

Em 1942, estreou em disco na gravadora Columbia interpretando no clarinete o choro "Chorando baixinho", que se tornou seu grande sucesso. Transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1943, integrando a orquestra de Ferreira Filho, no Cassino da Urca.

Chorando baixinho (choro, 1946) - Abel Ferreira - Intérprete: Abel Ferreira

Disco 78 rpm / Título da música: Chorando baixinho / Abel Ferreira (Compositor) / Abel Ferreira (Intérprete) / Claudionor Cruz e Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Gravação: 18/07/1946 / Lançamento: 10/1946 / Nº do Álbum: 12726 / Nº da Matriz: 8075 / Gênero musical: Choro / Coleções de origem: Nirez




Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e PubliFolha, São Paulo, 1992; Instituto Moreira Salles - Acervo Musical.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Língua de preto

Honorino Lopes (28/8/1884 - 19/8/1909, Rio de Janeiro, RJ) foi o compositor do clássico choro Língua de preto, gravado pela primeira vez pela Banda da Força Policial do Estado de São Paulo, na Odeon, entre 1907 e 1912.

Em 1913, foi gravada pela Banda da Casa Edison. Obra que faz parte do repertório de chorões, conta com gravações de músicos como Henrique Cazes, entre outros. Abaixo uma interpretação de Garoto.

Disco 78 rpm / Título da música: Língua de preto / Honorino Lopes (Compositor) / Garoto (Violão tenor) (Intérprete) / Seu Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 12966-b / Nº da Matriz: 8566 / Data de Gravação: 3/Outubro/1949 / Data de Lançamento: Dezembro/1949 / Gênero musical: Choro / Acervo Humberto Franceschi



sábado, 1 de agosto de 2009

Isaías e seus Chorões

Grupo de choro formado por Isaías Bueno de Almeida (São Paulo, 1937 - bandolim), Israel Bueno de Almeida (São Paulo, 1943 - violão de 7 cordas), Waldomiro Marçola (violão), Dorival Malavasi (São Paulo, 1934 - cavaquinho), Clodoaldo Coelho da Silva (São Paulo, 1936 - pandeiro), Valdir Guidi (reco-reco, cacheta e ganzá), Vicente de Paula Salvia - Viché - piano), Roberto Sion (flauta) e Toninho Carrasqueira (flauta) em São Paulo.

Entre os integrantes também faziam parte dois filhos do clarinetista de orquestra Benedito Bueno de Almeida. Isaías começou a tocar bandolim com 10 anos de idade em 1947 e, logo depois, seu irmão Israel, quatro anos mais novo, iniciou-se no cavaquinho.

Em 1953, começaram a atuar em programas de calouros, chegando a formar um conjunto com o violonista Antonio Edgard Gianor, lendário modernizador de harmonias. Três anos depois, foi apresentado por Jacob do Bandolim na segunda "Noite dos Choristas" e, a partir daí, tornou-se o mais respeitado bandolinista de São Paulo.

Sempre disposto a improvisar, não teve para isso o apoio de Jacob do Bandolim. Ao contrário do irmão, totalmente apegado ao gênero "Choro", Israel passou depois para o violão, tocando bossa-nova, e para a guitarra, integrando conjuntos de iê-iê-iê.

Mais tarde, enveredou pelo jazz, estudou violão clássico e assimilou o violão de 7 cordas, fechando um ciclo que o trouxe de volta ao choro. Com o programa "O Choro das sextas-feiras" apresentado na TV Cultura a partir de 1973, no qual atuava ao lado do Conjunto Atlântico, Isaías passou a ser destaque nacional.

Em 1974, recebeu o Prêmio APCA de revelação do ano. O começo dos anos 70 marcou também o nascimento de Isaías e Seus Chorões, que contava, além de Israel, com gente também vinda de famílias de músicos, como o cavaquinista Dorival, filho do saxofonista Ernesto Malavasi, e o pandeirista Clodoaldo Coelho da Silva, cujo pai, Álvaro, chegou a atuar com o Bando da Lua.

O grupo participou de diversos programas sobre choro na TV Cultura de São Paulo, além de ter acompanhado artistas importantes no cenário da MPB: Paulinho da Viola, Arthur Moreira Lima e Altamiro Carrilho, entre outros.

