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sábado, 3 de janeiro de 2009

Dalton Vogeler

Dalton Vogeler (Dalton Vogeler Gomes), instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro em 12/1/1926 e faleceu na mesma cidade em 8/12/2008. Iniciou-se na música com o avô, o maestro e compositor Henrique Vogeler, e como pai, o violinista e violista Carlos Vogeler Gomes. Estudou ainda com Romeu Malta, Davi Paiva e Antônio Leopardi.

Em 1946 organizou o Quinteto de Dalton, que começou atuando na Rádio Clube do Brasil e, em 1949, passou para a Rádio Tupi, onde ficou até 1950. A partir desse ano, atuou como saxofonista e contrabaixista em várias orquestras, entre as quais, a de Waldir Calmon, a de Djalma Ferreira e a de Steve Bernard. Como integrante do Conjunto de Waldir Azevedo excursionou pela América do Sul e América Central.

Estreou como compositor em 1959 com Balada triste (com Esdras Silva), inicialmente gravada por Ângela Maria (Copacabana) e depois por Agostinho dos Santos (RGE), que fez muto sucesso.

A partir de 1960 dedicou-se à producão de discos. Em 1963 começou a trabalhar na organização de caravanas de divulgação da música brasileira no exterior.

De 1964 a 1967 foi o primeiro secretário da Ordem dos Músicos do Brasil e, de 1970 a 1973, ensinou industrialização e comercialização da música, no Instituto Villa-Lobos.

Faleceu vítima de enfarte, com 82 anos, em 8 de dezembro 2008.

Fontes: Enciclopédia da Música Brasileria - Art Editora e publiFolha; G1 - Edição Rio de Janeiro - NOTÍCIAS.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Francisco Mignone

Francisco Mignone, maestro e instrumentista, nasceu em São Paulo, em 3 de setembro de 1897. Filho do flautista italiano Alferio Mignone, professor de música e integrante da Orquestra do Teatro Municipal, iniciou com ele seus estudos musicais.

Aos dez anos começou a estudar piano com Sílvio Motto. Nesta época, usando o codinome Chico Bororó, já era um conhecido seresteiro, compondo e tocando em rodas de choro nas esquinas dos bairros paulistas do Brás, Bexiga, Barrafunda.

A partir dos 13 anos começou a tocar em bailes e festas particulares como pianista condutor de pequenas orquestras.

Em 1913, matriculou-se nas aulas de piano, flauta e composição do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Neste mesmo ano foi premiado em concurso de composição com a valsa Manon e o tango Não se impressione. No ano seguinte obteve nova premiação com o Romance em lá maior. No Conservatório conheceu Mário de Andrade, seu colega de estudos musicais e futuro parceiro.

Logo após sua formatura, em 1917, Mignone apresentou duas peças musicais que já demonstravam seu interesse por temas nacionais: a Suíte Campestre e o poema sinfônico Caramuru. O sucesso da apresentação lhe rendeu uma bolsa de estudos na Europa, oferecida pelo governo paulista.

Depois de muito refletir, decidiu ir para Milão, referência mundial para os músicos na época. Sob a orientação de Vicenzo Ferroni, escreveu sua primeira ópera, O contratador de diamantes, baseada na obra de Afonso Arinos. Congada, peça orquestral desta ópera, foi regida em primeira audição por Richard Strauss e executada pela Orquestra Filarmônica de Viena, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1923.

O sucesso de sua primeira ópera o incentivou a escrever L'Innocente, composta sobre libreto italiano e regida por Emil Cooper no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Entre 1927 e 1928 viajou pela Espanha, onde compôs canções como Las Mujeres son las Moscas, El Clavellito en tus Lindos Cabellos e Porque Lloras, Morenita?.

Em 1929, voltando definitivamente ao Brasil, compôs a 1a. Fantasia Brasileira para piano e orquestra. Em 1933, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, no ano seguinte, assumiu a cadeira de regência do Instituto Nacional de Música. Ministrou aulas durante 35 anos na atual Escola de Música, onde deu aulas para Eleazar de Carvalho, Henrique Morelenbaun e Mário Tavares.

Neste período, compôs uma de suas melhores obras a primeira do ciclo negro Maracatu de Chico Rei, um bailado afro-brasileiro inspirado em episódios da construção, por negros libertos, da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Vila Rica.

"A verdadeira e melhor expressão musical de Mignone reside na orquestra.Nesse campo, nenhum brasileiro lhe pode ser comparado." (Mário de Andrade).

Os bailados Maracatu e Leilão, e os poemas negros Batucajé e Babalorixá integram o ciclo de músicas com acento afro-brasileiro que Mário de Andrade chamava de "fase negra".

Em 1939 compôs Quadros Amazônicos, obra que causou muita polêmica, sendo o quadro Iara censurado no governo de Getúlio Vargas.

Neste mesmo inspirado ano iniciou outra de suas melhores composições, a suíte sinfônica Festa das Igrejas, com sugestão inicial de Mário de Andrade, que, segundo Vasco Mariz, "representa certamente o clímax da criação musical de Francisco Mignone, não somente pela riqueza e pureza de inspiração como também pela qualidade dos recursos musicais ali empregados, confirmando sua reputação de compositor e instrumentador".

Considerado o "rei da valsa" por Manuel Bandeira , Mignone compôs muitas obras para piano solo, destacando-se os Seis Prelúdios, as Lendas Sertanejas, as 12 Valsas-Choro, as 12 Valsas Brasileiras e as famosas 12 Valsas de Esquina. Gostava muito de compor valsas, sendo que várias delas foram gravadas com sua esposa, Maria Josephina, que até hoje divulga sua obra. Para piano e orquestra compôs as Fantasias Brasileiras e o Concerto.

Mignone compôs várias canções com base em poemas de autores brasileiros consagrados, como No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade e A estrela, Anjo da Guarda, Berimbau, Solar do Desamado, Pousa a mão na minha testa, em parceria com Manuel Bandeira,

Com Mário de Andrade, amigo desde a adolescência, criou obras de cunho social, como O Café e Sinfonia do Trabalho, além de musicar, após a morte do escritor, seus poemas Rudá, Rudá e Cantiga do ai.

Mignone musicou também a Coleção Poema das Cinco Canções, de Mário Quintana, e o Pequeno Oratório de Santa Clara, de Cecília Meireles.

A pintura de Cândido Portinari exerceu grande fascínio sobre Mignone, que inspirou-se em sua obra O espantalho para compor uma canção.

Mignone incursionou também pelo cinema, escrevendo músicas para os filmes Menina-moça e Caiçara de Alberto Cavalcanti, e Sob o céu da Bahia, de Remani.

Faleceu a 18 de fevereiro de 1986.

Fontes: Viva Brazil - Francisco Mignone; CDMS.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Astor Silva

Astor Silva, instrumentista, arranjador, regente e compositor, nasceu em 10/5/1922 no bairro do Rio Comprido, Rio de Janeiro, RJ, e faleceu na mesma cidade em 12/2/1968. Fez seus estudos na Escola João Alfredo, situada em Vila Isabel. Por essa época já estudava música e formou um grupo com colegas do colégio que se apresentava em bailes e festas familiares.

Iniciou sua atividade artística como trombonista de dancings. Por volta de 1940, passou a atuar no Cassino da Urca, e em outros, como os situados em Copacabana e Icaraí. Em 1946, com o fechamento dos Cassinos, passou a integrar a Orquestra Tabajara, dirigida por Severino Araújo, que realizou excursões pelo Brasil, Argentina, Uruguai, França, etc.

Ainda como integrante da Orquestra Tabajara, apresentou-se na Rádio Tupi. Posteriormente, transferiu-se para a orquestra do maestro Carioca que atuava na mesma emissora. Exibiu-se ainda na boate carioca Night and Day e na TV Rio. Foi diretor musical de diversas gravadoras. Na CBS desempenhou também a função de arranjador-chefe.

No início dos anos 1950, formou seu próprio conjunto com o qual atuou na Todamérica fazendo acompanhamentos para Flora Matos, Garotos da Lua, Virgínia Lane, Zilá Fonseca, Ademilde Fonseca e Raul Moreno.

