sábado, 29 de julho de 2006

Sonhos


Inspirado num episódio vivido por Peninha, “Sonhos” foi composto ao violão, quase de sopetão — “como um tijolo”, conforme suas palavras —, durante uma madrugada. Formam a melodia seqüências de uma frase musical que tem como base duas notas, na primeira parte, e um movimento descendente, na segunda.

Sobre esta singela melodia foram distribuídos versos assimétricos, que descrevem o momento em que a namorada do autor, que ele julgava ser o seu grande amor, confessa-lhe sua paixão inesperada por outra pessoa — “Quando a canção se fez mais forte, mais sentida / (...) / você veio me falar dessa paixão inesperada / por outra pessoa...”

Então, em vez de revoltar-se, o poeta adota uma atitude de renúncia e esperança, que culmina em um segundo sonho: “Mas não tem revolta, não / eu só quero que você se encontre / saudade até que é bom / (...) / tenho um sonho em minhas mãos / amanhã será um novo dia / certamente eu vou ser mais feliz.”

Na época, Peninha temia a possibilidade de ser dispensado da PolyGram, que sofrera uma mudança na diretoria. Porém, quando o novo produtor, Roberto Livi, ouviu “Sonhos” gostou de saída, propondo a gravação na semana seguinte do que seria o segundo compacto de Peninha. Foram necessários alguns meses para que a música se convertesse numa das mais executadas nas rádios, acreditando o cantor bem mais no êxito de “Um Grito Parado no Ar”, gravado no outro lado do disco.

“Sonhos”, todavia, foi deslanchando aos poucos e, ao ultrapassar a marca de 400 mil cópias vendidas, entrou na trilha da telenovela “Sem Lenço Nem Documento”, deixando um rastro de sucesso tão marcante, que só muito tempo depois Peninha conseguiria se livrar da pecha de “cantor de uma música só”. Contribuiu para elevar o prestígio de “Sonhos”, principalmente junto ao público mais exigente, sua gravação por Caetano Veloso no álbum Cores e nomes, em 1982, figurando ainda a canção em discos de Wando, Paulinho Moska e, no exterior, a espanhola Soledad Bravo e a italiana Mina.

O paulista Peninha, cujo nome é Aroldo Alves Sobrinho, tendo ganho o apelido de um amigo de juventude, também gravou “Sonhos” em castelhano, versão que permaneceu vários meses no hit parade argentino (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sonhos (1977) - Peninha


(intro) C4/9*  Cm7  C4/9*  Cm7  Ab6  G7/5+  G7
Cm7
Tudo era apenas uma brincadeira
                       Dm5-/7             G7
E foi crescendo   crescendo  me absorvendo
        C7               C7/9-         Fm7     Dm5-/7
E de repente  eu me vi assim completamente seu
                   G7                 Cm7
Vi a minha força amarrada no seu passo
                          Cm7/Bb               Ab6
Vi que sem você não há caminho  eu não me acho
                                                    G7
Vi um grande amor gritar dentro de mim como eu sonhei um dia

Cm7
Quando o meu mundo era mais mundo
              Dm5-/7 G7
E todo mundo admitia

Uma mudança muito estranha
C7                               C7/9-              Fm7
Mais pureza  mais carinho  mais calma  mais alegria
                       Dm5-/7
No meu jeito de me dar
                   G7/5+           G7       Cm7
Quando a canção se fez mais clara e mais sentida
                       Cm7/Bb      Ab6
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
                            G7
Você veio me falar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa

(refrão)
Cm7
Mas não tem revolta não
                           Dm5-/7
Eu só quero que você se encontre
                   G7
Saudade até que é bom
                         C7
É melhor que caminhar vazio
           C7/9-
A esperaça é um dom
                Fm7               Dm5-/7
Que eu tenho em mim  eu tenho sim
                   Ab6
Não tem desespero não
      G7                Cm7
Você me ensinou milhões de coisas

Tenho um sonho em minhas mãos
            Dm5-/7
Amanhã será um novo dia
      G7/5+       G7         Cm7
Certamente eu vou ser mais feliz
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