Depois de gravar os discos "O fino do bandolim", com choros clássico e "O regional brasileiro na música dos Beatles", o grupo lançou, na virada dos 80, o LP "Pé na cadeira". O repertório resgatou músicas raras de pioneiros como Joaquim Callado, Carramona (Albertino Pimentel) e Nelson Alves.

Duas personalidades importantes do bandolim tocado em São Paulo figuram entre os autores: Amador Pinho, espécie de professor informal de Isaías, e Mario Moretti, bandolinista virtuoso ainda em atividade. O LP foi remasterizado para CD no ano de 1999 e lançado pela gravadora Kuarup.

Fontes: http://www.samba-choro.com.br/artistas/isaiaseseuschoroes; www.diconáriompb.com.br.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Carlos Poyares

Carlos Poyares (Carlos Câncio Poyares), instrumentista, nasceu em Colatina ES, em 5/12/1928. Neto de maestro e sobrinho de violonista, aprendeu com a mãe, concertista, as primeiras noções de flauta e, aos cinco anos, ganhou uma flautinha de lata. Mais tarde, estudou teoria com Orlando Silveira e aprendeu a tocar com o maestro Cícero Ferreira. Aos oito anos mudou-se com a família para Vitória ES. Depois fugiu de casa para trabalhar num circo, onde foi, entre outras coisas, trapezista, motociclista e come-fogo, sem nunca deixar a flauta de lata. Afastando-se do circo, integrou como flautista um regional na Rádio Espírito Santo, da capital capixaba.

Em 1953 transferiu-se para o Rio de Janeiro, atuando na Rádio Clube do Brasil e depois em diversas emissoras, até que, em 1957, foi para a Rádio Mayrink Veiga, na qual substituiu o flautista Altamiro Carrilho, no Regional do Canhoto. Atuou no regional durante vários anos, ficando na Mayrink Veiga até seu fechamento, em 1964.

Nas décadas de 1950 e 1960 trabalhou como ator e flautista em nove filmes. Em 1965 trabalhou com o grupo Opinião, no show O samba pede passagem, atuando depois em outros espetáculos, além de apresentar-se em boates cariocas e paulistas. No mesmo ano, lançou pela Philips o LP Som de prata, flauta de lata, elogiado pelo crítico Sérgio Porto e premiado como o melhor do ano com a Medalha Estácio de Sá, oferecida pelo jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro. Na gravação, que teve acompanhamento do Regional do Canhoto, executava em sua flauta de lata peças difíceis e requintadas, que exigiam malabarismos do instrumentista. Fez ainda acompanhamento em vários LPs, embora seu nome não figure em nenhum deles.

No início da década de 1970, passou a atuar em shows da boate paulista Jogral, acompanhado pelo Regional do Evandro. Paralelamente, começou a dar aulas em cidades do interior de São Paulo.

Em 1975 gravou com destaque três LPs: Brasil seresta, com o Regional do Evandro, lançado em abril pela Marcus Pereira; Pixinguinha de novo, ao lado do flautista Altamiro Carrilho, interpretando inéditos de Pixinguinha, também pela Marcus Pereira, em maio; e, pela mesma gravadora, novo LP com o nome Som de prata, flauta de lata, em que era acompanhado pelo Regional do Evandro, com destaque para as faixas Malandrinho (Altamiro Carrilho), Matuto (Ernesto Nazareth), André de sapato novo (André Vítor Correia), Margarida (Patápio Silva), Urubu malandro (Lourival Carvalho e João de Barro) e Doce de coco (Jacob do Bandolim).

Em 1979 gravou o LP duplo A real história do choro, para a Continental, baseado em pesquisas que realizara nos últimos anos. Em 1981, a Warner lançou o LP A música dos Beatles no choro brasileiro.

Manteve constante atividade fonográfica durante toda a carreira, gravando muitos discos, além dos citados, em várias gravadoras. Em 1994 excursionou pela Europa juntamente com um conjunto de choro, apresentando-se na França, Espanha, Holanda e Portugal.