Em 1952, seu Chorinho da Nice foi gravado na Continental por Severino Araújo e Sua Orquestra Tabajara. Em 1953, gravou com seu conjunto na Todamérica o choro Pisando macio, de sua autoria, e o Baião diferente, de Marcos Valentim.

No ano seguinte, gravou também com seu conjunto o choro No melhor da festa, e o Baião lusitano, ambos de sua autoria. Por essa época, passou a dirigir sua própria orquestra e gravou o mambo Mambomengo, e o samba Sete estrelas, de sua autoria. Ainda em 1954, seu choro Alta noite, parceria com Del Loro, foi gravado na Sinter pelo cantor Jamelão. Atuou com sua orquestra na Todamérica e acompanhou, entre outras, a cantora Dóris Monteiro na gravação da Marcha do apartamento, e do samba Sacrifício não se pede.

Em 1955, gravou com seu conjunto os choros Chorinho de boite, e Sombra e água fresca, de sua autoria. Por essa época, atuou com seu conjunto e com sua orquestra na gravadora Continental acompanhando gravações de Moreira da Silva, Nora Ney, Bill Farr e Emilinha Borba.

Entre 1960 e 1963, atuou com seu conjunto e sua orquestra na Columbia. Em 1960, foi um dos responsáveis pelo sucesso do samba Beija-me, de Roberto Martins e Mário Rossi, gravado por Elza Soares com arranjos seus.

Em 1961, acompanhou com seu conjunto um das primeiras gravações do então iniciante cantor Roberto Carlos num 78 rpm com as músicas Louco por você e Não é por mim. Acompanhou também gravações de Risadinha, Wanderléia, também em começo de carreira, Ciro Monteiro, Rossini Pinto e Elis Regina, em uma de suas primeiras gravações, com as músicas A virgem de Macareña e 1, 2, 3, balançou.

Ainda em 1961, gravou com sua orquestra os frevos Jairo na folia, de Francisquinho, Ao som dos guisos, de Edgar Morais, A pisada é essa, de João Santiago, e Vai na marra, de David Vasconcelos.

Gravou ainda, pelo pequeno selo Ritmos, com seu conjunto, os sambas Vamos fazer um samba, de sua parceria com Nelson trigueiro, e Agora é cinza, de Bide e Marçal.

Foi um dos principais arranjadores da segunda metade dos anos 1950. Em 1974, seu Chorinho de gafieira foi regravado por Raul de Barros no LP Brasil, trombone, lançado pelo selo Marcus Pereira.

Obras

Alta noite (c/ Del Loro); Baião lusitano; Chorinho de boite; Mambomengo; No melhor da festa; Pisando macio; Sete estrelas; Sombra e água fresca; Vamos fazer um samba (c/ Nelson Trigueiro).

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Hermeto Pascoal


No dia 22 de junho de 1936 nasceu Hermeto Pascoal, compositor, multi-instrumentista e grande contador de histórias, no pequeno município de Lagoa da Canoa em Alagoas. Filho de roceiros, escapou do trabalho na enxada por ser albino e não poder ficar exposto ao sol.

O próprio Hermeto conta que quando criança, na escola, os professores davam trabalhos para construir instrumentos com latas de goiabada. E de uma lata de goiabada ele fez um "violãozinho". Essa foi sua primeira criação.

Seu primeiro parceiro musical foi o irmão mais velho José Neto, tocando nos bailes de "pé-de-pau", realizados ao ar livre, sob as árvores, comuns naquela época. Além disso, os dois irmãos mostravam seu talento em batizados e casamentos, suando um bocado enquanto andavam, às vezes um dia inteiro para chegar até o local da festa. Em 1950 a família mudou-se para Recife, onde Hermeto e José Neto começaram a tocar acordeão nas rádios Tamandaré e Jornal do Commércio. Seu primeiro instrumento foi uma sanfona de 8 baixos.

Um ano mais tarde, Hermeto já se destacava como acordeonista e começava suas experimentações musicais, sempre estudando e pesquisando novos sons. Autodidata, uma caraterística que marca esse gênio da musica, valia-se dos mais diversos artefatos, como foices, enxadas, machados e garrafas, batendo em ferros e tentando repetir os sons no acordeão.

Em 58 foi para a Paraíba, tocar na Rádio Tabajara, em João Pessoa, como integrante da Orquestra do Maestro Gomes. Passou pouco tempo na Paraíba e nesse mesmo ano mudou-se para o Rio de Janeiro, levado pelo seu irmão, José Neto, para tocar na Rádio Mauá.

No Rio começou a se interessar pelo piano, na própria Rádio Mauá. Hermeto chegava com horas de antecedência para estudar e sentir as teclas. Mas foi tocando nas boates do Rio que se tornou realmente um pianista. Com isso mudou-se para São Paulo e tornou-se o pianista da Boate Chicote, em 61.

Em 1962, após deixar seu lugar no piano da Boate La Vie en Rose, Hermeto entrou para o Som Quatro. Dois anos depois formou o Sambrasa Trio (com Claiber, no baixo, e Airto Moreira, na bateria). Ainda em 64 foi tocar piano na Boate Stardust e começou seu interesse pela flauta. Para praticar o instrumento, Hermeto se trancava no banheiro da boate ou ia para a Igreja da Consolação durante o intervalo das apresentações, chegando a dominar o instrumento em apenas um mês. Logo recebeu um convite do cantor Walter Santos para participar da gravação do seu LP Caminho, lançado em 65, como flautista.

No ano seguinte, entrou para o Trio Novo (Théo de Barros, Airto Moreira e Heraldo), que se transformou em Quarteto Novo. Esse grupo foi um marco na história da música instrumental brasileira. Em 1967 o quarteto lançou seu único disco, Quarteto Novo, pela Odeon, que, segundo a crítica, foi uma valiosa experiência musical com ritmos nordestinos. Esta experiência musical consistia em aplicar as sofisticadas harmonias de jazz aos riquíssimos rimtos nacionais. Aí encontra-se a primeira música de Hermeto a ser gravada: O ovo. Em 69 o grupo se desfez e Hermeto passou a tocar com Edu Lobo. O próprio Heraldo do Monte relata que "esse Albino é muito louco!".

Já Airto Moreira foi para os Estados Unidos, integrar a banda de Miles Davis. Nada mais óbvio que ele, Hermeto, fosse para os EUA como arranjador de um disco de Airto. Nesta viagem conheceu Miles Davis e logo gravou com o músico americano, que colocou o carinhoso apelido de "Albino Crazy". Nesse LP, Miles Davis Live, o pistonista incluiu duas músicas de autoria de Hermeto: Igrejinha e Nenhum talvez. A participação do grande músico brasileiro com o mestre do trompete consagrou mais ainda o nome Hermeto Paschoal.

Em 71 Airto Moreira incluiu em um dos seus discos, Gaio de roseira, música com arranjo de Hermeto, composta por seu pai. A crítica inglesa colocou a música entre as melhores do ano, dando início ao reconhecimento da obra do músico no exterior. Ainda nesse ano gravou o disco solo Hermeto, lançado pela Buddah Records, já se utilizando de instrumentos inusitados e experimentações nas melodias.

Em 73, lançou o primeiro disco no Brasil, A Música Livre de Hermeto Pascoal, incluindo músicas de grandes artistas brasileiros como Pixinguinha (com a faixa Carinhoso) e Luiz Gonzaga (Asa branca), além de gravar também Gaio de roseira. Nesse disco também, está gravado Bebê, um baião que todo instrumentista brasileiro quer ou tem a honra de tocar.

1977 foi o ano em que Hermeto foi ao EUA gravar um dos seus discos mais famosos, o Slave Mass (Missa dos Escravos). Este disco é considerado um marco na música instrumental, também lançado no Brasil e aplaudido pela crítica.

Participou do Festival de Jazz de São Paulo no final de 78 e logo no início de 79 gravou o disco Zabumbê-Bum-á, na WEA. Uma curiosidade foi a participação dos pais de Hermeto nos vocais, em duas faixas.

