sábado, 29 de julho de 2006

Mel


Ainda colhendo os frutos do sucesso do álbum Álibi (1978), Maria Bethânia, durante a preparação do seu disco de 1979, pediu uma canção ao seu amigo Waly Salomão. Bethânia já havia gravado duas canções dele: "Anjo Exterminado" (em parceria com Jards Macalé) no álbum Drama - Anjo Exterminado (1972) e "A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa" (em parceria com Caetano Veloso) no álbum Álibi.

Quando Bethânia pediu a canção, Waly estava tenso e nada conseguia escrever. Ele relatou o problema por telefone a Caetano, e esse contou a Bethânia, aconselhando-a a desistir. A cantora respondeu que queria Waly mil vezes mais tenso, pois assim sairia uma coisa bonita. Waly, irritado, desligou o telefone. Horas depois, Waly entregava a letra inteira e então Caetano a musicou. Segundo Waly Salomão, ele já buscava a letra, mas precisava da "precipitação", do "raio", no caso a "ira" de Bethânia, para acontecer.

"Mel" tornou-se a faixa de abertura do disco de 1979 de Maria Bethânia, além de dar nome ao álbum. Na canção, a personagem se entrega com prazer a uma mulher que ela chama de Abelha-rainha, como um súdito. Há na letra, vários nomes de tipos de abelhas que Waly pesquisara. A letra repete-se duas vezes na gravação. O nome "Abelha-rainha", que está presente no primeiro verso da canção, tornou-se um apelido para a cantora: "Abelha-rainha da MPB". A dupla responsável pela canção, também criou, mais tarde, outros temas de Maria Bethânia, alguns, que também deram nome a álbuns dela: "Talismã" (1980), "Alteza" (1981), "Da Gema" (1984), "Olho d'Água" (1992).

Mel (1980) - Caetano Veloso e Waly Salomão

G          Bb° 
Ó abelha rainha 
 Am7                G               E7
faz de mim um instrumento do seu prazer
Bm7  E7         Am7      D7
Sim,   e de tua glória 
                G                 E7
Pois se é noite de completa escuridão
Am7                  Cm6
Provo do favo de teu mel
Bm7                 F7   E7    A7
Cavo a direita claridade    do céu
   D7                G    G7
E agarro o sol com a mão
C           Bm7    E7     Am7              D7 G
É meio-dia, é meia-noite,     e toda hora
             F#7     B7   Em           Dm7        G7
Lambe olhos, torce cabelos, feiticeira vamo-nos embora
C           Bm7    E7     Am7              D7 
É meio-dia, é meia-noite,    faz zumzum na testa
           Am7          D7     Bm7
Na janela, na fresta da telha 
             E7                 Bm7          E7   Am7
Pela escada, pela porta, pela estrada toda a fora
         D7                Am7
Anima de vida o seio da floresta
         D7     Bm7   
O amor empresta     
           E7              Bm7              E7
a praia deserta zumbe na orelha, concha do mar
Am7       D7              Am7             D7    G
Ó abelha, boca de mel, carmin, caruda, vermelha
G          Bb°   Am7                G               E7
Ó abelha rainha faz de mim um instrumento do seu prazer
Bm7  E7       Am7     D7     G     E7       Am7    D7
Sim, e de tua glória, de tua glória, de tua glória, 
            G
  de tua glória
Postar um comentário