CDs: Píxinguinha de novo (c/Altamiro Carrilho), s.d., Discos Marcus Pereira 0031; Uma chorada na casa do Six, 1997, Kuarup K086.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

domingo, 25 de novembro de 2007

Manduca do Catumbi

Manduca do Catumbi, violonista, nascido (circa 1842) e falecido (circa 1920), provavelmente na cidade do Rio de Janeiro-RJ. Era padrinho de batismo do compositor e violonista Heitor Catumbi. Morava no Catumbi, bairro carioca do qual herdou o apelido.

Trabalhou em uma litografia na Rua da Assembléia. Faleceu em uma festa de núpcias, enquanto executava uma valsa. Acompanhador e solista muito famoso entre os chorões da velha guarda. Gostava de cantar lundus ao violão.

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, em seu livro O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), tocava com a cabeça caída sobre o instrumento e usava anéis de latão cravejados de pedras falsas:

"Manduca de Catumby era um chorão celebre de gloriosa tradição, typo idoso, de cor parda, de alta estatura e usava a cabelleira partida ao meio e a tradicional sobre-casaca, trabalhava numa litographia na rua da Assembléa, trazia nos dedos uns aneis de latão com pedras de vidro, e quando dedilhava o violão que era o seu instrumento chamava a attenção dos assistentes pelo brilho das pedras falsas focalizadas pelo reflexo da luz do lampeão."

"... era um chorão solista e bom acompanhador que pouco se utilizava dos bordões, porém, fazia proezas nas cordas de tripas, sendo por esta razão respeitado e admirado por outros chorões, em bora não tendo elegancia, pois tocava com a cabeça cahida sobre o instrumento, sabia tirar partido nos chôros que executava, ainda possuía uma outra especialidade: tocava com gosto e não se tornava rogado aos pedidos que lhe eram solicitados, era calmo, concentrado, modesto, e de expressões delicadas e muito considerado pelo modo, porque se sabia conduzir entre outros chorões, de seu tempo, eis porque digo que Manduca de Catumby, fez a sua época no tempo que os violões não estavam valorizados como hoje se acham. Aqui, nestas linhas, fica descripto o perfil pouco mais ou menos de um chorão da velha guarda."

Fontes: O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), 1936- Alexandre Gonçalves Pinto; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

sábado, 24 de novembro de 2007

Felisberto Marques

Felisberto Marques (circa 1860 – circa 1920, Rio de Janeiro, RJ) era flautista, compositor e professor. Contemporâneo e amigo do maestro Anacleto de Medeiros, muito pouco se sabe a seu respeito. Participou da serenata que Eduardo das Neves, o palhaço Dudu, realizou em homenagem a Santos Dumont, em 1903.

Segundo Alexandre Gonçalves Pinto, "era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava as suas admiráveis composições, pois Felisberto, além de um bom executor, era um exímio professor de flauta".

Ainda em "O choro", Alexandre conta que "Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto, pela sua inteligência musical e seu fino trato":

“Vou aqui descrever outro chorão da velha e nova guarda, já fallecido, Felisberto Marques, mais conhecido por Maçarico. Era um melodioso flauta de justo valor pela expressão com que executava suas admiráveis composições, pois Felisberto além de um bom executor, era um exímio professor de flauta. Ultimamente, já nos fins de sua gloriosa vida foi accommmettido de um súbito mal que com espanto de todos os seus admiradores, perdeu a embocadura, e nada mais pôde tocar. Eis as suas composições: "Suspiros d'Alma", "Tutú", "Os Deuses de Maricota" e muitas outras que não tenho no meu archivo musical. Anacleto de Medeiros considerava e venerava Felisberto, pela sua inteligência musical e seu fino trato” (Alexandre Gonçalves Pinto).

Obras: Manoelita; Odalisca; Os deuses de Maricota; Paquetaense; Suspiros d'alma; Tutu.

Fontes: Dicionário Cravo Albin da MPB; Enciclopédia da Música Brasileira – Art Editora; O Choro – Reminiscências dos chorões antigos, 1936 – Alexandre Gonçalves Pinto.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

General Gasparino

General Gasparino (Gasparino de Castro Carneiro Leão), instrumentista e compositor, morou em São Paulo, capital, e faleceu, na mesma cidade, no ano de 1919. Oficial do Exército e músico, freqüentava as rodas dos chorões da época. Foi professor de flauta e também compôs, destacando-se a polca Ibiapina, a modinha A flor do ipê, com letra de Catulo da Paixão Cearense, e o tango Indígena, que também ganhou versos de Catulo, com o título Ave Maris do sertanejo.

Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:

"... musico de cultura, e valor. Era professor de flauta e de grande saber. De uma educação finissima e posição elevada. Occupou cargo de grande responsabilidade. Nos seus labios a sua flauta era um primor, conhecia bem as musicas dos velhos chorões, que tocava com grande facilidade, conhecia tambem o classico com grande maestria. Tem em diversos cadernos de alguns chorões, composições suas de alta belleza. Infelizmente tambem como muitos de seus companheiros já dorme o somno eterno. Felizmente ainda tenho em meu archivo uma bella e chorosa polka, com o nome "Ipibiana".


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias do Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

Licas

O instrumentista Licas viveu no Rio de Janeiro entre os fins dos séculos XIX e XX. Tipógrafo, residente no subúrbio da Piedade, começou carreira musical como flautista. Integrou a banda do Corpo de Bombeiros, sob a direçao de Anacleto de Medeiros, destacando-se como executante de bombardino e bombardão.

Frequentou as rodas de choro mais famosas de sua época, ao lado de Candinho Trombone, Anacleto de Medeiros, Cupertino de Menezes, Catulo da Paixão Cearense, Mano Cavaquinho e Sátiro Bilhar.

Ficaram famosos os contracantos que fazia no bombardino, imitando os baixos melódicos do violao.

Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:

"Lica, era typographo, morava na rua Sá, em Piedade, foi um grande bohemio e um grande chorão, bombardão falado e conquistado, fazia gosto vel-o tocar, por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia, conhecia o seu instrumento demais, por este motivo executava com muita cadencia, conhecedor de seu mecanismo, dava sempre preferencia em acompanhar flauta, cavaquinho e violão, sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão.

Houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões, depois Lica, foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo dabatuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros, de quem se tornou um fervoroso amigo.

Lica, tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical, nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade, pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia, tal era o seu enthusiasmo, tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas.

Ninguem como o Lica, fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um pannobranco, fazendo uma carranca na barriga, entrava nos salões arrancando applausos da assistencia.

Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra, a chegada de Lica, nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção, pela anciedade de sua presença. Lica, foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda.

Tal a macieza de seu sôpro, como contra baixo de cordas. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas, fazendo nas suas notas um violão".


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias do Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

Capitão Rangel

Miguel Rangel, o Capitão Rangel, compositor, viveu na segunda metade do século XIX. Chorão da velha guarda, era contemporâneo de Joaquim Antônio da Silva Callado.

"... musicista, autor de innumeras composições, como sejam:"Geralda", "Alice", "Futuro Risonho", "Ternura", "Não machuca a gente", "Amelia", "Vivi", "Olhos de Candinha", "Saudades de 1° de Agosto de 1888", "Você me prometteu", "Emilia" e "Sympathia"; não estando aqui descriptas nem a terça parte de suas musicas.

Rangel foi um dos principes dos Chorões da Velha Guarda" (Alexandre Gonçalves Pinto).

Obras

Alice, s.d.; Camponesa, polca, s.d.; Emília, s.d.; Futuro risonho, s.d.; Geralda, quadrilha, s.d.; Não machuca a gente, s.d.; Olhos de Candinha, s.d.; Saudades de Primeiro de Agosto de 1888, s.d., Simpatia, s.d.; Ternura, s.d.; Vivi, s.d.; Você me prometeu, s.d.


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias dos Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

Candinho Trombone

Candinho Trombone (Cândido Pereira da Silva), instrumentista e compositor nasceu no Rio de Janeiro RJ em 30/1/1879 e faleceu na mesma cidade em 12/12/1960. Viveu parte da infância no Asilo de Meninos Desvalidos (depois Instituto João Alfredo).

Integrou a banda de música da Fábrica de Tecidos Confiança, de Vila Isabel, chegando a contramestre. Depois serviu na Brigada Policial, na banda de música do Primeiro Batalhão de Infantaria, sendo também seu contramestre no posto de sargento. Alem de trombone, tocava bombardão e bombardino, ingressando mais tarde na orquestra do Teatro São José.