Os anos 80 foram de muitas viagens e excurssões para Hermeto. Em parte devido ao seu contrato com a gravadora Som da Gente. Neste período, sua carreira se consolidou no exterior. Também se encontrava num período de grande produção e lançamento de discos.

Em 80 ele gravou Cérebro magnético e neste mesmo ano, apresentou-se no Festival de Montreux, na Suíça. Dois anos mais tarde participou do Festival Horizonte, em Berlim.

Em 1982, Hermeto lançou o disco Hermeto Pascoal & Grupo, grupo este que ficou conhecido mundialmente e permaneceu junto por mais de um década. Em 1984 o grupo lança Lagoa da Canoa Município de Arapiraca, cujo título homenageia a cidade natal de Hermeto.

Em 1985 é lançado Brasil Universo, pela gravadora Som da Gente. Em 1987 lançou Só Não Toca Quem Não Quer e em 1988 seu último disco lançado nessa década, Por Diferentes Caminhos: Piano Acústico, onde Hermeto tocou sozinho.

A década e 90 foi marcada por seu rompimento com as grandes gravadoras. Seu disco de 92, Festa dos Deuses, lançado pela PolyGram, segundo o próprio Hermeto foi mal distribuído e não repassaram os direitos autorais da obra.

Depois disso, Hermeto passou sete anos sem lançar discos. Neste tempo, ele se dedicou a compor, inclusive criou o projeto "Calendário do Som", onde Hermeto compôs um chorinho para cada dia do ano.

O disco Eu e Eles, de 99, marca a volta de Hermeto ao mercado fonográfico. Gravado pelo selo Rádio Mec, o disco foi aplaudido pela crítica, e traz o músico tocando todos os instrumentos, convencionais e os que ele mesmo inventa.

O atual projeto de Hermeto é o "Contagem Regressiva", que consiste na criação de uma música por dia até a virada do milênio, podendo se estender além desta data. O grupo de Hermeto Pachoal sempre traz grandes talentos. A grande característica é que todos, além dos ensaios, estudam juntos.

Fontes: Agenda do Samba & Choro; Programa Retrato do Artista da Radio Unesp de Bauru - 1995; Hermeto Home Page.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Eumir Deodato


Eumir Deodato (Eumir Deodato de Almeida), instrumentista, compositor, arranjador e regente, nasceu no Rio de Janeiro RJ em 22/6/1943. Já tocava acordeom, quando, aos 14 anos, entrou para a Academia de Mário Mascarenhas, onde estudou música com Hilda Comeira. Dedicando-se também ao piano, começou a participar de concertos e a tocar em bailes, festas de formatura, clubes e boates.

Em 1959 trocou o acordeom pelo piano e passou a fazer parte do conjunto de Roberto Menescal, atuando em shows de bossa-nova, ao mesmo tempo que começou a compor. Durante algum tempo tocou com o guitarrista Durval Ferreira e, em 1962, formou seu próprio conjunto, ao qual Roberto Menescal se integrou.

Tendo deixado o grupo, voltou a fazer arranjos, trabalhando nos primeiros discos de Marcos Valle e no Lobo bobo, primeiro sucesso de Wilson Simonal, tendo sido também arranjador free-lancer e organista exclusivo da Odeon.

Em 1964 fez os arranjos e regencia do LP Inútil paisagem, da etiqueta Forma, apresentando músicas de Tom Jobim, e também gravou o LP Os gatos, lançado pela Philips. Dois anos depois, gravou o LP Os catedráticos/ataque, pela Equipe, com Ataque (de sua autoria) e Razão de viver (com Paulo Sérgio Valle).

Em 1967 foi para New York, EUA, a convite de Luiz Bonfá, para fazer arranjos de um disco seu com Maria Helena Toledo. A seguir, fez os arranjos para o disco Beach samba de Astrud Gilberto, ocasião em que conheceu Creed Taylor, que lhe confiou seus outros contratados: Tom Jobim, Walter Wanderley, Paul Desmond, Aretha Franklin, Frank Sinatra, Tony Benett, Roberta Flack. Nessa época voltou-se para os estilos fusion e R&B (Rhytlim and Blues). No mesmo período, passou a criar jingles de grande sucesso.

Em 1972 gravou com João Donato o LP Donato/Deodato, considerado um clássico da fusão bossa-nova/latin jazz. Com a etiqueta Equipe lançou, em 1973, os LPs Prelude, no qual fez grande sucesso seu arranjo para Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss (1864—1949), vendendo mais de 5 milhões de cópias; e Os catedráticos/73.

De 1979 a 1983 trabalhou com sucesso com o grupo KooI and The Gang. Em sua carreira artística, já acumulou mais de 15 discos de platina.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Aires

Aires (Doraci Aires de Arruda), instrumentista, arranjador e compositor, nasceu em São Paulo SP em 13/9/1932. Tocando violão, viola, guitarra ou cavaquinho, a partir de 1952 participou de vários conjuntos e orquestras, entre eles Clóvis e Eli (até 1954), Marinho e sua Orquestra (1955), Calisto e Conjunto.

Fazendo acompanhamento, gravou seu primeiro disco em 1961, época em que também começou a se apresentar em programas de rádio e televisão e ingressou na Grande Orquestra Tupi, de São Paulo.

Em 1962 passou a acompanhar Agostinho dos Santos em shows e gravações. No ano seguinte apresentou-se na Argentina e Uruguai com Robledo e seu Conjunto, atuando em 1964 na orquestra de Carlos Piper.

Entre 1964 e 1967 acompanhou o humorista Chico Anísio e o cantor Geraldo Vandré, tendo também participado (tocando viola) do Trio Novo, que acompanhou Jair Rodrigues na música Disparada (Geraldo Vandré e Teo de Barros), vencedora do II FMPB, da TV Record, de São Paulo, em 1966, e do Quarteto Novo.

Em 1972 deixou de atuar na orquestra da Tupi e em 1974 fez acompanhamento nos LPs da Marcus Pereira, Música popular do Centro-Oeste/Sudeste.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ed Lincoln

Ed Lincoln (Eduardo Lincoln Barbosa Sabóia), instrumentista, compositor e arranjador, nasceu em Fortaleza (CE), em 31/5/1932. Em 1951, mudou-se para o Rio de Janeiro, iniciando a carreira artística como contrabaixista e depois passando para o piano e o orgão elétrico. Atuou na boate Plaza tocando baixo e piano ao lado de Luiz Eça e Johnny Alf, fazendo parte também do conjunto de Dick Farney.

Em 1955 formou seu próprio conjunto. No mesmo ano, gravou seu primeiro disco interpretando Amanhã eu vou, de Nilo Sérgio e Nunca mais, de sua autoria e Sílvio César. Entre 1955 e 1958, atuou na boate Drink, no Rio de Janeiro no conjunto de danças dirigido por Djalma Ferreira. Ainda no final dos anos 1950, acompanhou gravações do iniciantes Claudete Soares e Baden Powell.

Em 1961 gravou os LPs Ao teu ouvido e Ed Lincoln boate, que incluiu Saudade fez um samba, de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli. Nessa época, exerceu a função de diretor musical da gravadora Musidisc. Durante os anos 1960 foi um dos mais requisitados animadores de bailes. Ficaram famosas as apresentações da Domingueira dançante no Clube Monte Líbano.

Em 1963, lançou o LP Ed Lincoln - Seu piano e seu órgão espetacular, que tinha como destaques as músicas Só danço samba, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes; Influência do jazz, de Carlos Lyra; Vamos balançar, de Carlos Imperial, Balansamba, de Luiz Bandeira; Um samba gostoso, de sua autoria; Pra que?, de Silvio César; Tristeza, de sua autoria e Luiz Bandeira e Olhou pra mim, de sua parceria com Silvio César. No mesmo ano, sefreu um grave acidente de carro que o manteve afastado das atividades artísticas por sete meses, período no qual foi substituído nos bailes por Eumir deodato. No ano seguinte, lançou o LP A volta.

Em suas orquestras atuaram como crooners os cantores Orlandivo, Toni Tornado, Silvio César, Emílio Santiago, Humberto Garin e Pedrinho Rodrigues. Também atuaram em seus conjuntos diversos músicos consagrados, entre os quais Durval Ferreira, Marcio Montarroyos, Luis Alves, Wilson das Neves, Paulinho Trompete e Celinho.

