sábado, 8 de setembro de 2007

Anabela

P. C. Pinheiro
Anabela - Mário Gil e Paulo César Pinheiro

No porto de Vila Velha
vi Anabela chegar
olho de chama de vela
cabelo de velejar
pele de fruta cabocla
com a boca de cambucá
seios de agulha de bússola
na trilha do meu olhar

Fui ancorando nela
naquela ponta de mar

No pano do meu veleiro
veio Anabela deitar
vento eriçava o meu pelo
queimava em mim seu olhar
seu corpo de tempestade
rodou meu corpo no ar
com mãos de rodamoinho
fez o meu barco afundar

Eu que pensei que fazia
daquele ventre meu cais
só percebi meu naufrágio
quando era tarde demais

Vi Anabela partindo
pra não voltar nunca mais
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