Começou a compor e participar dos chorões a partir de 19 anos, tendo como companheiros mais constantes Irineu de Almeida, Licas, Luís Gonzaga e Anacleto de Medeiros. Organizou e manteve, por muitos anos, grupos de músicos em Vila Isabel e outros bairros. Alguns membros desses grupos se tornaram famosos, como Amora Cavaquinho e Nolasco.

Conviveu com os grandes chorões das primeiras três décadas do século XX, entre os quais Carramona, Luís de Sousa, Mano Cavaquinho, Cupertino de Menezes, Quincas Laranjeiras, Juca Kalut, General Gasparino, Paulino Sacramento, Catulo da Paixão Cearense, Donga e Pixinguinha, fazendo parte dos grupos Carioca e Malaquias.

Em 1933 ingressou por concurso na orquestra do Teatro Municipal, do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1951, quando se aposentou. Compôs uma obra extensa, mas pouco editada, formada em sua maior parte por choros, entre os quais se tornou famoso O nó, tido como modelo no gênero por suas modulações imprevistas.

Obras:

Abigail, polca, s.d.; Aldeiazinha, valsa, s.d.; Aniversario do Alarico, polca, s.d.; Artur virou bode, polca, s.d.; Bismarck brincando, polca, s.d.; Brandão no choro, polca, s.d.; Brincando, valsa, s.d.; Brincando de escrever, choro, s.d.; Candinho no choro, polca, s.d.; Carioca, polca, s.d.; Chorando, polca, s.d.; Colar de pérolas, valsa, s.d.; Coralina, valsa, s.d.; Dalba, valsa, s.d.; Dança do urso, polca, s.d.; Deixai-os penar, polca, s.d.; Deliciosa, xotis, s.d.; Um dia em Petrópolis, polca, s.d.; Dulcinéia leal, valsa, s.d.; É isso mesmo, polca, s.d.; Edelvira, valsa, s.d.; Elazir, valsa, s.d.; Floriano brincando, polca, s.d.; Glorinha, polca, s.d.; Graças a Deus, valsa, s.d.; Gratidão de um beijo, valsa, s.d.; Isaura, polca, s.d.; Ivone, valsa, s.d.; Leonila, valsa, s.d.; O Licas procurando, polca s.d.; Martirizando, tango, s.d.; Nadir, polca, s.d.; Não chores, valsa, s.d.; Não digas, polca, s.d.; Não escapa, polca, s.d.; Não se meta, polca, s.d.; O nó, choro, s.d.; Preludiando, xotis, s.d.; Queixosa, valsa, s.d.; Raios de sol, valsa, s.d.; Sapeca, polca, s.d.; Uma saudade, valsa, s.d.; Sílvia, valsa, s.d.; Solicitando, polca, s.d.; Soluçando, polca-marcha, s.d.; Sonho divinal, valsa, s.d.; Súplica, valsa, s.d.; O teu sinal, polca, s.d.; Tinguaciba, polca, s.d.; Trinta janeiros, valsa, s.d.; Triste alegria, polca, s.d.; Uianinha, valsa, s.d.; Vai levando, polca, s.d., Violinista, valsa, s.d.; Ziza, polca, s.d.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Alfredo da Rocha Viana

Alfredo da Rocha Viana (circa 1860, Rio de Janeiro RJ - 1917, Rio de Janeiro RJ), flautista e compositor, era o pai de Pixinguinha e funcionário da Companhia de Correios Telégrafos. Consta ter sido uma pessoa de grande coração, tendo acolhido muitos amigos em sua casa.

Reunia em sua casa, conhecida como a Pensão Viana, os grandes chorões da época, como Irineu de Almeida, Candinho Trombone, Viriato Figueira da Silva, Neco, Bonfiglio de Oliveira, Heitor Villa-Lobos, Quincas Laranjeiras e Mário Cavaquinho.

Abandonou sua flauta de cinco chaves por uma Boehm, que deu ao filho. Tocava de primeira vista e deixou a Pixinguinha um grande arquivo musical de choro.