Em 1965, gravou o LP Órgão espetacular, com destasque para Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, Locomotion, de Joe Coco; Mulher de 30, de Luís Antônio; Teléco-teco nº 2, de Oldemar Magalhães e Nelsinho; O amor e a rosa, de Pernambuco e Antônio Maria e Vivendo e aprendendo, de sua autoria e Silvio César.

No ano seguinte lançou novo LP, que trazia entre outras É o Cid e Se eu tiver, de sua parceria com Silvio César, O ganso e O amor que eu guardei, de sua parceria com Orlandivo e Querida e Eu não vou mais, de Orlandivo e Durval Ferreira.

Em 1967, gravou O bêbado, Eu quero ir e Eu vou embora, de Orlandivo e Durval Ferreira; As gaivotas, de sua autoria e Se você quiser, de Orlandivo; Em 1968, fez os arranjos para o sucesso Anjo azul, gravado pela cantora Adriana. No mesmo ano, lançou um de seus LPs de maior prestígio e que trazia entre outros sucesso Zum, zum, zum, de Silva e Adamastot, Waldemar, de Orlandivo e Deval e Choro do bebê, de De Savoya, sendo considerado por muitos historiadores o primeiro LP independente brasileiro.

Em 1971, teve um de seus LPs, que trazia entre outras O bêbado, de Orlandivo e Durval Ferreira, Saci Pererê, de Mendes e Terra" e As gaivotas, de sua autoria, relançado pela gravadora CID. Por essa época, começou a se afastar os bailes e passou a atuar como músico de estúdio gravando gingles e trilhas sonoras além de lançar discos com coletâneas dançantes de sucessos nacionais e internacionais assinados com os mais diferentes pseudônimos, como: Glória Benson, Orquestra Los Angeles e Orquestra Romance Tropical. Foi um dos primeiros músicos brasileiros a se dedicar à música eletrônica e a fazer experiências com música através de computador.

Em 1988, gravou em um microcomputador Commodore 64 o LP Toque novo, lançado no ano seguinte. Em 1989, lançou pelo selo Elenco/PolyGram o LP Novo toque, com a regravação de antigos sucessos entre os quais Ai, que saudade dessa nega, de sua autoria.

Em 2000, fez participação especial na faixa Conversa mole, no CD do cantor Ed Mota. Por essa época, muitas de suas músicas, como Cochise e Se você quiser, passaram a ser presença frequente nas pistas de dança da Inglaterra, dando ensejo a uma onda de pirataria de seus discos fora de catálogo. Nessa mesma época teve a música É o Cid, parceria com Silvio César, regravada pela equipe de bailes Furacão 2000, considerada como o novo "Rei dos bailes" dos subúrbios do Rio de Janeiro.

Em 2001, teve a música Jogaram o caxangá relançada na coletânea Samba soul 70 - Rare groove party, do selo belga Ziriguiboom. Em 2002, o selo inglês Whatmusic.com relançou em Cd o LP que trazia entre outras Zum zum zum, Waldemar e O choro do bebê. Em 2003, apresentou-se com seu conjunto no projeto Sambalanço - A bossa que correu o mundo concebido pelo músico Henrique Cazes e apresentado no Centro Cultural Primeiro de Março. No mesmo ano, apresentou no Centro Cultural Banco do Brasil o show Saudade fez um samba, depois de 30 anos longe dos palcos.

Cerca de dois anos depois, teve problemas de saúde e teve que se afastar da carreira artística morando na cidade de Petrópolis. Em 2007, retomou as atividades gravando em órgão Hammond o samba "Sem compromisso", de Geraldo Pereira e Nelson Trigueiro para ser incluído no novo CD de Marcelinho da Lua.

Fonte: Dicionário Cravo Albin da MPB.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Bola Sete


Bola Sete (Djalma de Andrade), instrumentista. (Rio de Janeiro RJ 16/7/1923—Califórnia, EUA 13/2/1987). Com 17 anos frequentava as rodas de músicos da Praça Tiradentes. Por essa época, com um conjunto do qual participava o compositor Henricão, foi para Marília SP, onde ficou oito meses. Aos 18 anos tocou violão em parques de diversão em Campinas SP e Niterói RJ.


Em 1945 venceu um concurso de violonista na Rádio Transmissora (hoje Globo). Durante algum tempo viajou por Minas Gerais e Rio de Janeiro, apresentando-se como violonista. Em seguida voltou à Rádio Transmissora e, por três anos, apresentou-se no programa Trem da Alegria, no Teatro João Caetano, junto com Lamartine Babo, Iara Sales e Kleber de Boscoli.

No final da década de 1940 organizou o Bola Sete e seu Conjunto e, para cantar, convidou Dolores Duran, que era croonerda boate Béguin. Atuaram nas boates Drink e Vogue. Com uma orquestra que formou para o Baile dos Artistas, no Hotel Glória, em 1954 excursionou pela Argentina, Uruguai e Espanha.

Em 1955 fez temporadas em Lima, Peru, e em Santiago do Chile. Em 1959 mudou-se para os E.U.A. e, até 1962, apresentou-se, quase diariamente, nos hotéis da cadeia Sheraton. Por volta de 1960 foram lançados dois discos seus: o LP Bola Sete, pela Sinter, com Um a zero (Pixinguinha e Benedito Lacerda) e Império do samba (Zé da Zilda e Zilda do Zé), entre outras, e o LP Bola Sete e quatro trombones, pela Odeon, destacando-se Mambeando (de sua autoria), The Man I Love (Ira Gershwin e George Gershwin), entre outras.

Em 1962 participou do Festival de Monterey, na Califórnia, E.U.A., como integrante do conjunto de Dizzie Giliespie, com o qual gravou um disco. Também em 1962 saiu no Brasil seu LP O extraordinário Bola Sete, pela Odeon, com Menino desce daí (Paulinho Nogueira) e Fico triste sem twist (de sua autoria), entre outras. Em novembro apresentou-se New York, E.U.A., no Festival da Bossa Nova, do Carnegie Hall, no Village Gate e no Vanguard. Nesse mesmo ano, organizou seu próprio trio, com Tião Neto (baixo) e Chico Batera (percussão).

Em 1969 participou do Festival de Música Brasileira e Americana, no México, ao lado de Airto Moreira, Eumir Deodato e Milton Nascimento. Em 1971 gravou o LP Workin’ on a Groovy Thing, na Paramount/ RGE, contendo Little Green Apples (Bobby Russell), With a Little Help from my Friends (John Lennon e Paul McCartney), entre outras.

Gravou cerca de dez LPs nos EUA, inclusive um com Vince Guaraldi. Seus últimos discos, Ocean 1, Ocean II e Jungle Suite, foram considerados por ele como seus melhores trabalhos.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Caçulinha


Caçulinha (Rubens Antônio da Silva), multiinstrumentista e compositor, nasceu em São Paulo, em 15 de março de 1940. Filho do violeiro Mariano e sobrinho do também violeiro Caçula com quem o pai formou uma das primeiras duplas caipiras a gravar discos. Ganhou o apelido de Caçulinha como homenagem do pai ao irmão Caçula. Iniciou a carreira artística em 1948, com apenas oito anos de idade apresentando-se no programa "Clube do Papai Noel", na Rádio Tupi de São Paulo tocando, segundo suas palavras, "uma sanfoninha".

Na década de 1950 formou com o pai a dupla Mariano e Caçulinha. Como acordeonista, tocou e gravou com inúmeras duplas como Tonico e Tinoco , Pedro Bento e Zé da Estrada, e Moreno e Moreninho, entre outros. Tocou em uma série de músicas consideradas clássicas da música sertaneja.

Estreou em disco solo em 1959, pela Todamérica quando gravou ao acordeom a polca Corochere, de sua autoria e Francisco dos Santos, e a guarânia Triste juriti, de Mário Vieira e Armando Castro. No mesmo ano, gravou o choro Pelé, parceria sua com Amasílio Pasquin, e a valsa Noiva do sargento, de autor desconhecido com arranjos seus.

