sexta-feira, 2 de junho de 2006

Sei lá, Mangueira



Hermínio B. de Carvalho
Este samba nasceu de uma visita, talvez a primeira, de Hermínio Bello de Carvalho ao ponto mais alto do Morro da Mangueira, ciceroneado por Cartola e Carlos Cachaça. Ao ver lá de cima e em tão ilustre companhia o belo panorama o poeta emocionou-se e compôs este canto de amor à sua escola: “Vista assim do alto / mais parece o céu no chão / sei lá / em Mangueira a poesia / feito um mar que se alastrou / e a beleza do lugar / pra se entender / tem que se achar / (... / sei lá, não sei / sei lá, não sei não / a Mangueira é tão grande / que nem cabe explicação...”

Mais tarde, em casa, Hermínio concluía o poema, quando chegou Paulinho da Viola, que achou os versos ótimos e fez a melodia na hora. O que Paulinho, portelense ferrenho, não gostou foi da inscrição de “Sei Lá Mangueira” no IV Festival da MPB da TV Record, feita pelo parceiro em atenção a um pedido do jornalista Flávio Porto, irmão de Sérgio Porto. Mas, no final deu tudo certo, pos a música. Embora não tenha alcançado boa classificação, acabou indiretamente causando a feitura de outra obra-prima, o samba “Foi um Rio que Passou em Minha Vida” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sei lá, Mangueira (samba, 1968) - Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho - Interpretação: Elizeth Cardoso
A7M               E7           A7M 
 (Mangueira teu cenário é uma beleza  
         F#7         Bm7  
 Que a Natureza criou)  
  A7M  
 Vista assim do alto  
       F#7             Bm7  
 Mais parece um céu no chão 
 Sei lá  
 Em Mangueira a poesia  
          F#7       Bm7 
 Feito um mar se alastrou  
      E7         A7M  
 E a beleza do lugar  
 Prá se entender  
                Bm7  
 Tem que se achar 
                    E7 
 Que a vida não é só isso que se vê  
               A7M  
 É um pouco mais 
                              
 Bm7                E7          A7M       
 Que os olhos não conseguem perceber 
      Bm7  
 E as mãos não ousam tocar  
      
            E7        A7M  
 E os pés recusam pisar 
  A7M  
 Sei lá, não sei  
    Bm7  
 Sei  lá, não sei não  
 Não sei se toda a beleza  
 De que lhes falo  
         E7                A7M  
 Sai tão somente do meu coração 
 Em Mangueira a poesia  
                 
                F#7       Bm7  
 Num sobe-desce constante 
                    E7  
 Anda descalça ensinando 
                          A7M  
 Um novo jeito da gente viver 
 De pensar , de sonhar , de sofrer  
 Sei lá, não sei  
    F#7  
 Sei lá, não sei não  
                       Bm7  
 A Mangueira é tão grande 
  E7                 A7M 
 Que nem cabe explicação
 
 
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