quarta-feira, 14 de junho de 2006

Nos bailes da vida

Os “causos” vividos por Milton Nascimento na época em que foi crooner e contrabaixista dos conjuntos W’s Boys, Tempo Trio, Berimbau de Ouro, Evolussamba e Quarteto Sambacana, ao lado de músicos como Wagner Tiso, Helvius Vilela, Pascoal Meireles e outros, sempre estiveram entre os assuntos preferidos de suas conversas com Fernando Brant.

São peripécias, as mais diversas, um manacial de histórias de músicos do interior e das boates das capitais. Animados pela verve peculiar da classe, esses papos aconteciam na Avenida Afonso Pena, ponto em que os músicos se reuniam em Belo Horizonte, onde, tal como na Praça Tiradentes, no Rio, e Praça da Sé, em São Paulo, eram contratados os “bicos”.

Um dia, ao receber uma fita de Milton para letrar nova composição, Brant achou que “seria uma boa” transformar o assunto em música, criando os primorosos versos de “Nos Bailes da Vida”: “Foi nos bailes da vida / ou num bar em troca de pão / que muita gente boa pôs o pé na profissão / de tocar um instrumento e de cantar / não importando se quem pagou quis ouvir / (...) / todo artista tem de ir / aonde o povo está / se foi assim, assim será / cantando me desfaço / e não me canso de viver / nem de cantar...”

Com algumas modificações, a música foi destinada a Ney Matogrosso, que não a gravou. Mas, ao tomar conhecimento da letra, vários artistas interessaram-se pela canção, cabendo à cantora Joanna lançá-la no elepê Chama, em julho de 81, quase ao mesmo tempo que o grupo 14 Bis (disco Espelho das águas). Então, Milton Nascimento, coadjuvado pelo Roupa Nova, deu-lhe versão definitiva em seu elepê, Caçador de mim, em setembro de 81.

Nesta gravação ele faz uma confissão emocionada do seu início de carreira, valorizando as pausas (em “foi assim...”, “era assim...” e “nem de cantar...”) e transformando a composição numa espécie de hino aos músicos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Nos bailes da vida (1981) - Milton Nascimento e Fernando Brant
Tom: D

Intro: (D D9 D4 D D9)

(D  D9)
Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão
C/D                              C
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
                          Em
De tocar um instrumento e de cantar
A4/7           A7                     D
Não importando se quem pagou quis ouvir

Foi assim

D                               D7+
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
D6          Am9
Tenho comigo as lembranças do que eu era 
C7+                         Em
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
A4/7             A7         G/D
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão
D           D G/D D
Era assim

D      D7+
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Am9          C7+
Todo artista tem de ir aonde o povo está
   Em           A4/7      A7
Se foi assim, assim será
Em             A7              G/D
Cantando me desfaço e não me canso de viver
D  D G/D D D9 D
Nem de cantar

solo: F F7+ Eb D Gm
      Bb Bb/C A4/7 A7

D                               D7+
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
D6          Am9
Tenho comigo as lembranças do que eu era 
C7+                         Em
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
A4/7             A7         G/D
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão
D           D G/D D
Era assim

D      D7+
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Am9          C7+
Todo artista tem de ir aonde o povo está
   Em           A4/7      A7
Se foi assim, assim será
Em             A7              G/D
Cantando me desfaço e não me canso de viver
D  D G/D D F
Nem de cantar..
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