Em 1960, gravou pelo selo Califórnia o tango Noite cheia de estrelas, clássico de Cândido das Neves, e o fox Se um dia o mundo parasse, de Mário Albanese e Ricardo Macedo. Em 1961, pelo selo Caboclo, lançou o arrasta-pé Arrasta-pé na Tuia, de sua autoria e Lourival dos Santos, e o Chorinho do Biluca, de sua autoria.

Em 1962, gravou com seu conjunto pela Chantecler a valsa Primeiro amor, de Patápio Silva, e o choro Sabido, de Luiz Gonzaga. No ano seguinte, gravou com sua bandinha pela Sertanejo o rasqueado Sentimento paraguaio, de Santana, e o maxixe Chora negrinha, com adaptação sua.

Participou como contratado exclusivo do programa "O fino da bossa" comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues na TV Record a partir de 1965. Ainda na década de 1960, acompanhou com seu regional as gravações de discos de inúmeros artistas, entre os quais, Ciro Monteiro, Miltinho, Dóris Monteiro, Elizeth Cardoso, Roberto Silva, e Roberto Carlos, entre outros.

Na mesma época, acompanhou Elizeth Cardoso, Caetano Veloso e Elis Regina, entre outros artistas em especiais musicais da TV Record. Ainda na televisão, atuou nos programas "Esta noite se improvisa" e "Bossaudade", da TV Record. Tocou piano e teclado em boates paulistas.

Na década de 1970, contratado pela gravadora Copacabana, lançou vários LPs, entre os quais, Caçulinha aponta o sucesso, de 1970 e Caçulinha na onda do sucesso, de 1972. Na década de 1980, passou a se apresentar esporadicamente à frente de seu regional e a fazer shows com o apresentador Fausto Silva nos quais tocava acordeom e o apresentador contava piadas. Ainda na década de 1980, atuou com Fausto Silva no programa "Perdidos na noite" apresentado na TV Bandeirantes.

Em 1989, particpou de show de Nelson Gonçalves e Raphael Rabello tocando acordeom na música Três lágrimas, de Ary Barroso. Nesse ano, passou a atuar no "Programa do Faustão", na TV Globo. Em 2002, foi lançado o disco Nelson Gonçalves e Raphael Rabello no qual teve participação especial na faixa Três lágrimas, de Ary Barroso.

Em 2004, participou ao lado de nomes como Dominguinhos, Renato Borghetti, Dino Rocha, e Toninho Ferragutti no SESC Pompéia, em São Paulo do o show de lançamento dos dois CDs do projeto "O Brasil da Sanfona", gravados ao vivo no mês de março do mesmo ano.

Em 2005, por sugestão de João Gilberto, que lhe perguntou por que não lançar um disco com músicas da bossa nova ao acordeom, gravou o CD Caçulinha na bossa nova, com produção de Ricardo Leão. O disco contou com as participações especiais de Roberto Menescal, João Donato, Rildo Hora, Paulinho Braga, Paulinho Trompete, Lula Galvão, João Lyra, Marcelo Martins, Bocato, Zé Canuto, Marcos Valle e Ricardo Leão. Desse disco fazem parte clássicos da bossa nova como O barquinho, e Garota de Ipanema, além de composições menos celebradas do universo da bossa nova.

Após a gravação desse disco, gravou um outro, em parceria com o humorista Pedro Bismarque, conhecido pelo personagem Nerso da Capitinga, dedicado ao repertório junino intitulado Caçulinha no Arraiá, no qual toca sanfona enquanto o ator Pedro Bismarque faz a narração da quadrilha.

Ao longo de sua vasta carreira já gravou um total de 31discos, sendo cerca de 25 LPs, numa trajetória única na música popular que passa do sertanejo à bossa nova.

Fontes: Caçulinha - Wikipédia; Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

César Camargo Mariano

César Camargo Mariano (Antônio César Camargo Mariano), arranjador / instrumentista, nasceu em São Paulo SP em 19/9/1943. Autodidata, começou a tocar piano aos 13 anos e aos 17 iniciou carreira na orquestra de William Fourneau. A partir dessa época, passou a estudar, por conta própria, instrumentação, orquestração e arranjos.

Em 1961 tocou no conjunto Três Américas. Por essa época participou da gravação de um LP de Alaíde Costa, na RGE, como pianista e arranjador do grupo, que se transformaria, anos depois, no Som-3.

Integrou o conjunto São Paulo Dixieland Band, em 1962, e, no mesmo ano, formou em São Paulo o Sambalanço Trio, do qual era pianista e líder, ao lado do contrabaixista Humberto Claiber e do baterista Airto Moreira. O grupo gravou três LPs e acompanhou o cantor-bailarino Lennie Dale em sua temporada no Teatro de Arena, em São Paulo, e depois na boate Zum-Zum, no Rio de Janeiro RJ, em 1963.

Liderou o trio Som-3 (1965- 1971), que reunia o baterista Toninho Pinheiro e o contrabaixista Sabá, com o qual gravou diversos LPs. Ainda em 1965, foi arranjador e pianista dos LPs de Lennie Dale e Elisete Cardoso e do LP de seu octeto. Nesse mesmo ano aceitou o convite de Wilson Simonal para fazer os arranjos de seu repertório, tarefa para a qual teve inicialmente orientação de Eumir Deodato.

A partir de 1965 e até 1971, foi o responsável pelos arranjos de todos os discos de Wilson Simonal, cantor que acompanhou em excursões ao México, Argentina, Peru, Venezuela, Itália, França, Portugal e Inglaterra.

Participou do júri de todos os festivais da TV Record, de São Paulo, a partir de 1966, ano em que também se apresentou, com o Som-3, no Festival de Arte Negra, em Dacar, Senegal. Como pianista, em 1967 esteve presente nas gravações dos LPs de os Três Morais, Os Farroupilhas e O Quarteto.

Em 1971 passou a ser arranjador e pianista da Philips, participando de todos os discos de Elis Regina gravados a partir dessa data, também como teciadista. Nessa época, realizou com Elis Regina tournées pela América Latina, EUA e Europa. Foi ainda pianista e arranjador de discos de Chico Buarque, João Bosco, Maria Bethânia, Claudete Soares, Erasmo Carlos, Wanderléia, Beth Carvalho, Jorge Ben Jor, Elisete Cardoso e Cristina.

Apresentou em 1977 o show São Paulo/Brasil/Crônica, que a RCA lançou como LP no mesmo ano. Na década de 1980 foram lançados os LPs César Camargo Mariano e Cia (1980) e Samambaia (1981, com destaque para sua composição Maria Rita), ambos pela Odeon; e A todas as amizades (1983, Som Livre), com repertório que incluiu as composições Blue Moon (Rodgers e Hart), Novo tempo (Ivan Lins e Vítor Martins) e Avenida Paulista (com Regina Werneck) e a participação de cantores como Milton Nascimento, Nana Caymmi, Fafá de Belém e Quarteto em Cy, entre outros.

Compôs músicas e fez arranjos para os filmes Eu te amo, de Arnaldo Jabor (1980) e Além da paixão, de Bruno Barreto (1984). Em 1994 mudou-se para New Jersey, EUA, e aí tem se apresentado em casas noturnas e trabalhado como produtor e arranjador. No Brasil em 1997, apresentou-se no Palace, em São Paulo, no festival Heineken Concerts.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Canhoto da Paraíba

Não são poucos os violonistas canhotos no Brasil. Alguns deles, com status de estrelas de primeiríssima grandeza (como o paulista Américo Giacomino, o Canhoto, o maior nome do instrumento no início do século), deram importantes contribuições para a fixação do violão como o mais brasileiro dos nossos instrumentos populares. Mas todos eles necessitavam inverter as cordas para aprender; primas para cima, bordões para baixo, de maneira que somente canhotos pudessem dedilhar o instrumento. Todos, menos um.