"Melodioso flauta que podiase comparar com os acima descriptos. Tocava de primeira vista, a principio, na sua flauta amarella, de cinco chaves e ultimamente em uma, de novo systema. Deixou elle um grande archivo de musicas antigas e modernas que deve achar-se em poder de seu filho Pixinguinha, maestro e talentoso flauta que repercutiu as nossas glorias musicaes no Estrangeiro, e que, deixo de innumeral-as pois, que o publico conhece-a todas não só pelo Radio, como tambem em muitas festas de Chôros que se exhibem nesta Cidade Maravilhosa onde é apreciado e ovacionado pela maneira admiravel com que sabe executar o que é nosso, quero dizer com isto que é um filho que sabe honrar a tradição de seu pae no circulos dos Chorões" (Alexandre Gonçalves Pinto).

Obra

Tristezas não pagam dívidas (ou Serenata).


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias dos Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Brasileirinho

Waldir Azevedo
Primeira composição de Waldir Azevedo - a maior expressão brasileira do cavaquinho, instrumento limitadíssimo, mas do qual conseguia extrair um som extraordinário -, "Brasileirinho" aconteceu por sugestão de um sobrinho seu, menino de dez anos: brincando com um cavaquinho que só tinha uma corda, o garoto pediu-lhe que fizesse uma música que pudesse tocar, nascendo daí, em 1947, a primeira parte do choro.

Contratado pela Continental, Waldir estreou com "Brasileirinho", que rapidamente alcançou um grande sucesso, sendo escolhido para fundo musical da propaganda de diversos candidatos em campanha eleitoral na ocasião. Esta composição que lhe rendeu o suficiente para comprar um apartamento à vista, abriu-lhe as portas para a sua carreira, tornando-se peça obrigatória em seus shows.

Na esteira do sucesso, Ademilde Fonseca gravou-o em 1950, com letra de Pereira Costa, acompanhada pelo próprio Waldir. Daí em diante, "Brasileirinho" seria gravado por dezenas de artistas, no Brasil e no exterior, podendo-se dizer que um espetáculo de choro não estará completo sem esta composição, de preferência no final.

Brasileirinho (choro, 1949) - Waldir Azevedo e Pereira da Costa - Intérprete: Ademilde Fonseca

Disco 78 rpm / Título da música: Brasileirinho / Pereira Costa (Compositor) / Waldir Azevedo (Compositor) / Ademilde Fonseca (Intérprete) / aldir Azevedo e Seu Conjunto com Abel [Clarinete] (Acomp.) / Gravadora: Continental / Gravação: 1950 / Lançamento: 07/1950 / Nº do Álbum: 16256 / Nº da Matriz: 2315 / Gênero musical: Choro / Coleção de origem: Nirez


A                                      D7/9
O brasileiro quando é de choro é entusiasmado
                                A
Quando cai no samba, não fica abafado
           E                      A
E é um desacato quando chega no salão
             E                                    A
Não há quem possa resistir quando o chorinho brasileiro 
faz sentir
                  E       
Ainda mais de cavaquinho com um pandeiro
                    A
E o violão na marcação
       Am                                                 Dm
Brasileirinho chegou a todos encantou fez todo mundo a dançar
                                           E
A noite inteira, no terreiro, até o sol raiar
                                               Am
Quando o baile terminou a turma não se conformou
 G#m    Gm F#m     Fm Em B7
Brasileirinho      abafou
       E                                           Am
Até o velho que já estava encostado nesse dia se acabou
              Am               
Pra falar a verdade estava conversando com alguém
        Dm                                               E
de respeito,  e ao ouvir, o grande choro, eu meti os peitos
                            A7
Deixei o camarada falando sozinho, 
       Dm                      Am
    cantei, pulei, dancei, brinquei
                                  B7
Até me acabei e nunca mais esquecerei 
              E              A
      o tal chorinho brasileirinho


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Tico-Tico no Fubá


Vibrante, buliçoso e ao mesmo tempo sentimental, o "Tico-Tico no Fubá" é o exemplo perfeito do choro clássico, em três partes, composto na melhor tradição do gênero. Predestinado ao sucesso, impressionou logo em sua primeira apresentação, em 1917, num baile em Santa Rita do Passa Quatro, quando ganhou o nome de "Tico-Tico no Farelo". Razão do nome: a animação dos pares que dançavam em grande alvoroço, provocando o comentário do autor: "até parece tico-tico no farelo...".