No alto sertão paraibano, na lendária cidade de Princesa Isabel (onde "pau-pereira já roncou", como cantava Luiz Gonzaga), entre nove irmãos, nasceu Francisco Soares de Araújo, em 19 de maio de 1928. O avô era clarinetista da banda, o pai tocava violão, os irmãos distribuíam-se entre vários instrumentos e logo o Chico começou a tocar todos eles, por conta própria. Tanto assim que, já adolescente, tomou puxão de orelha de "seu" vigário, que tolerava a maneira suingada como seu pequeno sacristão tocava os sinos, mas não perdoou quando o flagrou rasgando o frevo Vassourinhas, no... órgão da igreja.

Mas Chico gostava mesmo era de violão. O problema é que para ensiná-lo "só mesmo na frente do espelho", como dizia seu pai, quando desanimou da tarefa. Canhoto irreversível, tratou de aprender sozinho. Como o instrumento era usado pela família toda, não podia inverter as cordas, o negócio era simplesmente virá-lo ao contrario, de cabeça para baixo e...tocar.

Tocar magistralmente, a ponto de em pouco tempo a confraria dos gênios musicais brasileiros saber dele. Pixinguinha, Luperce Miranda, Tia Amélia, Severino Araújo, Dilermando Reis já sabiam que pelo Nordeste - agora já adulto, tocando no Regional da Rádio Jornal do Comercio do Recife, depois de estágio nas mesmas funções na Rádio Tabajara, de João Pessoa - existia um violonista fora de série, à altura dos melhores do país.

Em 1959, visita o Rio de Janeiro e em um sarau na famosa casa de Jacob do Bandolim, em Jacarepaguá, torna-se amigo de todos os seus ídolos, principalmente do jovem Paulinho da Viola, que o homenageia com o choro Abraçando o Chico Soares. Nunca quis fazer carreira no Sul, mesmo tendo gravado um LP (produzido por Paulinho), preferindo continuar sua vida de "chorão" ao lado dos amigos no Recife.

Tão bom compositor quanto intérprete, Canhoto da Paraíba - nome com que se inscreveu definitivamente na história do violão brasileiro - realizou algumas incursões por São Paulo e Rio de Janeiro, exibindo um talento que sempre deixou um gosto de "quero mais" nos que tiveram contato com ele.

Arley Pereira
ENSAIO - 12/4/1994

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Armandinho

Armandinho (Armando Neves), instrumentista e compositor, nasceu em Campinas-SP (28/11/1902) e faleceu em São Paulo-SP (12/10/1976). Freqüentava na infância a casa do professor de violino Antônio Paula de Sousa, e já tocava violão, de ouvido, pois nunca aprendeu a ler e escrever uma nota musical. Quem transcrevia suas composições para o papel era o seu professor.

Foi jogador de futebol até 1919, depois boiadeiro pelo interior de São Paulo. Aos 21 anos transferiu-se para São Paulo, estudando violão com os irmãos José e Joaquim Matoso e em 1926 com Larosa Sobrinho, com quem ingressou na Rádio educadora Paulista (hoje Gazeta), organizando o primeiro Conjunto Regional de São Paulo. No final do ano seguinte, entrou para o conjunto Os Turunas Paulistas, de Canhoto, considerado o melhor violonista da época. 

Com a morte de Canhoto, em 1928, ingressou na então inaugurada Rádio Record, organizando o primeiro regional dessa emissora, do qual seria chefe durante 30 anos. Em 1930 tocou para o violonista paraguaio Agustín Barrios e, nesse mesmo ano, gravou dois discos para a Parlophon, com Larosa Sobrinho.
Especializado em acompanhamento ao violão, fez somente uma gravação de solo, num disco 78 rpm, de propriedade particular, com o selo Decelith, em 1938. Funcionário público da Secretaria de Estado e Saúde Pública aposentou-se em 1955. 

Suas composições foram gravadas por Garoto, José Menezes, Aimoré, Antônio Rago e Geraldo Ribeiro, entre outros. Seu choro Mafuá foi gravado por José Meneses na Sinter, em 1957. Essa mesma música foi gravada por Aimoré em janeiro de 1966. Em abril de 1966, Antônio Rago gravou Maxixe. Em 1970, Geraldo Ribeiro incluiu algumas músicas suas no LP Geraldo Ribeiro, na Fermata. 

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora / PubliFolha.

domingo, 21 de outubro de 2007

Alzira Espíndola

Nascida no Mato Grosso do Sul, em uma família de músicos, iniciou-se profissionalmente no grupo Lírio Selvagem, onde tocava com seus irmãos — inclusive a cantora Tetê Espíndola.

Com o fim do grupo, começa uma carreira solo como cantora, compositora e instrumentista. Tocou com o violeiro Almir Sater antes de lançar seu primeiro disco solo, "Alzira Espíndola", pelo selo 3M.

Em 1990 excursionou por diversos países com Itamar Assumpção e a banda Isca de Polícia, gravando em seguida seu segundo disco, "AMME" pelo selo Baratos Afins. Com esse disco foi indicada ao prêmio Sharp de 1992, categoria Melhor Cantora Pop.

Pela mesma gravadora lança em 1996 "Peçamme", que tem no repertório parcerias com Itamar, Luli e Lucina. Em 1999 grava com a irmã Tetê um CD de clássicos da música regional, "Anahí" (Dabliú).

2000 foi o ano de "Ninguém Pode Calar" (Dabliú), disco baseado no repertório da cantora Maysa.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Licas

O instrumentista Licas viveu no Rio de Janeiro entre os fins dos séculos XIX e XX. Tipógrafo, residente no subúrbio da Piedade, começou carreira musical como flautista. Integrou a banda do Corpo de Bombeiros, sob a direçao de Anacleto de Medeiros, destacando-se como executante de bombardino e bombardão.

Frequentou as rodas de choro mais famosas de sua época, ao lado de Candinho Trombone, Anacleto de Medeiros, Cupertino de Menezes, Catulo da Paixão Cearense, Mano Cavaquinho e Sátiro Bilhar.

Ficaram famosos os contracantos que fazia no bombardino, imitando os baixos melódicos do violao.

Reminiscencias dos chorões antigos - Por Alexandre Gonçalves Pinto:

"Lica, era typographo, morava na rua Sá, em Piedade, foi um grande bohemio e um grande chorão, bombardão falado e conquistado, fazia gosto vel-o tocar, por esta razão era deveras apreciado pelos amantes dos "chôros" pela sua sympathia, conhecia o seu instrumento demais, por este motivo executava com muita cadencia, conhecedor de seu mecanismo, dava sempre preferencia em acompanhar flauta, cavaquinho e violão, sendo pelos mesmos acclamado tal era a macieza de seu sôpro e suavidade das notas melodiosas de seu bombardão.

Houve um tempo em que elle se dedicou á flauta e com este instrumento fez prodigios no meio dos chorões, depois Lica, foi fazer parte da banda de musica do Corpo de Bombeiros debaixo dabatuta do prestigioso e inesquecivel maestro Anacleto de medeiros, de quem se tornou um fervoroso amigo.

Lica, tinha verdadeiro amor e devotamento á arte musical, nos chôros onde elle fazia parte e dispunha de liberdade, pedia a palavra em louvor sempre de Santa Cecilia, tal era o seu enthusiasmo, tambem tinha muita habilidade nas representações de scenas comicas.

Ninguem como o Lica, fazia um anão nos intervallos dos chôros pondo um cesto na cabeça coberto com um pannobranco, fazendo uma carranca na barriga, entrava nos salões arrancando applausos da assistencia.

Elle ia longe a procura de seus companheiros de "chôro" com um bombardão velho e enzinhavrado cumprindo assim a sua palavra, a chegada de Lica, nos "chôros" á ultima hora tinha radiante recepção, pela anciedade de sua presença. Lica, foi um "chorão"inveterado que deixou saudades aos chorões da velha guarda.

Tal a macieza de seu sôpro, como contra baixo de cordas. Acompanhando muitas vezes com o seu velho bombardão até modinhas, fazendo nas suas notas um violão".


Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998; Reminiscencias do Chorões Antigos - Alexandre Gonçalves Pinto.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Copinha


Aquela antológica abertura, em solo de flauta, de Chega de saudade, que, ao lado do violão de João Gilberto, lançou a bossa nova em 1957, foi feita pelo engenheiro paulista Nicolino Cópia, mestre do instrumento (e de todos os de sopro) desde os tempos em que tocava acompanhando filmes no cinema mudo.

Genial, eclético, atualizado, Copinha foi acima de tudo um músico. Seu som está em centenas - milhares, sem exageros - de gravações de cantores e cantoras brasileiros, de todos os gêneros e estilos, ao longo de seus mais de cinqüenta anos de carreira (nasceu em 3/3/1910 e morreu em 4/3/1984, um dia depois de completar 74 anos).

"Engenheirou" poucos meses em São Paulo e foi ser músico na vida. Trabalhando com outros maestros ou liderando suas próprias orquestras, apresentou-se nos mais variados cenários e cidades. Teve como companheiros gênios a sua altura, como Garoto, Aimoré, Armandinho, Spartaco Rossi, Gaó, Tom Jobim, Dom Salvador, Chico Batera e, no apagar das luzes de tão exuberante carreira, um trabalho majestoso ao lado de Paulinho da Viola.

Desde o início dos anos 30, Copinha teve lugar de destaque em São Paulo, no Rio de Janeiro e no mundo. Na música feita nas rádios, nos cassinos, nos shows, nas gravações de discos, foi figura obrigatória. Em 1931, tocava na Alemanha, em 32, na Companhia de Revistas de Margarida Max, no Rio.

Nos anos seguintes, na Orquestra Columbia e ao lado de Pixinguinha na noite carioca. Tocou no Copacabana Palace com Simon Boutman e Carlos Machado, até formar a própria orquestra. Passou pela TV Rio, Rádio Nacional, TV Globo. Apresentou-se com sua orquestra no cassino de Monte Carlo, em Dallas, Miami, Minneapolis. Gravou três discos solo e acompanhou três gerações de cantores brasileiros.

Morreu no Carnaval. Em seu velório, Paulinho da Viola e mais quatro ou cinco pessoas. Nas ruas, o Rio de Janeiro brincava.Concedeu esta entrevista ao programa MPB Especial, da TV Cultura de São Paulo, em 1974, aos 64 anos.

Arley Pereira - MPB ESPECIAL- 2/10/1974

"Essa música (Abismo de Rosas) é de um senhor, para mim um senhor exímio violonista, chamado Giacomino, apelido de Canhoto. Eu conheci o Canhoto em 1918, 1919, que foi a época em que ele fez essa valsa, e eu adorava esse homem tocando violão. Aliás, fazíamos serenatas, eu, um garotinho, só "sapeava", eu tocava uma coisinha ou outra. Meus irmãos mais velhos é que tocavam com ele, João, Vicente, Joaquim e Alexandre.

Eu nasci na rua Santa Efigênia, antigamente bairro Santa Efigênia. Hoje é Centro. Atravessava a ponte (1), era o bairro Santa Efigênia. Hoje atravessa a ponte e é cidade mesmo. São Paulo cresceu de uma maneira... São Paulo nesse tempo era um Estado formidável de se viver. Poluição não existia. Eram aqueles bondinhos, eram bondes. Eu não alcancei bonde de burro, não, eu não alcancei isso, porque também não sou tão velho. Mas eram aqueles bondes caradura. Tinha o bonde condutor na frente, todo fechado, pintado de verde, da esperança, que levava o reboque atrás, feito uma jardineira, tudo aberto, chovia dentro. Esse caradura era um tostão. Tomei muito bonde caradura.

No bairro de Santa Efigênia a coisa mais importante era a igreja. Sem contar a ponte. A ponte foi um acontecimento, os dois viadutos: Santa Efigênia e viaduto do Chá. Tinha casas baixinhas. Naquele tempo, São Paulo todo devia ter um milhão e duzentos mil habitantes. O Rio de Janeiro era mais habitado do que São Paulo, tinha mais população. São Paulo era um lugar formidável. Nasci aqui, gostava muito, né? Hoje não, hoje São Paulo está difícil, está fogo. O Rio de Janeiro está mais devagar, está mais calmo.

Eu comecei a estudar com 7 anos de idade, em 1917. Mas estudava direito, estudava música primeiro. Hoje a gurizada pega um instrumento e vai tocar de ouvido. Estudei música, solfejo, depois mais tarde harmonias, essa coisa toda. Com 9 anos é que eu peguei a flauta. Com nove anos eu já fazia serenata com o Canhoto. Toquei muitas vezes. Ele gostava e dizia: "Esse garoto é bom". Fiz muitas serenatas e valsas. Aliás, muita gente está enganada com serenata, dizem que serenata é só música dolente. Não é não. Eu tinha uma "pequena" que gostava de tango e fiz serenata com tango. Tinha uma garota que gostava de um choro (não me lembro o nome).

Eu tocava choro para ela na serenata. E daí todo muito pensa que serenata é só valsa, dolente. Não é nada disso, não. Tudo que você gostava, eu ia tocar para você, e acabou-se, gostasse do que gostasse".(1) Refere-se ao Viaduto Santa Efigênia.

domingo, 22 de outubro de 2006

Lina Pesce

Lina Pesce - 1937
Lina Pesce (Magdalena Pesce Vitale), compositora, instrumentista, nasceu em São Paulo/SP em 26/1/1913 e faleceu em 30/6/1995. Filha do maestro italiano Giacomo Pesce, que lhe deu as primeiras orientações musicais e muito a influenciou. Teve aulas de piano com Marcelo Buogo.

Em 1922 fez sua primeira composição, o tango-canção Quantas vezes, com letra em português escrita por seu pai, que assumiu o pseudônimo de Orfeu. São dessa mesma época seus tangos A vingança de Cupido, Compadrito, Esqueça-me, Fatalidad e Miente.

Em 1933 casou-se com Vicente Vitale, um dos fundadores da editora Irmãos Vitale, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde prosseguiu seus estudos de música, teoria, solfejo e harmonia com Lorenzo Fernandez e piano com Tomás Terán.

Em dezembro de 1937, ganhou o primeiro lugar no Concurso Oficial de Músicas Carnavalescas para 1938, promovido pela Divisão de Turismo e Divertimentos Públicos da Prefeitura de São Paulo, com a marcha Você gosta de brincar, gravada por Laís Marival em disco Columbia.

Em 1942 editou pela Irmãos Vitale seu choro Bem-te-vi atrevido, gravado pela organista norte-americana Ethel Smith e apresentada pela mesma no filme Dupla ilusão (Twice Blessed). A partir dessa aparição, a música ganhou novos registros nos EUA, e recebeu gravações na Argentina, Inglaterra, França, Itália, antiga U.R.S.S. e vários outros países.

No Brasil recebeu algumas dezenas de registros conhecidos, dos quais se destacam os de Irani Pinto, Carolina Cardoso de Meneses, Altamiro Carrilho, Sivuca e Heriberto Muraro. O sucesso inspirou-a a compor outros choros com nomes de pássaros: Pintassilgo apaixonado, Corruíra saltitante, Tangará na dança, Canarinho gracioso e Sabiá feiticeiro, todos editados nas décadas de 1940 e 1950 pela Irmãos Vitale e gravados por numerosos intérpretes, destacando-se Simonetti, Copinha, Carioca e Luís Americano.

Na década de 1950, compôs sambas-canções de grande aceitação, como Onde estará meu amor (gravado por Morgana, Dolores Duran, Elisete Cardoso e Agnaldo Rayol), Era uma vez (gravado por Carminha Mascarenhas e Morgana), Eu sou assim (gravado por Jairo Aguiar e Marion Duarte) e Este amor (gravado por Morgana e Paulo Queirós).

Em 1958, a Copacabana lançou um LP contendo exclusivamente composições suas executadas por Irani Pinto, intitulado Inspiração. No mesmo ano, ingressou na Academia Brasileira de Música Popular, possuindo até esse momento mais de 200 gravações divulgadas em diferentes países.

Em 1961 assinou contrato com a CBS, gravando como solista de piano três LPs: Valsas bem brasileiras (1961), com repertório de valsas de sua composição, Concerto em ritmo (1963), com clássicos da música erudita vertidos em ritmo dançante (os dois LPs com arranjos e regência de Lírio Panicalli), e Chorinhos bem brasileiros (1963), com arranjos e regência de Radamés Gnattali. A partir daí, afastou-se do meio artístico.