Depois, talvez porque já existisse um choro homônimo (de Canhoto), passou a "Tico-Tico no Fubá". Mas, apesar dessa estréia vitoriosa, a obra-prima de Zequinha de Abreu só chegaria ao disco quatorze anos mais tarde, ocasião em que foi gravada pela Orquestra Colbaz, criada e dirigida pelo maestro Gaó. Sucesso absoluto, este disco permaneceu em catálogo até a década de quarenta, época em que a composição alcançou o auge da popularidade.

Contribuiu para isso a sua internacionalização comandada pelos americanos que, no curto espaço de cinco anos, incluíram-na em cinco filmes: "Alô amigos" (43), "A filha do comandante" (43), "Escola de sereias" (44), "Kansas City Kitty" (44) e "Copacabana" (47), sendo que neste último era cantada por Carmen Miranda. A partir de então, recebeu dezenas de gravações, tornando-se uma das músicas brasileiras mais gravadas de todos os tempos, no país e no exterior, salientando-se entre seus intérpretes a organista Ethel Smith, que a levou ao hit-parade americano.

"Tico-Tico no Fubá" é executado por veteranos pianistas de Nova Orleans com a regularidade de uma peça local, embora sofrendo algumas alterações melódicas e rítmicas, que se assemelham a um tango, bem ao estilo da segunda parte de "Saint Louis Blues". Essencialmente instrumental, tem letras de Eurico Barreiros e Aloísio de Oliveira (além de uma versão em inglês, de Ervin Drake), que não vingaram, apesar do relativo sucesso alcançado pelas gravações de Ademilde Fonseca, em sua estréia em disco, e as de Carmen Miranda nos Estados Unidos.

Tico-Tico no Fubá (choro, 1931) - Zequinha de Abreu - Interpretação de Carmen Miranda

Disco 78 rpm / Título: Tico-tico no fubá / Autoria: Oliveira, A (Compositor) / Drake, Ervin (Compositor) / Abreu, Zequinha de (Compositor) / Miranda, Carmen, 1909-1955 (Intérprete) / Bando da Lua (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Decca, Indefinida / Álbum 288084 / Gênero: Samba choro


Versão cantada por Carmen Miranda:

Tico-Tico
Tico-Tico
O Tico-Tico tá
Tá outra vez aqui
O Tico-Tico tá comendo meu fubá
O Tico-Tico tem, tem que se alimentar
Que vá comer umas minhocas no pomar

Tico-Tico
O Tico-Tico tá
Tá outra vez aqui
O Tico-Tico tá comendo meu fubá
O Tico-Tico tem, tem que se alimentar
Que vá comer umas minhocas no pomar

Mas por favor, tire esse bicho do seleiro
Porque ele acaba comendo o fubá inteiro
E nesse tico de cá, em cima do meu fubá
Tem tanta coisa que ele pode pinicar
Eu ja fiz tudo para ver se conseguia
Botei alpiste para ver se ele comia
Botei um galo, um espantalho e alçapão
Mas ele acha que fubá é que é boa alimentação

O Tico-Tico tá
Tá outra vez aqui
O Tico-Tico tá comendo meu fubá
O Tico-Tico tem, tem que se alimentar
Que va comer é mais minhoca e nao fubá

Tico-Tico
O Tico-Tico tá
Tá outra vez aqui
O Tico-Tico tá comendo meu fubá
O Tico-Tico tem, tem que se alimentar
Que va comer é mais minhoca e nao fubá

Versão original:

Primeira Parte

Um tico-tico só, / Um tico-tico lá,
Está comendo / Todo, todo meu fubá.

Olha, Seu Nicolau, / Que o fubá se vai,
Pego no meu pica-pau / E um tiro sae.

Coitado... Então eu tenho pena / Do susto que levou
E uma cuia se ia, / Mais fubá eu dou.

Alegre já, / Voando, piando,
Meu fubá, meu fubá, / Saltando de lá pra cá.

Segunda Parte (Declamado)

Tico-tico engraçadinho / Que está sempre a piar,
Vá fazer o teu ninho / E terás assim um lar.

Procure uma companheira / Que eu te garanto o fubá,
De papada sempre cheia / Não acharás a vida má.

Terceira Parte

Houve um dia lá / Que ele não voltou,
E seu gostoso fubá / O vento levou.

Triste fiquei, / Quase chorei,
Mas então vi / Logo depois,
Já não eram um, / Mas sim já dois.

Quero contar baixinho / A vida dos dois,
Tiveram seu ninho / E filhotinhos depois.

Todos agora / Pulam ali,
Saltam aqui, / Comendo sempre o fubá
Saltando de lá para cá.



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Ademilde Fonseca


Ademilde Fonseca (Ademilde Fonseca Delfim), cantora nasceu em Macaíba RN em 4/3/1921. Criada em Natal RN, para onde a família se mudou quando tinha quatro anos, ainda muito jovem ligou-se a um dos conjuntos de seresteiros locais, do qual participava Naldimar Gedeão Delfim, com quem casou mais tarde.


Em 1941, já casada, transferiu-se para o Rio de Janeiro RJ e no ano seguinte, depois de um teste na Rádio Clube do Brasil, apresentou-se no programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce.

Ainda em 1942, cantando com o Regional de Benedito Lacerda numa festa, obteve enorme sucesso interpretando Tico-tico no fubá (Zequinha de Abreu). Desde menina conhecia a letra do famoso choro, escrita por Eurico Barreiros em 1931 e ainda inédita em gravações. Levada por Benedito Lacerda aos estúdios da Columbia, sob a direção musical de João de Barro, estreou gravando Tico-tico no fubá e Voltei pro morro (Benedito Lacerda e Darci de Oliveira), disco lançado em julho de 1942, com grande êxito.

A partir de 1943, com Apanhei-te cavaquinho (Ernesto Nazareth, com letra de João de Barro) e Urubu malandro (choro adaptado por Lourival de Carvalho), tornou-se conhecida como cantora, sendo procurada por diversos compositores.

Em 1944, levada por Deo, integrou o elenco da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, apresentando-se com os regionais de Rogério Guimarães e Claudionor Cruz. No ano seguinte, sua interpretação da polca Rato, rato (Claudino da Costa e Casimiro Rocha), gravada em ritmo de choro, consagrou-a como a maior intérprete do choro cantado. Nessa gravação, pela primeira vez, não foi acompanhada por Benedito Lacerda, mas pelo conjunto Bossa Clube, liderado pelo violonista Garoto.

Em fins da década de 1940, com a moda do samba-canção e do baião, o prestígio da cantora diminuiu. Em junho de 1950 retornou às paradas de sucesso com as gravações de Brasileirinho (Waldir Azevedo e Pereira da Costa) e Teco-teco (Pereira da Costa e Milton Vilela), nas quais foi acompanhada pelo regional de Waldir Azevedo.

No ano de 1952, foi a Paris, França, com a Orquestra Tabajara de Severino Araújo, apresentando-se com outros artistas em um espetáculo organizado por Assis Chateaubriand. De 1950 a 1955, gravou vários sucessos na Todamérica. Na Rádio Nacional, a partir de 1954, atuou com os regionais de Canhoto, Jacó do Bandolim e Pixinguinha, entre outros, além das orquestras de Radamés Gnattali e do maestro Chiquinho.

Em 1964, ao lado do cantor Jamelão, excursionou por Espanha e Portugal, exibindo-se durante seis meses em Lisboa. No Brasil em 1967, participou do I FIC, da TV Globo, do Rio de Janeiro, interpretando Fala baixinho, de Pixinguinha, com letra de Hermínio Belo de Carvalho. Na década de 1970, suas apresentações no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, tiveram grande repercussão, levando ao relançamento da cantora em LP da Top Tape, em 1975.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Alexandre Gonçalves Pinto

Alexandre Gonçalves Pinto, instrumentista, Rio de Janeiro (RJ), primeira metade do século XX. Carteiro de profissão, tocava flauta, violão e cavaquinho. Publicou O choro - Reminiscências dos chorões antigos, Rio de Janeiro, 1936.


Esse importante documento, além de traçar a vida e a obra dos chorões da velha guarda e dos chorões de então, revivendo grandes artistas já esquecidos, descreve fatos e costumes dos antigos pagodes, a partir de 1870, constituindo-se em rico repositório de informações sobre a formação dos conjuntos instrumentais que passariam à história sob a denominação de choro.

A obra está disponível no formato "pdf" e pode ser copiada no endereço abaixo:

O Choro (Reminiscências dos chorões antigos), 1936- Alexandre Gonçalves Pinto


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.