Em meados da década de 1970, voltou a residir em São Paulo, no bairro de Vila Mariana, restringindo suas aparições públicas a programas radiofônicos e reuniões musicais particulares, além de compor. Com a morte de Vicente Vitale, em 19 de setembro de 1980, abandonou definitivamente a carreira.

Obras: Baião concertante, baião, 1958; Bem-te-vi atrevido, choro, 1942; Canarinho gracioso, choro, 1958; Compadrito, tango, 1929; Corruíra saltitante, choro, 1948; Era uma vez, samba-canção, s.d.; Esqueça-me (c/Giacomo Pesce), tango, s.d.; Este amor, samba-canção, s.d.; Eu sou assim, samba-canção, s.d.; Miente, tango, 1929; Onde estará meu amor, samba-canção, 1958; Pintassilgo apaixonado, choro, 1947; Quantas vezes, tango-canção, 1927; Sabiá feiticeiro, choro, 1950; Tangará na dança, choro, 1942; Você gosta de brincar, marcha, 1939.

Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora - PubliFolha.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

Fon-Fon

Fon-Fon (Otaviano Romero Monteiro), regente, arranjador, instrumentista e compositor nasceu em Santa Luzia do Norte/AL em 31/01/1908 e faleceu em Atenas/Grécia em 10/08/1951. Iniciou as atividades musicais aos dez anos, tocando piano numa zabumba em sua cidade.

Foi para Recife/PE estudar no Colégio Batista, mas, logo depois, abandonou a escola e voltou para Santa Luzia do Norte, onde recebeu convite para trabalhar no interior do Estado de São Paulo. Quando chegou a São Paulo/SP, resolveu permanecer na capital, mas, sem carteira de reservista, e, portanto, sem possibilidades de conseguir emprego, ingressou no Batalhão de Polícia, pensando em participar da banda (o que não foi possível porque não sabia ler música). Voltou para sua terra e, em seguida, foi para Maceió/AL, onde passou a trabalhar como correntista em um escritório. Nessa época, começou a estudar música.

Em 1927, transferiu-se para o Rio de Janeiro/RJ, para servir no 2º Regimento de Infantaria. Com o mestre de frevo Garrafinha, contramestre da banda do regimento, aperfeiçoou seus conhecimentos musicais, estudando saxofone. O apelido foi-lhe dado pelo clarinetista Dedé, companheiro de regimento, porque, quando tocava saxofone, não tirava os agudos com clareza e o som saia sempre parecido com fon-fon.

Por essa época, começou a tocar em "dancings". Numa festa em que Dedé faltou, substituiu-o na clarineta, interpretando, com muito sucesso, You Are Meantfor Me. Em 1930, deixou o Exército e passou a atuar em diversos conjuntos, e com um deles fez uma viagem à Argentina, onde permaneceu por um ano. De volta ao Brasil, ingressou na Orquestra de Romeu Silva e, posteriormente, na de Silvio Sousa.

Em 1935, por motivo de doença, afastou-se das atividades musicais, retomadas em 1939, quando começou a ensaiar sua própria orquestra. Nessa primeira tentativa, não teve êxito. Mais tarde, reuniu novos músicos, com os quais passou a atuar no Cassino Assírio, tendo o maestro Radamés Gnattali como arranjador.

Com o mesmo estilo das orquestras de danças norte-americanas que faziam grande sucesso na época, como as de Benny Goodman, Tommy Dorsey e Artie Shaw, a Orquestra de Fon-Fon alcançou muito êxito entre a elite carioca, freqüentadora do cassino. Em 1941, com sua orquestra, excursionou por Buenos Aires, Argentina, onde se apresentou na Radio Splendid.

De 1942 a 1947, no Brasil, o grupo fez o acompanhamento em dezenas de gravações, na Odeon, para os maiores cantores da época. Gravou poucos discos instrumentais, entre os quais o famoso choro Murmurando (de sua autoria e Mário Rossi), em 1946, na Odeon.

Em 1947, Fon-Fon e sua Orquestra foram para Paris, França, a convite do Club des Champs Elysées, permanecendo na Europa até 1951, e apresentando-se em diversos países, inclusive a Grécia, onde morreu.

Foi no exterior que a orquestra gravou seu único LP, na etiqueta London, não editado no Brasil. Foi o primeiro chefe de orquestra uma banda com naipes de saxofone e metais (trombones e trompetes), com uma sonoridade característica e identificável, contribuindo também para o sucesso de diversos cantores importantes que acompanhou.

(fonte: Collector's)

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Djalma Ferreira


Djalma Ferreira (Djalma Neves Ferreira), compositor, regente e instrumentista, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 5/5/1914 e faleceu em Los Angeles, EUA, em 28/9/2004. Começou a estudar música aos 12 anos. Seguiu para a Itália, onde aprendeu piano e violino. Ainda adolescente, desistiu, passando a tocar de ouvido, voltando para o Rio de Janeiro com 18 anos.

Em 1938 fez sua primeira composição, Longe dos olhos (com Cristóvão de Alencar), gravada por Francisco Alves e Sílvio Caldas. A partir de 1940, foi pianista do Cassino da Urca e de várias outras casas de jogo do Rio de Janeiro, tocando ainda durante alguns anos na boate do Hotel Quitandinha, em Petrópolis/RJ, com Chuca-Chuca (vibrafone), Oscar Belandi (percussão) e José Meneses (violão). Por intermédio de Henrique Batista estreou no rádio no programa Samba e Outras Coisas, ao lado de Henrique e Marília Batista.

Em 1945 organizou o conjunto Os Milionários do Ritmo e gravou seu primeiro disco como executante, Bicharada, um 78 rpm em que tocava solovox, imitando sons de animais. Em 1946, com o fechamento dos cassinos, excursionou durante quatro anos pela América do Sul, acompanhado de seu conjunto, e chegou a abrir a boate Embassy, em Lima, Peru.

De volta ao Brasil em 1951, apresentou- se no Norte com Helena de Lima e o organista Nestor, instalando-se depois no Rio de Janeiro, onde abriu a boate Drink, que lançou, no período de 1954 a 1960, Miltinho, Ed Lincoln, Helena de Lima e Sílvio César. Dessa época são seus maiores sucessos como compositor, Lamento, Murmúrio, Devaneio (todos com Luís Antônio) e Volta (com Luís Bandeira).

Em 1956 gravou com seu conjunto o LP Combinação insuperável (Djalma Discos), incluindo de sua autoria Dançando no espaço e, três anos depois, pela mesma fábrica, o LP Drink no Rio de Janeiro, com Cheiro de saudade (com Luis Antônio), talvez sua composição mais difundida.

Em 1960 abriu em São Paulo a boate Djalma, onde tocou com Rubinho (bateria) e Luís Chaves (contrabaixo), e lançou Jair Rodrigues como Crooner. No mesmo ano gravou dois LPs: Djalma Ferreira, pelo selo Drink, com Miltinho como crooner, destacando-se Lamento e Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinícius de Moraes), e Drink, pela Continental, com Samba fantástico (P. Mendes, Toledo, Manzon e Autuori) e Nosso samba (de sua autoria).

Em 1963 vendeu a boate e fixou residência nos EUA, apresentando-se em hotéis e cassinos em Las Vegas e na Califórnia, ao lado de Star Dust, Sahara e Silver Slipper; nesse período, compôs em parceria com Leonard Feather You Can’t Go Home, My Place, I’m Happy Now, It’s My Turn to Swing. Esteve no Rio de Janeiro por um ano em 1965, só voltando em 1973 para uma temporada na boate carioca Le Roi.

Obras: Bicharada, baião, 1945; Cheiro de saudade (c/Luís Antônio), samba, 1959; Devaneio (c/Luís Antônio), fox, 1960; Lamento (c/Luís Antônio), samba, 1959; Murmúrio (c/Luís Antônio), samba, 1960; Recado (c/Luís Antônio), samba, 1959; Samba que eu quero ver (c/João de Barro), samba, 1952; Volta (c/Luís Bandeira), samba, 1960.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora